<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241</id><updated>2012-01-07T05:43:56.463-08:00</updated><title type='text'>Fiori d'Autunno</title><subtitle type='html'>"Só para raros".H.H.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>68</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-2860522553918570544</id><published>2012-01-06T15:36:00.000-08:00</published><updated>2012-01-07T05:43:56.473-08:00</updated><title type='text'>A Joaninha de Veríssimo</title><content type='html'>Nestes 600 anos de nascimento da lendária Joana D’Arc (1412-1431), destaco um livro cujo título é simples e direto: “A Vida de Joana D’Arc” (Editora Globo, 1978), de Érico Veríssimo.  Conforme anuncia, o livro aborda do nascimento à execução na fogueira daquela que foi considerada heroína de uma guerra (a dos “Cem Anos”- 1337-1453) e séculos depois, elevada à condição de santa (padroeira da França).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como para falar sobre Joana D’Arc é necessário retornar séculos no tempo, existem várias versões de episódios envolvendo o nome da “Donzela”. Bom, mas se escritores, cineastas e outros interessados na vida de personagens históricos levassem à risca a necessidade de se comprovar todos os detalhes, não teríamos tantas produções sobre Cleópatra (69? a.C- 30 a.C), a rainha do Egito, por exemplo. No caso da figura principal deste texto, Veríssimo explica no prefácio do livro (o prefácio foi escrito em 1960, quase 30 após a publicação da primeira edição): &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Acabei mandando para o diabo todas as limitações [&lt;i&gt;editoriais&lt;/i&gt;] e escrevi a história como achei que devia escrevê-la, sem pensar em conveniências tipográficas nem na idade de seus possíveis leitores. O resultado é este livro em que a vida da Donzela aparece romanceada até onde foi possível fazer isso sem trair a verdade histórica”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veríssimo, que ainda no prefácio se diz um “fascinado” por Joana D’Arc, apesar de ter realizado uma grande pesquisa histórica sobre a Donzela, realmente romanceou a sua vida até onde foi possível (!). A primeira impressão sobre a “menina Joana” (ou “Joaninha”) é como sendo meiga com seus amiguinhos, doce com os seus animais, plantas e rio, além de muito trabalhadora e religiosa. O autor, que diz dar ao texto “riqueza de cores”, acaba exagerando, muitas vezes, em suas pinceladas, e o resultado é um excesso de cores (principalmente no começo do livro), onde até o burrinho de Joana é repleto da melhor “pureza animal”. Ao destacar as crendices de Domrémy, na Lorena (onde a francesa Joana nasceu) do começo do século XV, como a de fadas que habitam em bosques, pensa-se que durante a infância, Joana estaria apta a protagonizar um conto-de-fadas, onde (quase) tudo era belo e perfeito. Se a guerra contra os ingleses criava rixas entre a população local, isto, a princípio, não interessava tanto à garota, que além de não compreender o que se passava, tinha como principal interesse a devoção por santos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como diz a História (neste caso, não necessariamente me refiro ao livro de Veríssimo), Joana D’Arc, que via a imagem espiritual de santos e recebia mensagens destes, tornou-se conhecida graças a estas visões: envolveu-se com a guerra, defendendo o seu povo e conseguindo algumas vitórias (eis a heroína), mas acabou sendo presa, julgada e condenada à morte por heresia. Na história de Veríssimo, os santos foram claros com Joana sobre o fim de sua missão: tomar dos inimigos os lugares citados por eles e entregar a coroa ao rei Carlos VII (como bem dizia a profecia de que uma donzela montada em um cavalo e vestida como homem conseguiria). Mas a Donzela, agora transformada em heroína, não é mais a menina meiga da infância, e Veríssimo retira um pouco de “suas cores”, relembrando ao leitor (finalmente), que aquela história é real. Então, a heroína Joana, que só vê batalhas e conquistas pela frente, só quer lutar e tomar Paris, para também dá-la ao rei. Neste ponto, o biógrafo retrata as batalhas com as “cores certas”, ou seja: sem exceder ou faltar com adjetivos e verbos de ação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No livro, as visões de Joana, além de darem ao texto a aura do momento, também trazem um breve retrato histórico da vida de lendárias e santas figuras, como Santa Catarina e Santa Margarida. Como o principal sobre a vida da Santa Joana D’Arc já é supostamente conhecido dos leitores, a associação que se tem com essas páginas é que se houve um grande sofrimento no instante da morte das primeiras santas (e páginas depois, no de Joana), ele será recompensado na passagem para o “reino dos céus”- como se já consolasse o leitor de que aquela terna menina, apesar da morte horrível que a esperava, teria o seu nome gratificado (mas neste caso, como explica Veríssimo no posfácio, o nome de Joana D’Arc só ganhou reconhecimento cinco séculos depois de sua morte).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Independente do fanatismo patriota ou religioso que se apossou da jovem de Domrémy, o fato é que Joana foi capturada e levada a julgamento (o próprio rei, Carlos VII, prefere esquecer aquela que o ajudou e preocupar-se apenas com a sua “vida de rei”, conforme mostra Veríssimo ao narrar os pensamentos de Carlos VII). Os "interrogadores" precisavam punir àquela que saiu de uma aldeia pobre e fez sucesso na França com a sua ousadia nas batalhas e palavras profanas! Que motivo mais óbvio para puni-la senão o seu fanatismo religioso, que agora, crescia em boatos pelas várias cidades francesas (Joana, com suas visões, era tida como milagrosa pela população)? Veríssimo é cauteloso com os detalhes de seus depoimentos, que se não seguem com rigor as palavras realmente ditas pela Donzela, ao menos seguem as palavras cravadas na História e tidas como suas.  Assim, a herege, feiticeira e cismática Joana D’Arc foi queimada viva na fogueira aos dezenove anos de idade por não renunciar aos seus princípios (religiosos e de pátria- os "interrogadores" queriam que ela voltasse a se vestir com roupas femininas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no posfácio, Veríssimo, que conversa com “Joaninha”, narra a ela muito do que se passou nos muitos e muitos anos seguintes: outras tantas guerras que vieram e se foram, bem como as invenções tecnológicas até o início do século XX. Mas finaliza, voltando às “cores do começo”, como se todos os burrinhos da Lorena tivessem as mesmas características amáveis daquele da menina Joana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-2860522553918570544?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/2860522553918570544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/2860522553918570544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2012/01/joana-darc-faz-seis-seculos.html' title='A Joaninha de Veríssimo'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-853012807889342778</id><published>2012-01-05T05:40:00.000-08:00</published><updated>2012-01-05T09:04:42.546-08:00</updated><title type='text'>A jovem e o bem-te-vi</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-9l8KNYdRTNc/TwWnax6-f1I/AAAAAAAAATM/CC5wqySrxMk/s1600/luzzati.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="200" width="198" src="http://1.bp.blogspot.com/-9l8KNYdRTNc/TwWnax6-f1I/AAAAAAAAATM/CC5wqySrxMk/s200/luzzati.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Aos pés de uma colina descansava um vilarejo. Suas casinhas eram simples, mas agradáveis, com flores coloridas pelo chão. Homens e mulheres trabalhavam em suas lavouras, crianças brincavam com seus burricos e uma jovem cosia eternamente um pedaço de tecido. É preciso dizer que esta jovem tinha a pele fresca como as maçãs regadas com o sereno da noite, mas era também frágil como a um beija-flor; a pobrezinha era doente, ou melhor, seu coração era doente. Por isto, a jovem quase nunca saía de casa e passava os dias em seu quarto, a coser, coser, coser...&lt;br /&gt;Só que agora, a jovem arranjara mais uma atividade para acompanhá-la na sua solidão: para a sua surpresa, seu coração, por mais doente que fosse, ainda tinha capacidade para pulsar ardentemente uma paixão; a jovenzinha amava! Amava já há algumas semanas, quando tivera autorização de sua avó (a jovem morava com a avó) para ver a festa dos lavradores que tinham feito uma ótima colheita aquele ano. Era certo que a jovem só podia permanecer no centro da vila por alguns minutos para ver homens, mulheres e crianças cantando, dançando e bebendo, porém, isto fora o suficiente para que ela visse no meio da pequena multidão um rapaz com olhos de oliva e com um sorriso doce como os favos de mel. A partir daquele instante, o coração doente da jovem mostrou-se capaz de também amar.&lt;br /&gt;Desde então, a jovem cosia e amava, cosia e amava, cosia e amava. Também sonhava de vez em quando, e em seus sonhos, o rapaz também a amava e queria casar-se com ela. &lt;br /&gt;Enquanto costurava, a jovem lançava olhares apaixonados e compridos para fora da janela de seu quarto... A agulha perfurava o pano, a linha fazia a sua marca e o tempo passava...&lt;br /&gt;Não muito distante dali, morava um bem-te-vi, que gostava de se esconder nas árvores da colina. Certo dia, o bem-te-vi, sob muita coragem e determinação, resolveu alçar voo e voou lá para os lados do vilarejo. Voou, voou, observando a tudo e a todos, quando notou a presença de uma linda jovem que cosia distraidamente na janela de seu quarto. O coraçãozinho da avezinha vibrou de alegria e ele sacudiu suas peninhas de emoção.&lt;br /&gt;Entretanto, no mesmo instante em que o bem-te-vi observava a jovem, a jovem notou que o rapaz que ela amava estava passando calmamente do lado de fora de sua janela. Trazia uma enxada nos ombros, além de seu sorriso de mel. O bem-te-vi namorava a jovem, que namorava o rapaz, que namorava o horizonte a sua frente. Eis então, que o bem-te-vi, do galho onde havia pousado, não aguentando mais a paixão em seu peito amarelo, explodiu a sua voz:&lt;br /&gt;-Bem-te-vi! Bem-te-vi! Bem-te-vi!&lt;br /&gt;A jovem deu um sobressalto com o que acabara de ouvir.&lt;br /&gt;-Ele me viu?!&lt;br /&gt;O rapaz parou a sua caminhada e buscou quem o havia citado de maneira tão carinhosa.&lt;br /&gt;Porém, a jovem, envergonhada com àquele que havia descoberto o seu segredo, murchou o seu corpo na janela e o rapaz não soube jamais quem o havia visto. O bem-te-vi, por sua vez, voou até a janela da jovem e a encontrou encolhida em sua cadeira. Ele a denunciou:&lt;br /&gt;-Bem, te vi! Bem, te vi!&lt;br /&gt;A jovem, ao ver o real dono daquela voz, ficou furiosa com tamanho atrevimento que decidiu fechar para sempre a sua janela. Ela só não soube que o rapaz continuou a passar por ali e já desconfiava que a dona daquela voz morava atrás daquela janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Imagem: Emanuele Luzzati&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-853012807889342778?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/853012807889342778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/853012807889342778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2012/01/jovem-e-o-bem-te-vi.html' title='A jovem e o bem-te-vi'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-9l8KNYdRTNc/TwWnax6-f1I/AAAAAAAAATM/CC5wqySrxMk/s72-c/luzzati.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-3851819605336442353</id><published>2011-11-12T13:14:00.000-08:00</published><updated>2011-11-12T13:14:02.279-08:00</updated><title type='text'>Me</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-JPoSHhsmFT4/Tr7hfuNYPcI/AAAAAAAAATA/eR3_B6JfaTA/s1600/camille_monet.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="152" width="200" src="http://3.bp.blogspot.com/-JPoSHhsmFT4/Tr7hfuNYPcI/AAAAAAAAATA/eR3_B6JfaTA/s200/camille_monet.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Penso-me.&lt;br /&gt;Esboço-me.&lt;br /&gt;Rascunho-me.&lt;br /&gt;Escrevo-me.&lt;br /&gt;Repasso-me.&lt;br /&gt;Sublinho-me.&lt;br /&gt;Leio-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Imagem: Camille, de Monet&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-3851819605336442353?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/3851819605336442353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/3851819605336442353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2011/11/me.html' title='Me'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-JPoSHhsmFT4/Tr7hfuNYPcI/AAAAAAAAATA/eR3_B6JfaTA/s72-c/camille_monet.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-1939446493188578207</id><published>2011-10-23T14:48:00.000-07:00</published><updated>2011-10-23T16:04:02.747-07:00</updated><title type='text'>Anedotas da vida real (e meu estômago no meio delas)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Zmx14vpR-WI/TqSbtsXi4LI/AAAAAAAAASQ/30B6e7lT_54/s1600/macarr%25C3%25A3o.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 112px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-Zmx14vpR-WI/TqSbtsXi4LI/AAAAAAAAASQ/30B6e7lT_54/s200/macarr%25C3%25A3o.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666825440445259954" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;*Logo pela manhã, no Sacolão da Economia, um grande cartaz anunciava a promoção do dia: "Giló e berigela 1 real".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Certa vez, durante uma aula específica do curso, uma universitária perguntou à professora nascida em Minas Gerais:&lt;br /&gt;-Professora, eu nunca me lembro: é Juiz de Fora a capital de Belo Horizonte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Três garotos conversavam. Dizia o primeiro:&lt;br /&gt;-Eu não me lembro quase nada das regras de gramática.&lt;br /&gt;-Eu também não- respondeu um deles.&lt;br /&gt;O terceiro disse:&lt;br /&gt;-Eu não me lembro nem o que é hiato.&lt;br /&gt;-Disto eu me lembro- falou o primeiro. Então prosseguiu:&lt;br /&gt;-Hiato é saúde!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Uma cliente, antes de pagar o estacionamento do shopping, pergunta a uma funcionária do estabelecimento:&lt;br /&gt;-Compras acima de 30 reais não se paga o estacionamento, não é isto?&lt;br /&gt;-O estacionamento está sendo pago, minha senhora. Só foi aprovada uma eliminar até agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Enquanto isto, no centro da cidade...&lt;br /&gt;O trânsito estava parado em uma das faixas, pois os veículos aguardavam o sinal verde. Um  dos carros tinha os vidros cobertos com longos dizeres religiosos. Subitamente, os olhos da motorista do carro de trás leem a seguinte frase: "descida onde você quer viver depois de morrer."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Já na saída da cidade, uma casa muito humilde anunciava em sua parede:&lt;br /&gt;"Vende-se caxorro pudo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Em outra casa (observação: longe da casa do "caxorro pudo"), o anúncio era:&lt;br /&gt;"Arranca dente Promoção  Só R$ 5".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*A cliente de um banco ainda esperava ser atendida, quando uma outra cliente sentou-se ao seu lado, também aguardando atendimento. Tocou o telefone celular da segunda:&lt;br /&gt;-Alô? &lt;br /&gt;-(...)&lt;br /&gt;-Sim, estou aqui.&lt;br /&gt;-(...)&lt;br /&gt;-A estas alturas, Palmas inteira já está sabendo...&lt;br /&gt;-(...)&lt;br /&gt;-Ah, é! O Leandro me conversou...&lt;br /&gt;A outra cliente deu um salto de seu lugar, tamanho foi o susto que levou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Uma escola de italiano promovia palestras sobre a cultura daquele país. A palestrante daquela noite, uma italiana de Bolonha, falava sobre os aspectos importantes de sua cidade e região, quando um homem-não-identificado invade a sala de aula.&lt;br /&gt;-Good night, good night, good night!- disse o homem-não-identificado a cada um dos brasileiros ali presentes, que acompanhavam a palestra em italiano.&lt;br /&gt;O homem-não-identificado sentou-se. A ministrante da noite continuou a falar em italiano sobre o seu assunto.&lt;br /&gt;-Aqui é uma escola de italiano?!- berrou de repente o homem-não-identificado.&lt;br /&gt;A responsável pela escola respondeu educadamente que sim.&lt;br /&gt;-Pergunta pra ela sobre o Da Vinci- tornou a berrar o homem-não-identificado.&lt;br /&gt;A diretora da escola traduziu em italiano a dúvida daquele senhor, ainda que a pergunta estivesse totalmente fora do contexto.&lt;br /&gt;Dois minutos mais tarde e o homem-não-identificado volta a fazer-se notar:&lt;br /&gt;-Sabe o que que é? Eu morei muitos anos nos Estados Unidos e acabei de voltar de lá. Queria aprender italiano. Qual é o método de vocês? Porque eu aprendi inglês através de uma bíblia em espanhol.&lt;br /&gt;A responsável pela escola tentou explicar ao homem-não-identificado que aquele não era o momento mais adequado para se falar sobre isto, já que a moça ali na frente, estava tentando passar algum conhecimento da língua e da cultura italiana aos presentes, quando ele chegou.&lt;br /&gt;-Ahhhh...- murmurou o homem-não-identificado. Então, ele levantou o seu pesado corpo da carteira e foi-se embora da mesma maneira como chegou:&lt;br /&gt;-Good night, good night, good night!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-1939446493188578207?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/1939446493188578207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/1939446493188578207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2011/10/anedotas-da-vida-real-e-meu-estomago-no.html' title='Anedotas da vida real (e meu estômago no meio delas)'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Zmx14vpR-WI/TqSbtsXi4LI/AAAAAAAAASQ/30B6e7lT_54/s72-c/macarr%25C3%25A3o.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-5749849105157978151</id><published>2011-10-21T17:03:00.000-07:00</published><updated>2011-10-22T06:11:10.643-07:00</updated><title type='text'>Chove no meu cartão-postal</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/--_n_5n7-OHg/TqIZRNNFUgI/AAAAAAAAASE/7dlPTd4scBc/s1600/cart%25C3%25A3o-postal%2Blondres.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 138px;" src="http://2.bp.blogspot.com/--_n_5n7-OHg/TqIZRNNFUgI/AAAAAAAAASE/7dlPTd4scBc/s200/cart%25C3%25A3o-postal%2Blondres.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666119064578511362" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Chove no meu cartão-postal e as ruas estão cheias de lama. São poças e poças de uma água que caiu do céu e meus pés estão sempre molhados- pés como tantos outros que caminham pelas avenidas, alamedas e sarjetas desta cidade. &lt;br /&gt;Chove no meu cartão-postal e o céu é sempre cinza de dia e vermelho à noite, com suas nuvens carregadas de lágrimas e consolo. Sim, consolo-me quando chove, pois é quando lavo meus pensamentos junto com a água que escorre na vidraça.&lt;br /&gt;Chove no meu cartão-postal e a cidade é um grande amontoado de guarda-chuvas coloridos, que juntos, formam um belo arco-íris no zoom de minhas pupilas. Ah, estes olhos que enxergam cores, que enxergam vida e que veem vida nas estações do ano: punhados e punhados de pessoas que vão e vem, tais como o inverno e o verão.&lt;br /&gt;Chove no meu cartão-postal e eu só tenho gotas em meus dedos- gotas estas, que aguçam o meu tato, dando-lhe um pouco de frio ou de calor. Sinto um arrepio quente a percorrer meus braços: são as gotas de chuvas que viraram córregos de sensações em meus membros.&lt;br /&gt;Chove no meu cartão-postal e eu escuto o seu ruído: chuá, chuá. Um barulho leve e confortante que produz notas musicais em meus ouvidos (talvez, a chuva não esteja cantando, mas contando-me a seu modo qualquer coisa que viu lá do alto, quando ainda pertencia às nuvens... mas eu, pobre ignorante que sou, não falo a língua das chuvas e tudo para mim resume-se a melodias...).&lt;br /&gt;Chove no meu cartão-postal e as flores sacodem-se de alegria, dando olés no vento que as envolvem. Meu jardim sorri e é tudo o que me importa.&lt;br /&gt;Chove no meu cartão-postal e a chuva manchou a minha escrita de tinta azul. Minhas palavras estão borradas e suas letras descem em longos fios, desfazendo as frases, mas formando pequenas poças sem sentido... A chuva quando desce, não precisa ter sentido: basta somente ser chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Imagem: postcard from London by Phillip D.H. Short&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-5749849105157978151?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/5749849105157978151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/5749849105157978151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2011/10/chove-no-meu-cartao-postal.html' title='Chove no meu cartão-postal'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/--_n_5n7-OHg/TqIZRNNFUgI/AAAAAAAAASE/7dlPTd4scBc/s72-c/cart%25C3%25A3o-postal%2Blondres.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-880406457169329413</id><published>2011-10-13T10:54:00.000-07:00</published><updated>2011-10-13T11:24:17.805-07:00</updated><title type='text'>Construção</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-eri_HVBb0Zo/TpcpxmASBUI/AAAAAAAAAR4/vu2bn0oF3RE/s1600/chagall.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 136px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-eri_HVBb0Zo/TpcpxmASBUI/AAAAAAAAAR4/vu2bn0oF3RE/s200/chagall.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5663040988433745218" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;Família&lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sou eu?&lt;br /&gt;De onde vim?&lt;br /&gt;Quem foram meus ancestrais?&lt;br /&gt;Carrego dentro de mim&lt;br /&gt;A herança dos meus pais&lt;br /&gt;Que por sua vez receberam&lt;br /&gt;Os genes de meus avós.&lt;br /&gt;Eram a minha família.&lt;br /&gt;Gerações me antecederam&lt;br /&gt;Longe, &lt;br /&gt;Longe&lt;br /&gt;Bem longe,  &lt;br /&gt;Sumiram&lt;br /&gt;Nas eras imemoriais.&lt;br /&gt;Meus filhos, netos, bisnetos&lt;br /&gt;Também se questionarão&lt;br /&gt; Quem sou eu?&lt;br /&gt; De onde eu vim?&lt;br /&gt;Procurarão no olhar,&lt;br /&gt;No jeito de ser,&lt;br /&gt;No falar,&lt;br /&gt; Traços dos antepassados&lt;br /&gt;Ou qualquer coisa de mim.&lt;br /&gt; A hereditariedade,&lt;br /&gt; As descendências,&lt;br /&gt;Irão se expandindo,&lt;br /&gt; Séculos,&lt;br /&gt;  Séculos,&lt;br /&gt;   Séculos,&lt;br /&gt;    Mais séculos virão,&lt;br /&gt;E os que me sucederem&lt;br /&gt;No infinito dos tempos&lt;br /&gt;Continuarão conduzindo&lt;br /&gt;Os genes que eram meus.&lt;br /&gt; Serão a mesma família&lt;br /&gt;Abençoada por Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Construção&lt;/strong&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A construção&lt;br /&gt;Da casa vizinha&lt;br /&gt;Está demorando&lt;br /&gt;Para ser concluída.&lt;br /&gt;  Estou passando um sufoco,&lt;br /&gt;  Aguentando a britadeira&lt;br /&gt;  Com seu barulho infernal,&lt;br /&gt;  Caminhão a toda hora&lt;br /&gt;  Trazendo material,&lt;br /&gt;  Coitados dos meus ouvidos&lt;br /&gt;  Começaram a escutar mal.&lt;br /&gt;Procurei um otorrino&lt;br /&gt;Que após fazer um exame,&lt;br /&gt;Falou que eu não tinha nada&lt;br /&gt;Voltaria a escutar bem&lt;br /&gt;Depois da obra acabada.&lt;br /&gt;  Tenho asma e a poeira&lt;br /&gt;  Deixou-me asfixiada,&lt;br /&gt;  Mal podia respirar.&lt;br /&gt;  (Até parece piada!)&lt;br /&gt;  Fui ao pneumologista&lt;br /&gt;  Que falou com voz pausada;&lt;br /&gt;  “- A asma só vai embora&lt;br /&gt;  Depois da obra acabada”&lt;br /&gt;Fui ao neurologista&lt;br /&gt;Com a cabeça atormentada,&lt;br /&gt;Mandou-me ao psiquiatra&lt;br /&gt;Pois eu estava pirada,&lt;br /&gt;Esse, nem me ouviu!&lt;br /&gt;Disse que eu voltasse lá&lt;br /&gt;Depois da obra acabada.&lt;br /&gt;  Derrubaram meus ciprestes&lt;br /&gt;  E a dona da construção&lt;br /&gt;  Ordenou erguer um muro&lt;br /&gt;  Nem me deu satisfação&lt;br /&gt;  Chorei muito e adquiri&lt;br /&gt;  Uma bruta taquicardia.&lt;br /&gt;  Com a alma amargurada&lt;br /&gt;  Busquei um cardiologista&lt;br /&gt;  Para ver o que havia.&lt;br /&gt;  Disse que eu estava estressada&lt;br /&gt;  E só sentiria alivio&lt;br /&gt;  Depois da obra acabada.&lt;br /&gt;Pedreiros da construção&lt;br /&gt;Tiraram a privacidade&lt;br /&gt;Da nossa casa, por isso&lt;br /&gt;Ela está sempre fechada.&lt;br /&gt;A conta da luz cresceu&lt;br /&gt;Foi uma baita aumentada&lt;br /&gt;E só vai diminuir&lt;br /&gt;Depois da obra acabada.&lt;br /&gt;  Conversei com a vizinha,&lt;br /&gt;  A dona da construção,&lt;br /&gt;  Mostrei meu prejuízo&lt;br /&gt;  Pedi indenização&lt;br /&gt;  Respondeu que não pagava&lt;br /&gt;  Não tinha dinheiro, não!&lt;br /&gt;  Retruquei, vá ao cartório&lt;br /&gt;  Passe a casa no meu nome&lt;br /&gt;  Está resolvida a questão.&lt;br /&gt;Como tenho paciência&lt;br /&gt;E sou muito sossegada&lt;br /&gt;Sei que o pagamento vem&lt;br /&gt;Depois da obra acabada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;Vida&lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Os prótons, os elétrons,&lt;br /&gt;O átomo,&lt;br /&gt;A bactéria,&lt;br /&gt;Micro organismo&lt;br /&gt;Unicelular.&lt;br /&gt;O ar, a poeira,&lt;br /&gt;A terra, a areia,&lt;br /&gt;Planetas, cometas,&lt;br /&gt;Estrelas brilhantes,&lt;br /&gt;O cintilar da faísca,&lt;br /&gt;O fogo flamejante,&lt;br /&gt;Que arde e abrasa,&lt;br /&gt;A luz.&lt;br /&gt;O orvalho trêmulo,&lt;br /&gt;Delicado.&lt;br /&gt;O mar imenso, belo, &lt;br /&gt;Magnificente,&lt;br /&gt;A água.&lt;br /&gt;A grama humilde,&lt;br /&gt;Rasteira,&lt;br /&gt;A árvore soberba,&lt;br /&gt;Altaneira.&lt;br /&gt;Flores e frutos,&lt;br /&gt;Pássaros e peixes,&lt;br /&gt;Insetos e animais.&lt;br /&gt;O homem&lt;br /&gt;Senhor poderoso&lt;br /&gt;Entre os irracionais.&lt;br /&gt;Teu nome é vida,&lt;br /&gt;És mistério,&lt;br /&gt;Enigma, sim,&lt;br /&gt;Pois vieste do verbo&lt;br /&gt;Que não teve princípio&lt;br /&gt;E nem há de ter fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*Poemas de Carminha Medeiros, minha avó &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;em&gt;&lt;em&gt;imagem: Marc Chagall, "Red Bouquet"&lt;/em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/em&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-880406457169329413?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/880406457169329413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/880406457169329413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2011/10/construcao.html' title='Construção'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-eri_HVBb0Zo/TpcpxmASBUI/AAAAAAAAAR4/vu2bn0oF3RE/s72-c/chagall.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-286391630133524560</id><published>2011-10-04T07:43:00.000-07:00</published><updated>2011-10-04T08:20:11.830-07:00</updated><title type='text'>Quando uma estrela cai...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-e-hGqhgytd8/ToskJFYJO1I/AAAAAAAAARw/ixYq_7EpTJc/s1600/estrela-cadente-ab5f6.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-e-hGqhgytd8/ToskJFYJO1I/AAAAAAAAARw/ixYq_7EpTJc/s200/estrela-cadente-ab5f6.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5659657095202028370" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Uma estrela caiu do céu&lt;br /&gt;ao escorregar das mãos do anjo&lt;br /&gt;que todos os dias dava-lhe brilho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tamanha foi sua carreira&lt;br /&gt;que arranhou um pedaço do céu.&lt;br /&gt;Os meninos lá na Terra,&lt;br /&gt;que conferiam o trabalho do anjo,&lt;br /&gt;olharam por todas as bandas,&lt;br /&gt;mas não acharam sequer um rabo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Onde ela caiu? Onde se escondeu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O anjo, já conformado&lt;br /&gt;com a ida da estrela fujona,&lt;br /&gt;respondeu-lhes: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Quando uma estrela cai,&lt;br /&gt;é porque decidiu receber&lt;br /&gt;novo brilho de outras mãos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-286391630133524560?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/286391630133524560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/286391630133524560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2011/10/quando-uma-estrela-cai.html' title='Quando uma estrela cai...'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-e-hGqhgytd8/ToskJFYJO1I/AAAAAAAAARw/ixYq_7EpTJc/s72-c/estrela-cadente-ab5f6.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-4759435048537061152</id><published>2011-09-19T10:40:00.000-07:00</published><updated>2011-09-19T11:47:23.629-07:00</updated><title type='text'>Como se tornar um brontossauro</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-93mLz3AfPAU/TneNwwNr1QI/AAAAAAAAARg/uxHpQVzNu1U/s1600/bronto.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-93mLz3AfPAU/TneNwwNr1QI/AAAAAAAAARg/uxHpQVzNu1U/s200/bronto.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5654143725902484738" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Três camaradas estavam em um rodízio vegetariano. Conversavam alegremente enquanto comiam beterraba com salsinha, tomate com cebola e coentro, rúcula e coxinha de jaca.&lt;br /&gt;-Coxinha de jaca?!&lt;br /&gt;-Sim, coxinha de jaca. Uma adaptação da receita, que substitui o frango pela jaca, explicou um dos garçons.&lt;br /&gt;-Ah, sim! Sendo assim... E continuaram a saborear os pratos e a deliciar as coxinhas de jaca.&lt;br /&gt;-Mais pepino, senhores?, perguntou subitamente o garçom.&lt;br /&gt;-Sim, claro!, responderam dois dos três amigos, ao que o terceiro disse:&lt;br /&gt;-Para mim, não muito. Você sabe, preciso deixar espaço para a lasanha de berinjela!!!, e deu um pequeno tapa no ombro do garçom, que saiu sorrindo.&lt;br /&gt;A lasanha de berinjela não demorou muito a chegar (e estava uma delícia, segundo os três amigos). Aliás, berinjela era um dos destaques do rodízio: vinha na forma de lasanha, de fritura, grelhada com queijo, ou cortada em cubos com azeite.&lt;br /&gt;-A berinjela pode até fazer sucesso, mas nada se compara a este suflê de espinafre, disse um dos rapazes.&lt;br /&gt;-Você come suflê de espinafre a semana toda, Marcelo, e ainda pensa em comer aqui?, indignou-se um deles.&lt;br /&gt;-Pois fique sabendo que o meu suflê de espinafre faz o maior sucesso com as garotas, ao contrário do seu bolinho de arroz, respondeu Marcelo dando risada.&lt;br /&gt;-É verdade, Ricardo. A Sara e a Renata quase morreram comendo os seus bolinhos, acrescentou Flávio, o outro amigo, entre gargalhadas.&lt;br /&gt;Ricardo ficou quieto, um tanto quanto sem graça, porque era verdade que era um péssimo cozinheiro de bolinhos de arroz. Para fingir que não estava nem aí para os comentários dos amigos, resolveu mudar de assunto:&lt;br /&gt;-Cadê a salada de alface que nunca vem?&lt;br /&gt;-Isto eu não sei. Mas olha só o que está chegando!, apontou Flávio.&lt;br /&gt;-Os senhores aceitam batata recheada com quatro queijos?, ofereceu o garçom.&lt;br /&gt;Os amigos ainda se empanturraram com a couve refogada, com quibebe de abóbora, mandioca frita, creme de cenoura e com trouxinhas de palmito.&lt;br /&gt;Meia hora depois, estavam tomando um cafezinho na entrada do restaurante. Pagaram a conta e saíram. Saciados como estavam, lembravam brontossauros após a refeição.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-4759435048537061152?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/4759435048537061152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/4759435048537061152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2011/09/como-se-tornar-um-brontossauro.html' title='Como se tornar um brontossauro'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-93mLz3AfPAU/TneNwwNr1QI/AAAAAAAAARg/uxHpQVzNu1U/s72-c/bronto.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-2826562082874161062</id><published>2011-09-06T11:38:00.001-07:00</published><updated>2011-09-06T12:31:41.744-07:00</updated><title type='text'>O sotaque brasileiro de Ammaniti</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vXH7diNadh8/TmZozFA6b0I/AAAAAAAAARY/94c8afxAmPQ/s1600/ti%2Bprendo.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-vXH7diNadh8/TmZozFA6b0I/AAAAAAAAARY/94c8afxAmPQ/s200/ti%2Bprendo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5649318009311489858" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Te pego e te levo embora” foi o que li na capa de um dos livros de Ammaniti. E assim o fiz. Peguei o livro, paguei 10,50 euros e o trouxe para o Brasil. A longa distância que separa a Itália do Brasil não se resume apenas à geografia, mas de certa forma, atinge também, o mercado editorial. “Ti Prendo e Ti Porto Via” (Mondadori, 2011, 452 páginas), lançado a primeira vez em 1999, é um dos principais livros de Niccolò Ammaniti, um nome de grande força na literatura italiana atual. Entretanto, não tem tradução no Brasil. Dizem, que o cantor de pop-rock Vasco Rossi escreveu a canção “Ti Prendo e Ti Porto Via” inspirado no livro, que continua sem tradução no Brasil. Mas justiça seja feita: em terras brasileiras, Ammaniti possui ao menos dois livros traduzidos: “Não Tenho Medo” (Companhia das Letras, 2003, 216 páginas) e “Como Deus Manda” (Bertrand Brasil, 2009, 436 páginas), dois títulos de destaque em sua obra, que além de romances, também possui contos e outros formatos.&lt;br /&gt;Apesar da disparidade que existe entre ser muito traduzido no exterior (em cerca de 45 países) e pouco conhecido no Brasil, Ammaniti tem um quê de brasilidade... Uma coisa tropical que agita os  ventos de inverno, um tempero nas palavras que sacode a imaginação, uma coisa cômica e triste, agitada e calma, irreverente, inteligente, emocionante, sarcástica e sentimental, tal como as linhas do mineiro Fernando Sabino ou do gaúcho Érico Veríssimo. Poderia citar  uma boa dúzia de autores brasileiros que trazem como características da literatura brasileira o reforço de suas terras, a regionalização, a vida... E como há vida em “Ti Prendo e Ti Porto Via”! Nada daquela coisa francesa e fria do meramente descrever, em que se sente um abismo entre a personagem e o seu autor. O italiano Ammaniti dá vida às suas criaturas, transformando-as em seres que pensam e agem por si sós. O centro da trama é a pequena cidade de Ischiano Scalo, que apesar de não existir em um mapa real, pode ser visualizada rua a rua pelos leitores; pode-se até mesmo sentir asco do “esconderijo” do menino Pietro, uma lagoa cheia de salamandras, serpentes e insetos.&lt;br /&gt;É a visualização de um “paesino” italiano, que realça muito da cultura daquele país, inclusive as mais clichês, como o gosto pelas massas. É a pintura de suas paisagens, de um país ocidental em fins do século XX; é a maneira italiana de festejar, de agir e de falar: tal qual a Belo Horizonte de Sabino, com a sua “mineirice”. E tudo isto escrito com tamanha naturalidade, que atinge a perfeição do contexto, sem torná-lo meramente vulgar ou frio, mas deixando-o na medida certa (assim como fez o nosso mineiro tantas vezes).&lt;br /&gt;Desde que Dom Casmurro foi lançado, há mais de cem anos, o já lendário Machado de Assis vem causando nós na cabeça de muita gente. Afinal, Capitu traiu ou não traiu Bentinho? “Ma, dái!”, diriam os italianos. Faça-se um perfil psicológico da personagem! Somente Ammaniti poderia responder, em uma entrevista, se leu este clássico machadiano (antes de tudo, brasileiro), mas o fato é que em “Ti Prendo e Ti Porto Via” as personagens também têm um aspecto psicológico muito forte. Para contar os impasses de Pietro, Graziano e Flora, Ammaniti cria um punhado de bons personagens, cujas características de personalidade são muito bem definidas, mas que em contato ao meio social, dão novos ares ao psicológico de  seus portadores, como acontece na vida fora dos livros. Os humanos deste livro, bem como tantas pessoas fictícias ou reais, são impulsionados pelo meio e, muitas vezes, deixam traços pelo caminho. Marcas como as deixadas no final trágico por Pietro e Graziano: nos outros e em si mesmos.&lt;br /&gt;A literatura de Ammaniti se aproxima ainda mais do Brasil quando ele se lembra da existência deste país sul-americano. Alguns breves exemplos: um cachorro fila-brasileiro, uma das andanças do músico Graziano em plena favela carioca (com muitos perigos, claro!) e o que poderia ser a melhor “brasilidade” de Ammaniti (ou melhor, de Graziano): enquanto faz amor com Flora, Graziano canta em seus ouvidos: “O minha macona, o minha torcida, o minha flamenga, o minha capoeira, o minha maloka, o minha belezza, o minha vagabunda, (...) minha galera, o minha capoeira, o minha cashueira, o minha menina”. É certo que a música “Minha Galera”, apesar de ser em português brasileiro é cantada pelo francês Manu Chao... Mas ao assistir a cena, percebo que Graziano-Ammaniti canta esta música da mesma forma que se fazem, por aqui, telenovelas “italianas”: com um sotaque um tanto quanto engraçado e irreal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-2826562082874161062?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/2826562082874161062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/2826562082874161062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2011/09/o-sotaque-brasileiro-de-ammaniti.html' title='O sotaque brasileiro de Ammaniti'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-vXH7diNadh8/TmZozFA6b0I/AAAAAAAAARY/94c8afxAmPQ/s72-c/ti%2Bprendo.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-115708571788056132</id><published>2011-08-09T11:47:00.001-07:00</published><updated>2011-08-22T05:39:15.121-07:00</updated><title type='text'>Crônica de um lugar distante</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-r8ph6qWvsls/TkGPqHeLxwI/AAAAAAAAARQ/FMi-QVzqcps/s1600/bru1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 112px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-r8ph6qWvsls/TkGPqHeLxwI/AAAAAAAAARQ/FMi-QVzqcps/s200/bru1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5638946162167498498" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Certa volta, pegou o avião e foi parar em Londres. Mas Londres não era o seu destino e por isto, pegou outro avião e mais um carro para chegar a um lugar entre flores, nos arredores do Mar Adriático. Uma cidadezinha pequena, com imóveis antigos e ruas de pedras e que abriga em uma praça a torre de um castelo. Um certo Raimundo tem o seu nome envolvido na história da cidade e da torre, mas isto foi há tanto tempo, que hoje se pode contar até 700 anos!&lt;br /&gt;O mês era somente julho, em seu quarto dia. Tal como o sol de verão que brilhava no céu e queimava a sua pele branca, julho também prometia um certo brilho especial: afinal, era a sua primeira vez em uma experiência daquelas. Olhava para todos os lados e via punhados de colinas que não se cansavam de subir e de descer. Muitas carregavam nas costas campos de girassóis que reluziam no horizonte. Por baixo da ponte que separava a sua residência provisória do resto da cidade, passavam os trilhos do trem: linhas e linhas de conexões com outros destinos.&lt;br /&gt;Com o passar dos dias, descobriu ruas com  tapetes em folhas, jovens praticando esportes, sorvetes de sabor especial, noites de música, termômetro que marca vinte e oito graus às onze da noite, idosos que observam, vaga-lumes que iluminam seratas, massas suculentas e um riacho que corta um endereço. De repente, silêncio. Quando a noite já era velha, só restavam os bares para se divertir. Só mesmo no "alemão" ou no "londrino", com suas decorações de "pub" para se encontrar com os novos amigos.&lt;br /&gt;Mas se o dia amanhecia, ah, deixava a preguiça de lado! Lições de uma língua na qual tem um certo conhecimento, aliadas a conversas, caminhadas, cantorias e cochichos. Escadas que a empurravam para cima e para baixo, jardins de estudos e animais de estimação. &lt;br /&gt;Pensava no tempo que corria e nas cinco horas à frente em que vivia; pensava nos minutos que passavam e nos segundos que viriam; colhia horas de expectativas e guardava nos bolsos da memória cada flash de instante. Era feliz. Uma felicidade provisória, era certo, mas qual felicidade é eterna? Qual felicidade é perfeita?&lt;br /&gt;Nas fotografias e vídeos, o momento se eternizou. Nos papéis, a marca de um punho em vida. Ponto.&lt;br /&gt;Pronto. Chegou a hora de partir. A manhã era calma e lembrava recordações. Por trás dos vidros do carro, viu dois amigos, um senhor e um cachorro se afastarem até ficarem tão pequenos que sumiram. Viu a ponte e as ruas e as árvores e o bar... Viu os girassóis que continuavam sob o sol, mas sobre as montanhas. E acima de tudo isto e debaixo de um novo sentimento, pegou a estrada e se foi.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-115708571788056132?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/115708571788056132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/115708571788056132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2011/08/cronica-de-um-lugar-distante.html' title='Crônica de um lugar distante'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-r8ph6qWvsls/TkGPqHeLxwI/AAAAAAAAARQ/FMi-QVzqcps/s72-c/bru1.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-4702147729693458492</id><published>2011-08-08T15:36:00.000-07:00</published><updated>2011-08-08T16:04:15.432-07:00</updated><title type='text'>Valores*</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-e9rT3SPwIwM/TkBrRyQDiUI/AAAAAAAAARI/XuxT5Fp6m0s/s1600/DSC05419.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 112px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-e9rT3SPwIwM/TkBrRyQDiUI/AAAAAAAAARI/XuxT5Fp6m0s/s200/DSC05419.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5638624686758922562" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valorizo a amizade inesperada e se espero alguma coisa, não é mais do que uma noite de estrelas.&lt;br /&gt;Valorizo as fotos das crianças que têm imortalizadas a inocência em seus retratos.&lt;br /&gt;Valorizo as palavras que dizem sem nada dizer, os cheiros que aguçam os sentidos, os toques que arrepiam a pele e os olhares que se encontram.&lt;br /&gt;Valorizo o pôr-do-sol e os livros e todas as minhas e as suas recordações.&lt;br /&gt;Valorizo as cartas de papeis amarelos cujas linhas pararam no tempo. &lt;br /&gt;Valorizo as pegadas na areia, as risadas contidas, as balas de menta, a abelha que me persegue quando tenho um sorvete.&lt;br /&gt;Valorizo a terra molhada e os girassóis. &lt;br /&gt;Valorizo um relógio parado, um bilhete amassado, a comida fria e o adeus.&lt;br /&gt;Valorizo o amor e os dias de chuva que trazem chuva ao coração.&lt;br /&gt;Valorizo os cães da minha infância, a joaninha que faz detalhe na folha, a bicicleta da menina, assim como valorizo tudo o que conquistei.&lt;br /&gt;Valorizo aquilo que não sei se terei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;*paródia do seguinte texto:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Valore&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Considero valore ogni forma di vita, la neve, la fragola, la mosca. &lt;br /&gt;Considero valore il regno minerale, l'assemblea delle stelle. &lt;br /&gt;Considero valore il vino finché dura il pasto, &lt;br /&gt;un sorriso involontario, &lt;br /&gt;la stanchezza di chi non si è risparmiato,&lt;br /&gt;due vecchi che si amano. &lt;br /&gt;Considero valore quello che domani non varrà più niente e quello che oggi vale &lt;br /&gt;ancora poco. &lt;br /&gt;Considero valore tutte le ferite. &lt;br /&gt;Considero valore risparmiare acqua, &lt;br /&gt;riparare un paio di scarpe, &lt;br /&gt;tacere in tempo, accorrere a un grido, &lt;br /&gt;chiedere permesso prima di sedersi, &lt;br /&gt;provare gratitudine senza ricordarsi di che. &lt;br /&gt;Considero valore sapere in una stanza dov'è il nord,&lt;br /&gt;qual'è il nome del vento che sta asciugando il bucato.&lt;br /&gt;Considero valore il viaggio del vagabondo, &lt;br /&gt;la clausura della monaca, &lt;br /&gt;la pazienza del condannato, qualunque colpa sia. &lt;br /&gt;Considero valore l'uso del verbo amare e l'ipotesi che esista un creatore. &lt;br /&gt;Molti di questi valori non ho conosciuto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erri De Luca (da “Opera sull'acqua e altre poesie”, Einaudi, To, 2002)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-4702147729693458492?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/4702147729693458492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/4702147729693458492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2011/08/valores.html' title='Valores*'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-e9rT3SPwIwM/TkBrRyQDiUI/AAAAAAAAARI/XuxT5Fp6m0s/s72-c/DSC05419.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-2234825218128751282</id><published>2011-06-25T13:48:00.000-07:00</published><updated>2011-06-25T17:12:02.331-07:00</updated><title type='text'>O dia em que escrevi sobre mim</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-VYA5umGmy8E/TgZ1CgiJ7OI/AAAAAAAAARA/GTxRy_4f5Y8/s1600/ensor_titel.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-VYA5umGmy8E/TgZ1CgiJ7OI/AAAAAAAAARA/GTxRy_4f5Y8/s200/ensor_titel.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5622309870772022498" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ponho no papel tudo o que sinto. Escrevo sobre intuições, sobre promessas não cumpridas, escrevo raiva, amor, saudade, esperança. Ah, sentimentos que me consomem por dentro, que sugam as minhas forças sem ao menos me deixar segurar com força, a caneta.&lt;br /&gt;As linhas são como caminhos que percorro com pressa, com pressa de chegar ao desconhecido. Anoto, ando, corro, voo! Os segundos têm pouca importância para mim, eu que já tanto lutei e que continuo a sobreviver neste mundo confuso. Letras viram palavras que viram frases que viram pensamentos. Ações que se tornam e que se veem em alguns rabiscos...Há! Há! Há! Rio de meus devaneios, que agora com formas, olham para mim com faces mascaradas e cruéis. Eles também riem de mim, um riso muito mais alto e agudo, que cutuca meus ouvidos.&lt;br /&gt;Agora meus devaneios dançam ao meu redor e cantam canções que já me embalaram um dia. Mas desta vez, o embalo é assustador em seu ritmo frenético por meio das vozes pesadas. Ah, tudo gira em volta de mim: os devaneios, as linhas-caminhos, a tinta da caneta que continua a demarcar o percurso, eu mesma... Giro em torno do meu corpo, giro em torno da minha mente, giro em meus próprios caminhos. Estarei andando em círculos?&lt;br /&gt;As linhas estão tortas e os caminhos descem e sobem, em infindáveis montanhas. O suor desliza pelo o meu corpo e me agarro em uma pedra-vírgula pelo caminho. Paro. Respiro. Ouço as vozes dos devaneios tentando me indicar por onde seguir. Não posso dar ouvidos a eles, mas está difícil ouvir a mim mesma, eles que tanto gritam e uivam em minha mente. Está difícil a continuar a me prender por muito tempo na pedra-vírgula. Caio. Despenco de minhas próprias palavras em um risco torto. Sinto medo. Sinto o vento dos sentimentos a bater nas minhas costas. A caneta está grossa em minhas mãos e não tenho mais controle sobre ela. Tremo. Paro. Não sei mais aonde estou. Os devaneios surgem lentamente e voltam a me olhar com suas máscaras negras. Não consigo me movimentar e apenas olho a longa distância da qual caí. O tempo passa e os devaneios estão sentados em pedras a me velar. Movimento-me e eles levantam, sem nada dizer. Percebo que estou na penúltima linha da minha folha. Restam-me apenas dois caminhos: permanecer onde estou ou ir para a próxima linha, sem saber o que ambas me revelam. O que fazer? Talvez, com um ponto final, posso ao menos, libertar os devaneios do meu corpo-fantasma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-2234825218128751282?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/2234825218128751282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/2234825218128751282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2011/06/o-dia-em-que-escrevi-sobre-mim.html' title='O dia em que escrevi sobre mim'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-VYA5umGmy8E/TgZ1CgiJ7OI/AAAAAAAAARA/GTxRy_4f5Y8/s72-c/ensor_titel.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-6073701260316285080</id><published>2011-06-09T16:35:00.000-07:00</published><updated>2011-06-09T17:41:23.751-07:00</updated><title type='text'>Poemas de Alda Merini</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-5leFYAa1-M4/TfFcwwVC9EI/AAAAAAAAAQ4/qbcvLtiqrJU/s1600/nevio%2Bmonti.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-5leFYAa1-M4/TfFcwwVC9EI/AAAAAAAAAQ4/qbcvLtiqrJU/s200/nevio%2Bmonti.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5616372202984371266" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Não Precisei de Dinheiro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não precisei de dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisei de sentimentos,&lt;br /&gt;de palavras, de palavras escolhidas sabiamente,&lt;br /&gt;de flores como pensamentos&lt;br /&gt;de rosas como presentes&lt;br /&gt;de sonhos que habitassem em  árvores&lt;br /&gt;de canções que fizessem dançar estátuas,&lt;br /&gt;de estrelas que murmurassem ao pé do ouvido dos amantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisei de poesia,&lt;br /&gt;desta magia que incendeia o peso das palavras,&lt;br /&gt;que desperta as emoções e dá cores novas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;blockquote&gt;Io Non Ho Bisogno di Denaro&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;blockquote&gt;Io non ho bisogno di denaro.&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;Ho bisogno di sentimenti, &lt;br /&gt;di parole, di parole scelte sapientemente, &lt;br /&gt;di fiori detti pensieri, &lt;br /&gt;di rose dette presenze, &lt;br /&gt;di sogni che abitino gli alberi, &lt;br /&gt;di canzoni che facciano danzare le statue, &lt;br /&gt;di stelle che mormorino all' orecchio degli amanti. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ho bisogno di poesia, &lt;br /&gt;questa magia che brucia la pesantezza delle parole, &lt;br /&gt;che risveglia le emozioni e dà colori nuovi.&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Os Poetas Trabalham à Noite&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os poetas trabalham à noite&lt;br /&gt;quando o tempo não urge sobre eles,&lt;br /&gt;quando cala o rumor da multidão&lt;br /&gt;e termina  o linchamento das horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os poetas trabalham no escuro&lt;br /&gt;Como falcões noturnos ou rouxinóis&lt;br /&gt;de dulcíssimo canto&lt;br /&gt;e temem por  ofender Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os poetas, em seus silêncios&lt;br /&gt;fazem bem mais rumor&lt;br /&gt;Que uma dourada cúpula de estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;blockquote&gt;I Poeti Lavorano di Notte&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;blockquote&gt;I poeti lavorano di notte &lt;br /&gt;quando il tempo non urge su di loro, &lt;br /&gt;quando tace il rumore della folla &lt;br /&gt;e termina il linciaggio delle ore. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I poeti lavorano nel buio &lt;br /&gt;come falchi notturni od usignoli &lt;br /&gt;dal dolcissimo canto &lt;br /&gt;e temono di offendere Iddio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ma i poeti, nel loro silenzio &lt;br /&gt;fanno ben più rumore &lt;br /&gt;di una dorata cupola di stelle.&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A Carne dos Anjos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ponto é o embrião&lt;br /&gt;um século de vida&lt;br /&gt;que escuta o universo&lt;br /&gt;a memória do mundo&lt;br /&gt;fim da criação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem que nascerá&lt;br /&gt;é um eco do Senhor&lt;br /&gt;e sente palpitar em si&lt;br /&gt;todas as estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;blockquote&gt;La Carne Degli Angeli&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;blockquote&gt;Un punto è l'embrione&lt;br /&gt;un secolo di vita&lt;br /&gt;che ascolta l'universo&lt;br /&gt;la memoria del mondo&lt;br /&gt;fin dalla creazione.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;L'uomo che nascerà&lt;br /&gt;è un'eco del Signore&lt;br /&gt;e sente palpitare in sé&lt;br /&gt;tutte le stelle.&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Amor, Voe até Mim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor, voe até  mim&lt;br /&gt;em um avião de papel&lt;br /&gt;da minha imaginação&lt;br /&gt;com o engenho do seu sentimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verá florescer  terras repletas de magia&lt;br /&gt;e eu serei a copa da árvore mais alta&lt;br /&gt;para te dar frescor e abrigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz destas asas&lt;br /&gt;duas asas de anjos&lt;br /&gt;e traga também a mim um pouco de paz&lt;br /&gt;e um brinquedo dos sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas antes de me dizer qualquer coisa&lt;br /&gt;veja o espírito em flor&lt;br /&gt;do meu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;blockquote&gt;Amore, Vola da Me&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;blockquote&gt;Amore, vola da me&lt;br /&gt;con l'aeroplano di carta&lt;br /&gt;della mia fantasia,&lt;br /&gt;con l'ingegno del tuo sentimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vedrai fiorire terre piene di magia&lt;br /&gt;e io sarò la chioma d'albero più alta&lt;br /&gt;per darti frescura e riparo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fa' delle due braccia&lt;br /&gt;due ali d'angelo&lt;br /&gt;e porta anche a me un po' di pace&lt;br /&gt;e il giocattolo del sogno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ma prima di dirmi qualcosa&lt;br /&gt;guarda il genio in fiore&lt;br /&gt;del mio cuore.&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ALDA MERINI&lt;br /&gt;A poeta milanesa Alda Merini (1931-2009) foi um dos principais nomes da poesia contemporânea italiana, com uma série de poemas consagrados. Recebeu alguns prêmios por sua obra, como o Librex Montale,  em 1993, o de maior reconhecimento na Itália aos poetas de sua língua. Alda também escreveu livros em prosa, em que realça a sua própria pessoa.&lt;br /&gt;Alguns destaques da obra de Alda Merini são: “A Presença de Orfeu” (1953), “Tu és Pedro, Ano 1961” (1962), “A Terra Santa” (1984), “Testamento” (1988), “Delírio Amoroso” (1989), “As Palavras de Alda Merini” (1991) e “A Louca ao Lado” (1995).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Traduzido por Bruna Galvão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-6073701260316285080?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/6073701260316285080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/6073701260316285080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2011/06/poemas-de-alda-merini.html' title='Poemas de Alda Merini'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-5leFYAa1-M4/TfFcwwVC9EI/AAAAAAAAAQ4/qbcvLtiqrJU/s72-c/nevio%2Bmonti.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-1772977241613735889</id><published>2011-05-23T16:50:00.000-07:00</published><updated>2011-05-23T17:00:54.472-07:00</updated><title type='text'>Venceslau com V</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-_Fch9sHRxlI/Tdrz6l4Z8jI/AAAAAAAAAQs/oTqbhHTb6W8/s1600/cezanne.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 156px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-_Fch9sHRxlI/Tdrz6l4Z8jI/AAAAAAAAAQs/oTqbhHTb6W8/s200/cezanne.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5610064473770029618" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Meu amigo Venceslau é o que se diz de alguém “politicamente correto”, a começar pelo o seu nome: Venceslau com v, como se escreve no tradicional português (meu amigo nasceu muitos anos antes da recente reforma ortográfica, que aceita “w” e tudo mais).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dono de uma mercearia, ele paga seus impostos e nunca acende uma luz quando se pode aproveitar a luz natural. Também vai ao médico e dentista religiosamente no tempo sugerido pelos especialistas e sempre separa o lixo para a reciclagem (por mais que não haja coleta seletiva por parte da prefeitura de nossa cidade). Venceslau,  quando sai de casa para ir a sua mercearia, faz questão de atravessar na faixa de pedestres: caminha os 23 passos (ele já contou) que separam a sua casa da faixa e retorna nos mesmos 23, já que a mercearia é exatamente em frente a sua residência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, fui testemunha de uma cena que me deixou irrequieto. Venceslau, sempre muito correto com seus clientes, devolveu de troco o um centavo de uma consumidora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O senhor está me achando com cara de pobre, de munheca ou o quê?- disse a mulher, indignada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venceslau não sabia o que fazer:  se pedia desculpas e pegava a moedinha de volta, se explicava que estava apenas retornando o troco ou se saía correndo e chorava. Escolheu a última opção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Correu o quanto pode e quando chegou à faixa de pedestres, por sorte o sinal estava fechado para os carros e ele atravessou a faixa e continuou a correr por mais duas esquinas, até que se sentou no meio fio de uma velha calçada e chorou. Chorou por ser “certinho” demais e ser apelidado de “bocó” pelos amigos do futebol; chorou  por levantar cedo em dias de eleição para ir votar, mesmo não gostando de nenhum candidato, enquanto outros, justificavam o voto meses depois a hora que bem queriam; chorou pelos gatos de rua que alimentava  e que quando estavam de barriga cheia, nem um miado de retribuição lhe davam; chorou por não dizer palavrão, apesar das “más” palavras que lhe engasgavam na garganta; chorou por nunca rir de uma piada de humor negro, mesmo achando graça em algumas; chorou por estar com câncer, apesar de ir ao médico;  chorou por nunca ser reconhecido por nada que fazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Venceslau, não fique assim- eu lhe disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele nada respondeu, somente fungava. Mas eu sabia de seus pensamentos, sabia de sua raiva, sabia do quão revoltado ele estava por se sentir assim: afinal, o que ele fizera de errado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leis dizem o que devemos fazer, humanos criam constantemente outras infindáveis regras sociais que devem ser seguidas. Venceslau segue todas à risca. Muitos, que não necessariamente têm o nome de Venceslau com v, também; já outros, nem tanto. Há ainda os que não seguem quase nunca nada. E daí, eu pergunto: quem ganha nesta história? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com certeza, Venceslau acha que não são os de seu tipo, que sempre são os “chatos” do pedaço. Confesso que me incluo no grupo dos que seguem as regras com certa maleabilidade,  que não são nem corretos, nem incorretos, nem politicamente nada- ou tudo! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou do tipo que se sinta ofendido por receber um centavo de troco, assim como raramente brigo pela devolução da mesma moeda (só quando o caixa é do tipo grosseiro). Assim como Venceslau, tenho direitos e deveres, que sigo de acordo com a “demanda”, mas colocando uma pitada de meu eu- um eu menos preocupado. Pessoas como Venceslau sempre são vistas com maus olhos e muitas vezes, são consideradas malucas. Tenho dó de meu amigo, porém, entendo as suas atitudes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser radical é difícil, ser diferente é cansativo, aceitar tudo é chato (e por vezes, burro).  Como mudar isto? Venceslau continuou a chorar por muito tempo, tal como uma criancinha perdida. Provavelmente é mesmo um perdido neste mundo onde só faz obedecer e tentar ser normal. Seríamos eu e a cliente que não aceitou a moeda, os anormais? Seria, você, que está lendo isto o extravagante? Ou você é um Venceslau com v? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só sei, que quando as lágrimas secaram, Venceslau se lembrou que não era muito adequado continuar sentado em plena calçada (as pessoas poderiam falar). Além do mais, já era tarde e ele precisava colocar o óleo das batatas que fritou dentro de uma garrafa pet, pois a estas alturas, o óleo da frigideira já havia esfriado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-1772977241613735889?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/1772977241613735889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/1772977241613735889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2011/05/venceslau-com-v.html' title='Venceslau com V'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-_Fch9sHRxlI/Tdrz6l4Z8jI/AAAAAAAAAQs/oTqbhHTb6W8/s72-c/cezanne.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-6637682875315913744</id><published>2011-05-20T15:28:00.000-07:00</published><updated>2011-10-15T11:47:33.384-07:00</updated><title type='text'>Imperativo!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-X6nUIKQp-98/Tdb58nikZlI/AAAAAAAAAQk/68Gyf-hsT30/s1600/claude_monet_champ_de_tulipes_1886.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 157px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-X6nUIKQp-98/Tdb58nikZlI/AAAAAAAAAQk/68Gyf-hsT30/s200/claude_monet_champ_de_tulipes_1886.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608945205737973330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Caminhe! Pense! Reflita! Pare! Olhe! Escute! Estude! Vire! Respire! Coma! Sinta! Escreva! Ame! Diga! Vá! Note! Anote! Controle-se! Pule! Deite! Relaxe! Comece! Apague! Digite! Plante! Beba! Fortaleça! Sente-se! Acorde! Feche! Tweet!  Envie! Navegue! Caia! Ouça! Relembre! Edite! Surfe! Invente! Copie! Invada! Venha! Flutue! Boie! Divague! Alimente-se! Leia! Abrace! Concorde! Chute! Grite! Pinte! Memorize! Lave! Role! Enrole! Discorde! Marque! Aja! Manipule! Sonhe! Fale! Minta! Cutuque! Fure! Prometa! Cumpra! Molhe! Alargue! Alegre-se! Busque! Permaneça! Enumere! Brigue! Emagreça! Engorde! Disfarce! Pendure! Coce! Aperte! Borbulhe! Receba! Livre-se! Suje! Calce! Transe! Cole! Ligue! Intrometa-se! Coloque! Corra! Acelere! Diminua! Espalhe! Delete! Equilibre-se! Entreviste! Receba! Manche! Cozinhe! Sirva! Empanturre-se! Penteie! Xerete! Segure! Rasgue! Desmaie! Floreie! Agrade! Belisque! Bata! Aspire! Mergulhe! Pisque! Cace! Corte! Musicalize! Ignore! Recoloque! Pedale! Risque! Faça! Corte! Reme! Jogue! Cuide! Levante-se! Experimente! Teste!  Martirize! Desenhe! Esconda! Machuque! Introduza! Pulse! Soque! Vista-se! Engula! Viva! Ria! Gire! Torça! Encabule-se! Trote! Lata! Chore! Picote! Beije! Muja! Sacoleje! Mie! Vire! Pedale! Espirre! Tussa! Boceje! Reconheça! Separe! Dance! Rosne! Tenha! Empreste! Alugue! Atravesse! Perfure! Conquiste! Procure! Proteja! Investigue! Instigue! Duble! Colha! Negue-se! Dedique! Assine! Voe! Xingue! Resmungue! Assista! Balance! Jogue-se! Fuce! Fofoque! Sorria! Paralize! Poupe! Compre! Acesse! Fotografe! Desmorone! Monte! Prossiga! Gargalhe! Mexa! Toque! Dê! Enlouqueça! Esqueça! Aprenda! Duvide! Mame! Pague! Conte! Julgue! Junte! Finja! Peça! Implore! Amamente! Bique! Ligue! Desligue! Abra! Feche! Tatue! Queira! Remarque! Arrote!  Assopre! Ataque! Produza-se! Brilhe! Transpareça! Reviva! Reveja! Revolte! Parta! Reze! Apresse-se! Pontue! Procure! Cochile! Atire! Imponha-se! Retire! Perdoe! Cacareje! Assopre! Limpe! Sussurre! Enterre! Pegue! Atualize-se! Viaje! Ultrapasse! Volte! More! Visite! Conheça! Gargareje! Pingue! Importe-se! Minimize! Apareça! Oponha-se! Critique! Duvide! Apanhe! Cresça! Torne-se! Seja!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-6637682875315913744?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/6637682875315913744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/6637682875315913744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2011/05/imperativo.html' title='Imperativo!'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-X6nUIKQp-98/Tdb58nikZlI/AAAAAAAAAQk/68Gyf-hsT30/s72-c/claude_monet_champ_de_tulipes_1886.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-6972027677525748165</id><published>2011-05-03T17:09:00.000-07:00</published><updated>2011-05-04T04:03:06.427-07:00</updated><title type='text'>A dor de Pedro</title><content type='html'>Era impossível para Pedro conhecer todas as palavras e mesmo as que já ouvira, não conseguia memorizar todas de uma vez só; afinal, eram os seus três anos de vida contra os mais de 2000 da língua portuguesa!&lt;br /&gt;Pedro estava inquieto, sentava-se, levantava-se, andava de um lado para o outro e a mãozinha direita sempre indo de encontro ao peito.&lt;br /&gt;-Sinto uma dor horrível!- disse ele à professora- Estou passando muito mal!&lt;br /&gt;A professora desesperou-se. Todas as crianças cochilavam após retornarem do recreio escolar, menos Pedro, que se encontrava em tal estado. Durante todo o intervalo, ela observou que o menino exitou em comer o próprio lanche. Tudo bem que crianças pequenas têm certas frescuras de vez em quando, mas Pedro era diferente das demais. Às vezes, ele se expressava tal como um adulto e isto surpreendia muito a professora e a todos que estavam ao redor.&lt;br /&gt;-Onde dói?- perguntou ela.&lt;br /&gt;-Aqui- disse Pedro, enquanto apontava o tórax.&lt;br /&gt;-O que mais você sente?&lt;br /&gt;-Sinto uma dor que me rouba o ar.&lt;br /&gt;"Será que ele tem algum problema respiratório? Ou seria mesmo cardíaco?", pensava a professora.&lt;br /&gt;-Desde quando você sente isto?&lt;br /&gt;-Desde hoje cedo e esta dor vai aumentando a medida que o tempo passa. Ela aperta muito o meu peito e me deixa tonto, sem saber o que fazer- respondeu Pedro.&lt;br /&gt;-E desde quando um menino da sua idade sabe o que fazer?- brincou a professora, esboçando um sorriso.&lt;br /&gt;-Ora, professora, desde que eu cresci. Eu já senti esta dor antes, mas foi há tanto tempo, que me esqueci como ela se chama. Minha mãe já me contou sobre ela.&lt;br /&gt;-O que a sua mãe lhe contou?&lt;br /&gt;-Que esta dor, que não me lembro o nome, dói muito mesmo. Será que nunca mais vou parar de senti-la, professora?- indagou Pedro, que contraía os dedos da mão sobre o peito que arfava.&lt;br /&gt;A professora notou que o garotinho estava muito preocupado com o que sentia. Colocou as costas da mão sobre a sua testa e viu que ele não estava com febre; no entanto, havia um leve tremor em seus lábios.&lt;br /&gt;-É claro que esta dor vai passar, Pedro. Tenho certeza que daqui a pouco você já estará curado- respondeu.&lt;br /&gt;Pedro, então, levantou os olhos, os longos cílios a refletirem sob o sol, e falou:&lt;br /&gt;-Não, professora. Esta dor não passa assim. Eu estou desesperado, você me entende?- e segurou as mãos da professora.&lt;br /&gt;-Como desesperado, Pedro? O que está realmente acontecendo com você?&lt;br /&gt;Pedro, de olhos baixos desta vez, apenas disse baixinho:&lt;br /&gt;-Eu não sei.&lt;br /&gt;Alguns segundos se passaram e durante eles, mil indagações percorreram a cabeça da professora sobre o seu aluninho. Pedro ergueu a cabeça, colocou as mãos sobre as coxas e prosseguiu:&lt;br /&gt;-Aperta muito aqui dentro, mas não sei explicar como, já que não me lembro o nome desta dor. É a pior dor que já senti na vida. Você já sentiu algo assim, professora?&lt;br /&gt;-Talvez, Pedro. Mas não sei o que você tem. É melhor telefonar a sua mãe para que ela lhe leve ao médico.&lt;br /&gt;Com isto, a professora se levantou e caminhou até o telefone, na sala da secretaria. Disse à mãe de Pedro sobre a situação do menino e esta ficou preocupadíssima: "será que o coração do meu filho tem má formação?", pensava, enquanto ligava ao pediatra para marcar uma consulta e ao mesmo tempo, procurava a chave do carro para correr à escola.&lt;br /&gt;Pedro estava com o seu material e sua lancheira (intocável) aguardando a mãe. A professora esperava ao seu lado e notava como o menino ia ficando cada vez mais tenso. "A dor deve estar aumentando", era só o que achava. Ele estava calado e sério, o que não era comum para o seu jeito.&lt;br /&gt;-A mamãe já vem- disse ela a ele.&lt;br /&gt;Ele acenou com a cabeça.&lt;br /&gt;-Ela deve estar morrendo de saudades suas- continuou dizendo.&lt;br /&gt;Os olhos de Pedro se encheram de luz e ele abriu bem a boca para falar:&lt;br /&gt;-É isto, professora! É esta a palavra da minha grande dor: saudades.&lt;br /&gt;Quando a mãe de Pedro o pegou no colo, ele estava completamente curado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-6972027677525748165?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/6972027677525748165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/6972027677525748165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2011/05/dor.html' title='A dor de Pedro'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-4890372219390160095</id><published>2011-04-11T15:56:00.000-07:00</published><updated>2011-04-11T16:06:19.327-07:00</updated><title type='text'>Espelho</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-bKZEkpzkoX4/TaOJW14WqjI/AAAAAAAAAQc/kCpnvXQ7wQw/s1600/espelho%2Bpicasso.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 156px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-bKZEkpzkoX4/TaOJW14WqjI/AAAAAAAAAQc/kCpnvXQ7wQw/s200/espelho%2Bpicasso.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5594466187637860914" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu&lt;br /&gt;me perdi de mim mesmo&lt;br /&gt;quando me vi no espelho&lt;br /&gt;de reflexos tortos&lt;br /&gt;que mentiam caminhos sem fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu&lt;br /&gt;caminhei até onde pude&lt;br /&gt;e com calos nos pés&lt;br /&gt;e mãos que tremiam&lt;br /&gt;olhei para o céu&lt;br /&gt;e perguntei&lt;br /&gt;onde encontrar o todo de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu &lt;br /&gt;não obtive resposta audível&lt;br /&gt;somente caíram gotas frias&lt;br /&gt;de tempestade&lt;br /&gt;que me lavaram os olhos&lt;br /&gt;e assim &lt;br /&gt;pude enxergar&lt;br /&gt;que não se pode voltar&lt;br /&gt;ao começo do espelho&lt;br /&gt;de si mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-4890372219390160095?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/4890372219390160095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/4890372219390160095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2011/04/espelho.html' title='Espelho'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-bKZEkpzkoX4/TaOJW14WqjI/AAAAAAAAAQc/kCpnvXQ7wQw/s72-c/espelho%2Bpicasso.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-2470643493609142253</id><published>2011-03-09T14:56:00.000-08:00</published><updated>2011-03-09T15:38:45.780-08:00</updated><title type='text'>Questões</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-b8MfpFlT2k0/TXgOXlrfacI/AAAAAAAAAQU/0CN0KRjBT_c/s1600/monet%2Bquest%25C3%25B5es.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 182px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-b8MfpFlT2k0/TXgOXlrfacI/AAAAAAAAAQU/0CN0KRjBT_c/s200/monet%2Bquest%25C3%25B5es.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5582227536540035522" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O dia começa. E não nos perguntamos por quê?&lt;br /&gt;Levantamos, nos arrumamos, um gole de café. E não nos perguntamos por quê?&lt;br /&gt;Vamos ao trabalho, à escola, às compras, a passeio. E não nos perguntamos por quê?&lt;br /&gt;Vestimos uniformes, jeans, um social na festa. E não nos perguntamos por quê?&lt;br /&gt;Comemos com garfo e faca, bebemos em copos, xícaras, taças. E não nos perguntamos por quê?&lt;br /&gt;Dizemos obrigado, por favor, com licença e não enche. E não nos perguntamos por quê?&lt;br /&gt;Estudamos, pesquisamos, blefamos. E não nos perguntamos por quê?&lt;br /&gt;Usamos xampu, desodorante, relógio e sapatos. E não nos perguntamos por quê?&lt;br /&gt;Assistimos tv, ouvimos música, navegamos na internet. E não nos perguntamos por quê?&lt;br /&gt;Compramos Ipod, Ferrero Rocher, Arezzo, Dior, Lady Gaga, chuchu e batata. E não nos perguntamos por quê?&lt;br /&gt;Tomamos banho, cerveja, porre e na cabeça. E não nos perguntamos por quê?&lt;br /&gt;Brigamos, amamos, esquecemos. E não nos perguntamos por quê?&lt;br /&gt;Temos raiva, alegria, obrigações e contas a pagar. E não nos perguntamos por quê?&lt;br /&gt;Casamos, separamos, procuramos, morremos. E não nos perguntamos por quê?&lt;br /&gt;Vivemos dias chatos, dias inesquecíveis, dias de sol e de chuva ou um dia qualquer. E não nos perguntamos por quê?&lt;br /&gt;Ansiamos, esperamos, planejamos, desistimos, não sabemos. E não nos perguntamos por quê?&lt;br /&gt;Bocejamos, espirramos, vamos à academia, à Suécia, ao bar da esquina. E não nos perguntamos por quê?&lt;br /&gt;Escolhemos nomes, chamamos nomes, esquecemos nomes, reinventamo-nos. E não nos perguntamos por quê?&lt;br /&gt;As horas passam, o vento sopra, o relógio marca 23h, a noite cai e estrelas brilham. E não nos perguntamos por quê?&lt;br /&gt;Vamos dormir, sonhamos. E não nos perguntamos por quê?&lt;br /&gt;Questionamos. E não nos perguntamos por quê?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-2470643493609142253?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/2470643493609142253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/2470643493609142253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2011/03/questoes.html' title='Questões'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-b8MfpFlT2k0/TXgOXlrfacI/AAAAAAAAAQU/0CN0KRjBT_c/s72-c/monet%2Bquest%25C3%25B5es.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-6441569464151193390</id><published>2011-02-27T12:26:00.000-08:00</published><updated>2011-02-27T16:16:46.461-08:00</updated><title type='text'>Quando sonhava acordada...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-H4KkmGrbu6U/TWrpOwWlEdI/AAAAAAAAAQM/C8GQBXe5p-w/s1600/chagall47.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 198px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-H4KkmGrbu6U/TWrpOwWlEdI/AAAAAAAAAQM/C8GQBXe5p-w/s200/chagall47.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5578527528158826962" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite estava agitada. Ela corria de homens armados que queriam prendê-la em um quarto imundo. Corria, corria, as pernas a pesarem sobre os pés, os homens a se aproximarem, de repente tropeçou, mas levantou-se rápido, olhou para trás, os homens ainda estavam ali, só que desta vez, tinham cachorros furiosos com eles. Como escaparei, como escaparei, pensava ela. Um muro alto estava a sua frente: não hesitou em tentar escalá-lo. Uma mão segurou-lhe o pé, que deu-lhe um chute no rosto. Caiu. Os homens a dominaram, os cachorros a mordiam aqui e ali. Tentou gritar. O grito foi abafado pelo próprio grito, só ela o escutava. De repente estava em uma casa, mas nesta casa não havia nenhum quarto imundo. Era uma casa estranha, com longas paredes alaranjadas, com uma escada em caracol e com muitas, mas muitas flores. Flores que recendiam o seu perfume em cada canto daqueles inúmeros cômodos. Uma mulher apareceu e elas se sentaram no sofá da sala e começaram a conversar- futilidades. "Eu cortei meu cabelo, mas fiquei com cara de caqui", dizia ela. "Cara de caqui? Pois olha, eu se fosse você, fazia logo uma balaiagem para melhorar este aspecto. Por que não vai na Nancy, ela é ótima?! Levei nela a Dolly, a minha poodle,na semana passada". "Na Nancy?! Ótimo! Bem lembrado. Vou buscar mais rosquinhas de nabo com  pitanga para a gente", disse ela. E se levantou. Passou por um pequeno corredor até chegar à cozinha. Não se lembrava mais aonde tinha deixado as rosquinhas de nabo com pitanga, quando ouviu um barulho estranho. Ao abrir a porta da cozinha, deu de cara com as águas do mar a invadirem todo o seu quintal. Ondas rolavam pelo chão, fazendo chuá e aumentavam a densidade de água por ali. "Meu deus, o Tobias!!!", ela gritou. E entrou n'água para salvar o cãozinho que se afogava. Apenas a cabeça do animal aparecia por entre as águas do mar. Seu olhar transparecia solidão e desespero e ela logo o agarrou e conseguiu colocá-lo em uma cadeira que boiava por ali. "Ele está a salvo!", gritaram juntas três sereias que se exibiam na água. Suas caldas esverdeadas brilhavam intensamente, mas sem contrastarem com seus cabelos azuis. Flutuavam pela correnteza, todas com o corpo levemente inclinado, o braço direito dobrado a segurar suas cabeças mitológicas. "Há!há!há!há!", riam as sereias loucamente, causando vertigens nela que ainda estava na água. A água, por sua vez, era de uma imensidão assustadora e já não havia Tobias, nem quintal e nem porta de cozinha. Tudo desaparecera com a risada das sereias e agora era só ela naquele mar. As águas eram tão azuis quanto de uma piscina com cloro e tão macias que ela permanecia em sua superfície, sem querer pensar na profundidade daquele lugar. Sentiu uma baleia a passar por debaixo de seu corpo e viu aquele ser negro lá embaixo. Não teve medo. Começou a nadar, como se pressentisse o que estava prestes a vir: era sempre assim, ela já sabia. Não tardou a chegar uma grande,comprida, enorme e gigante onda, que escondeu todo o céu. Vinha com sua fúria em busca dela, queria pegá-la, atingi-la com sua potência, afogá-la em seu interior, pegá-la com sua superioridade, afundá-la em águas, sepultá-la em seu oceano para mantê-la sempre ali. A onda deslizava vagarosamente, não havia pressa em capturá-la. Ela nadava o quanto podia e debatia braços e pernas, virava a cabeça, uma pausa para respirar e soltar o ar na água. Socorro, socorro, o mar não tem fim. Olhou para trás e viu a onda imponente a preparar-se para derramar todo o seu poder em seu corpo. Tudo estava escuro e a onda foi caindo, caindo, caindo e ela caindo junto com a onda, a rolar, rolar, rolar até se ver em um telhado. No telhado encontrou uma máquina fotográfica e começou a tirar fotografias do sol. Era o sol mais amarelo que ela já havia visto, muito mais amarelo do que todos os amarelos juntos. Estava parado no céu no lado oeste, porém não demonstrava sinais de se pôr. Ela caminhou sobre o telhado e viu algumas pequenas flores cor-de-rosa nele. Sentou-se em frente a elas e brincou com seus pequenas pétalas. Seus caules tremiam de um lado a outro. Ela olhou novamente o céu e notou que ali, do lado leste, havia outro sol, tão amarelo quanto o primeiro. Sentiu vontade de chorar ao ver sóis tão belos a reinarem sobre aquele teto. Chorou, chorou até que o seu choro chamou a chuva, uma fina e fria garoa que começou a cair. Mas ela não sabia como descer daquele telhado, porque ao seu redor, só havia o céu, a chuva, as flores e os sóis. Não conseguia achar o fim do telhado para saber a qual altura estava. As telhas marrom-avermelhadas só empurravam para baixo a chuva, mas não lhe apontavam nenhum caminho. Começou a sentir frio e a desejar um guarda-chuva. Um uivo surgiu no telhado e era o vento que chegava. Ela cruzou os braços em frente ao corpo, os cabelos molhados a grudarem-lhe ao rosto, o corpo que reclamava do frio. Então o vento sussurrou bem forte em seus ouvidos: "Uuuuuhhhh..." e fez um rodopio em suas pernas. "Uuuuuhhhhh....", ele insistia e gritou ainda mais forte "Uuuuhhhh...." e arrancou uma a uma as florzinhas côr-de-rosa. O vento achou que ela era uma daquelas flores e a arrancou junto daquele telhado. Ela e as flores saíram a voar com o vento e percorreram muitos telhados por onde passavam, trombando em prédios e chaminés. Até que o vento cansou de falar e a deixou sozinha sem as florzinhas na entrada de um castelo. A porta do castelo se abriu e logo ali na entrada havia deliciosas amêndoas. Ela comeu todas que encontrou e seguiu em frente. Logo deparou-se com toda uma corte em reunião. "Não irei a Barenópolis", berrava um moço vestido em trajes de príncipe. "Então case-se comigo", dizia uma moça em trajes de princesa. "Só se houver um baile e muito farto de comida", bradou um homem que mais parecia um rei. E fez-se o baile subitamente. Príncipes e princesas rodopiavam por um grande salão em roupas de gala. Ela notou que também estava no meio dança e seu vestido era vermelho e elegante. Dançava com um homem alto, que segurava-lhe suavemente as mãos. Só que ela não conseguia ver-lhe o rosto e cada vez que se esforçava para distinguir-lhe as feições, mais ele a levava para cá e para lá, fazendo o seu cabelo balançar-se. Era bom dançar com ele e ouvir violinos ao fundo. Então, a fome apareceu e falou-lhe "olá!". Ela se lembrou do comentário do homem que parecia rei e correu até à mesa posta logo a frente. Arrancou uma suculenta coxa de frango e começou a mastigar. Comeu saladas, frutas e carnes e resolveu conferir às horas: 4h53.Tentou puxar da memória os afazeres daquele horário, mas como estava em seu quarto, não se importou muito. Passou esmalte vermelho nas unhas e abriu uma das janelas. Era outono. Sentou-se na poltrona e abriu um livro. Só conseguiu ler poucas páginas, porque um barulho a chamava cada vez mais alto. Alto, alto, alto e ela acordou. E logo começou a sonhar novamente. Gostava de sonhar acordada, porque era a única maneira de controlar os seus sonhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-6441569464151193390?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/6441569464151193390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/6441569464151193390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2011/02/quando-sonhava-acordada.html' title='Quando sonhava acordada...'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-H4KkmGrbu6U/TWrpOwWlEdI/AAAAAAAAAQM/C8GQBXe5p-w/s72-c/chagall47.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-6541757098277371476</id><published>2011-02-23T16:03:00.000-08:00</published><updated>2011-02-24T16:10:05.347-08:00</updated><title type='text'>Trevas, por onde andas?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-5HfcVf4bQPI/TWWhJkDq3kI/AAAAAAAAAP0/L7dsjASU8Wo/s1600/vamp.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 124px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-5HfcVf4bQPI/TWWhJkDq3kI/AAAAAAAAAP0/L7dsjASU8Wo/s200/vamp.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5577040899238190658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corpos maltrapilhos que se levantam de seus túmulos;  lords refinados que dormem em caixões.  Não importa a forma, a sede por sangue é a mesma ao longo dos séculos- tempo este que nunca deixou de ter em moda estes fantásticos seres mitológicos: os vampiros.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Lançado em 2010, o livro “Contos Clássicos de Vampiros- Byron, Stoker e outros” (Editora Hedra, 266 páginas) com tradução de Marta Chiarelli e introdução de Alexander M. da Silva, resgata com  elegância um pouco dos primórdios do tema, exemplificando-o com autores consagrados no assunto, tais como Lord Byron, Bram Stoker, John  Polidori, Theóphile  Gautier e M.R. James.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O vampirismo, questão tão debatida na atualidade com seus vampiros adolescentes, nada mais é do que um dos mitos mais antigos da humanidade.  Eis aí a primeira surpresa nos leitores que ainda pensam no surgimento do tema com os dráculas da Transilvânia. Mero engano... Logo na introdução, Alexander da Silva despe o vampiro e o mostra em suas origens: este ser que habita o imaginário humano existe há tão longos séculos e está presente em tantas culturas diversas (das ocidentais às orientais) que se  torna um obstáculo desmascará-lo de uma única e exclusiva vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez pela dificuldade de enquadrá-lo em algo tão simplório e objetivo que o vampiro tenha conseguido o destaque e a importância adquiridos ao longo dos anos- e que anos! Por muito tempo,  intelectuais das mais importantes potências, como Inglaterra e Alemanha, dedicaram-se ao estudo do ser que causava pânico entre a sociedade e que era acusado de muitos ataques e homicídios. Mas como acreditar em mortos que ressuscitam de suas tumbas em busca de vingança pela morte tida? Obviamente, os estudos levaram a conclusões científicas que não foram suficientes em liquidar com o mito. A Europa dos séculos XVIII e XIX vivia uma Revolução Industrial  e por consequência desses avanços, seus principais estudiosos não podiam acreditar em ditos populares. Entretanto,  a lenda dos vampiros continuava em suas mentes: assim, os estudiosos-escritores deram o próprio sangue para produzir no papel muitas histórias vampirescas- que se petrificaram no “primitivo leste europeu”, onde os relatos de vampiros eram ainda mais fortes e creditados pela população. Deste imaginário e contexto, surgiu a mais famosa obra sobre vampiros: “Drácula” (1897), escrita pelo irlandês                 Bram Stoker, mas cuja introdução  foi abolida pelos editores, por deixar a obra muito extensa. O resgate do texto, na atualidade, foi feito pelos responsáveis de “Contos Clássicos de Vampiros” sob o título “O Hóspede de Drácula” (1914).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se por muito tempo o vampiro não passava de um morto-vivo em farrapos que vinha, por vingança, sugar o sangue dos vivos,  na literatura do final do século XVIII, como produto histórico-cultural, isto mudou.  Agora, ele é um “ser sofisticado e angustiado por dúvidas existenciais”; pode-se até dizer que  “o vampiro vem se adaptando para refletir a angústia  das sociedades nas quais ele se insere”. Obras como a  de Stoker fazem contestações do período vivido (neste caso, o século XIX), incluindo às que dizem respeito  às mulheres:  “ Em uma época quando os papéis sociais reservados às mulheres eram apenas os franqueados por meio do matrimônio e da maternidade, o ataque do conde vampiro às personagens Lucy Westenra e Mina Murray se configura como uma ameaça ao status quo da rígida sociedade vitoriana visto que, ao se transformarem em vampiras, elas abandonam a sua condição futura de esposa e mãe e se transformam em mulheres sexualmente ativas, algo inconcebível para a moral da época” escreve Da Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O questionamento de valores se quebrou com a passagem do tempo, fazendo do vampiro um ser alienado e, de certa forma, marginalizado. Mas tais fatores são relativos aos vampiros de hoje, que se acoplam ao social pelas veias da  atual juventude: esta deixou de contestar o presente? Deixou de dar importância a certos valores? Certamente que não. O que mudou é a maneira de fazê-lo e o vampiro moderno é somente um torto reflexo  (de um espelho, desta vez) de muitos jovens. Porém,  como diria o próprio Da Silva, “ainda é cedo, todavia, para avaliar o impacto da série [Crepúsculo-2005] sobre a longa tradição da literatura de vampiros”, refere-se à obra de sucesso   da americana Stephanie Meyer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelas páginas de “Contos Clássicos de Vampiros”, o leitor se depara com os mais variáveis seres da espécie. Há histórias interessantes como “Porque o Sangue é Vida” (1905), de Marion Crawford; misteriosas, como “Um Episódio na Catedral” (1931), de M.R James; ousadas, como “A Morta Amorosa” (1836), de Theóphile Gautier e desengonçadas, como “O Vampiro” (1819), de John Polidori. Isto sem falar nos textos de Filóstrato (“Vida de Apolônio de Tiana” (?)),  Heinrich August Ossenfelder (“O Vampiro”-1748),  Johann Wolfgang von Goethe (“A Noiva de Corinto”- 1797) e Samuel Taylor Coleridge (“Christabel”- 1795/1816), que dão charme ao tema ao instigarem o leitor a pensar em mistérios e fantasias: eles não pontualizam o vampiro propriamente, que fica apenas nas trevas das palavras; são breves passagens de um enigma sedutor e fóbico e que por isto, viraram fontes de inspirações a outras páginas do mito: “Carmilla” (1872) de Joseph Sheridan Le Fanu é uma boa inspiração da “Christabel”, de Coleridge.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os contos em prosa ou em verso não apenas criam situações pavorosas, mas também contextualizam a maneira de sentir medo da população de todos aqueles séculos. Em um tempo em que as noites eram ainda mais escuras pela falta de energia elétrica, em que cemitérios eram construídos em muitas residências, em que a ciência não tinha muitas das respostas levantadas, como então, justificar mortes, sumiços e barulhos sinistros? Um cenário perfeito para trazer à tona fantasmas e vampiros de outros mundos... Além disso, como explica Da Silva, a morte e o sangue sempre envolveram os seres humanos em curiosidade e respeito, criando assim, a simbologia existente ao redor desses elementos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos humanos que ainda hoje têm preferência (madura) pelo tema, “Contos Clássicos de Vampiros” é uma boa sugestão para o assunto.  Tal como uma fotografia, ele retrata o vampiro, deixando a mostra um pouco de seu contexto, história, clima e detalhes. Basta somente correr os olhos por sobre as palavras e enxergar na mente um pouco do que muitos já viveram com este mito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-6541757098277371476?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/6541757098277371476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/6541757098277371476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2011/02/porque-o-sangue-e-vida.html' title='Trevas, por onde andas?'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-5HfcVf4bQPI/TWWhJkDq3kI/AAAAAAAAAP0/L7dsjASU8Wo/s72-c/vamp.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-3915490218779714276</id><published>2011-02-08T14:41:00.000-08:00</published><updated>2011-02-08T15:34:34.221-08:00</updated><title type='text'>É tempo de voar...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TVHRLxRDVYI/AAAAAAAAAPU/PWKZ2KAiui0/s1600/pipa%2B2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 173px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TVHRLxRDVYI/AAAAAAAAAPU/PWKZ2KAiui0/s200/pipa%2B2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5571464214167639426" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá vai a pipa voando, subindo sempre faceira, passando rasteira em todas as nuvens do céu. Quando alcança o ponto onde é preciso inclinar a cabeça e forçar a vista para vê-la é porque chegou bem lá no alto e lá no alto ela é ainda mais livre para voar um vôo dos sonhos dos meninos que ficaram aqui embaixo, na terra.&lt;br /&gt;"Deve ser bom ser pipa e poder olhar o mundo lá de cima", pensa Zezé, que puxa levemente a linha, cutucando a pipa lá em cima. Esta rodopia uma, duas, três vezes e continua a flutuar soberana sobre os céus da cidade. Quem a olha vê logo um ponto vermelho com barbatanas coloridas a pairar na imensidão do azul do céu. Tal como um peixe solitário no mar, a pipa de Zezé segue adiante, deixando para trás ondas e ondas de ventos impulsores de força. Neste chacoalhar de brisas, nada mais belo do que ver uma pipa a bailar com a intensidade dos seres destituídos de alma, mas repletos de puros e simples significados.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TVHS2a7zHHI/AAAAAAAAAPk/WaQ4KLDpRac/s1600/pipa.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 165px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TVHS2a7zHHI/AAAAAAAAAPk/WaQ4KLDpRac/s200/pipa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5571466046418918514" /&gt;&lt;/a&gt;O cordão umbilical continuar a ligar Zezé à pipa. Não há maneiras de se separarem, visto que são componentes um do outro. O menino fez a pipa. Agora, a pipa faz o menino. Brincadeiras que ficarão eternizadas em céus, mentes e mãos. Uma época que só pertence a eles dois. "É tempo de voar", deve pensar a pipa, que no alto de seu olhar, encontra outras pipas a percorrem distâncias relativas. Elas se cumprimentam com rápidas reviravoltas e em seus jeitos de pipas colocam-se a postos a darem vivas e olés a cada um dos meninos que seguram a linha de suas vidas...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-3915490218779714276?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/3915490218779714276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/3915490218779714276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2011/02/e-tempo-de-voar.html' title='É tempo de voar...'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TVHRLxRDVYI/AAAAAAAAAPU/PWKZ2KAiui0/s72-c/pipa%2B2.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-5580607799465817414</id><published>2011-02-02T14:39:00.001-08:00</published><updated>2011-02-02T14:59:13.794-08:00</updated><title type='text'>Violino</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TUnhrvJSTcI/AAAAAAAAAPM/6IAjfFwrplM/s1600/picasso.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 154px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TUnhrvJSTcI/AAAAAAAAAPM/6IAjfFwrplM/s200/picasso.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5569230555726368194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh, violino, por que tocas assim?&lt;br /&gt;Tua música me envolve, me levando para longe de mim.&lt;br /&gt;Quero que cada nota seja eterna em seu tempo... Lamento.&lt;br /&gt;Lamento ouvir só com os ouvidos e o coração:&lt;br /&gt;Quero ouvir com os olhos e com a boca e com as mãos.&lt;br /&gt;Oh, mãos! Mãos que embalam melodias, fazendo o som ninar;&lt;br /&gt;Venha comigo, violino. Até onde tu podes suportar&lt;br /&gt;Tocando, sempre tocando?&lt;br /&gt;Agilidade, leveza, pureza e amor vejo em ti&lt;br /&gt;Vamos, por que não tocar em mim?&lt;br /&gt;Meus cabelos podem virar cordas e emitir sonoridade. &lt;br /&gt;Sei que meu canto não é tão belo quanto o teu, violino&lt;br /&gt;Mas também é repleto de sinceridade.&lt;br /&gt;Oh, violino, por que tocas assim?&lt;br /&gt;Se não me queres perto de ti,&lt;br /&gt;Não embale meus sonhos e nem meus receios&lt;br /&gt;Deixe-me livre por aí,&lt;br /&gt;A viver sem música, a viver sem teu amor.&lt;br /&gt;Desejo tanto estar contigo,&lt;br /&gt;Mas não suportaria a piedade em notas de um desamor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-5580607799465817414?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/5580607799465817414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/5580607799465817414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2011/02/violino.html' title='Violino'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TUnhrvJSTcI/AAAAAAAAAPM/6IAjfFwrplM/s72-c/picasso.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-7862226965532474974</id><published>2011-02-01T15:48:00.000-08:00</published><updated>2011-02-01T16:16:11.138-08:00</updated><title type='text'>Capitão do barco do amor</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TUiiNwRAdhI/AAAAAAAAAPA/eVfLjXmXgO0/s1600/van%2Bgogh.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 145px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TUiiNwRAdhI/AAAAAAAAAPA/eVfLjXmXgO0/s200/van%2Bgogh.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5568879296421852690" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;É apenas mais um dia? É apenas um dia a mais? Não há como saber. A imprevisibilidade caminha por trás de nós, tal como uma sombra que não pode ser vista e que insiste em esconder-se em paredes, becos e calcanhares. Ela não quer se mostrar... Mas também, o que importa se nós não íamos mesmo querer vê-la?&lt;br /&gt;Queremos o controle de tudo, de todos, de nós mesmos. Queremos manipular massas, estilos, conceitos, fenômenos, o tempo... E no meio disto, terremotos fazem ondas, ao tentarem acabar com o câncer criado por nós. Estúpidos pensamentos humanos. Mesquinharias de uma gente pobre e podre de espírito. Sentimos o fedor desta alma e a inalamos como algo comum. Apenas nossos jardins floridos deveriam exalar...&lt;br /&gt;E o que vem primeiro: o amor ou a dor? Há quem diga que seja o amor; há quem diga que seja a dor; há quem diga que amor rima com dor nesta confusão de sentimentos e de sensações. Haverá mesmo uma luz a nos iluminar? A luz, a grande preferida neste meio de trevas, a mais almejada, a mais esperada. Quando chegará?&lt;br /&gt;Enquanto ela não chega e enquanto o mundo continua a ser o mesmo, fique aqui comigo neste barco e segure a minha mão. Assim... Me abrace e me proteja e cante comigo uma canção intitulada "amor".&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Love Boat Captain (Pearl Jam)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(Gasper/Vedder)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Is this just another day, this god forgotten place&lt;br /&gt;first comes love and then comes pain, let the games begin &lt;br /&gt;questions rise and answers fall, insurmountable&lt;br /&gt;love boat captain, take the reigns and steer us towards theclear, here&lt;br /&gt;it's already been sung, but it can't be said enough&lt;br /&gt;all you need is love&lt;br /&gt;is this just another phase? of earthquakes making waves&lt;br /&gt;trying to shake the cancer off? oh, stupid human beings&lt;br /&gt;once you hold the hand of love, it's all surmountable &lt;br /&gt;hold me and make it the truth &lt;br /&gt;that when all is lost there'll be you&lt;br /&gt;cuz to the universe, i don't mean a thing&lt;br /&gt;and there is just one word i still believe &lt;br /&gt;and it's love... &lt;br /&gt;it's an art to live with pain, mix the light into grey &lt;br /&gt;lost nine friends we'll never know, two years ago today&lt;br /&gt;and if our lives became too long, would it add to our regret? &lt;br /&gt;and the young they can lose hope &lt;br /&gt;cuz they can't see beyond today... &lt;br /&gt;the wisdom that the old can't give away, hey&lt;br /&gt;constant recoil&lt;br /&gt;sometimes life don't leave you alone &lt;br /&gt;hold me and make it the truth&lt;br /&gt;that when all is lost there will be you&lt;br /&gt;cuz to the universe, i don't mean a thing &lt;br /&gt;and there is just one word and i still believe&lt;br /&gt;and it's love... love, love, love, love&lt;br /&gt;love boat captain, take the reigns, steer us towards the clear &lt;br /&gt;i know it's already been sung, it can't be said enough&lt;br /&gt;love is all you need... all you need is love&lt;br /&gt;love, love...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-7862226965532474974?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/7862226965532474974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/7862226965532474974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2011/02/capitao-do-barco-do-amor.html' title='Capitão do barco do amor'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TUiiNwRAdhI/AAAAAAAAAPA/eVfLjXmXgO0/s72-c/van%2Bgogh.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-4886191373578328663</id><published>2011-01-27T14:38:00.000-08:00</published><updated>2011-01-27T15:01:34.759-08:00</updated><title type='text'>Os anos-luz entre nós dois</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TUH4X0g73xI/AAAAAAAAAO4/SSNQFWX1UR4/s1600/GALAXIA.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 139px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TUH4X0g73xI/AAAAAAAAAO4/SSNQFWX1UR4/s200/GALAXIA.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5567003702524108562" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Galanteio a galáxia&lt;br /&gt;e cada uma de suas bilhões de pequenas estrelas&lt;br /&gt;Quero pertencer ao universo&lt;br /&gt;e criar abraços quando for me esconder em seus buracos negros&lt;br /&gt;Girando em torno de uma massa comum- a força que une nós dois&lt;br /&gt;eu galanteio a galáxia&lt;br /&gt;e tenho mais pressa em beijá-la do que os anos-luz que nos separam&lt;br /&gt;Perdendo-se num tempo sem horas, e num espaço sem lugar, minha galáxia é meu mundo&lt;br /&gt;e meu fim&lt;br /&gt;Galanteio a galáxia em busca de um único corpo&lt;br /&gt;que não seja celeste, mas que seja consistente&lt;br /&gt;e que aguente todas as explosões de um louco amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-4886191373578328663?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/4886191373578328663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/4886191373578328663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2011/01/os-anos-luz-entre-nos-dois.html' title='Os anos-luz entre nós dois'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TUH4X0g73xI/AAAAAAAAAO4/SSNQFWX1UR4/s72-c/GALAXIA.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-4280616950245534055</id><published>2011-01-22T15:56:00.000-08:00</published><updated>2011-01-29T11:27:43.620-08:00</updated><title type='text'>Palhaço</title><content type='html'>Lápis nos olhos para transparecer meu profundo olhar, nariz vermelho, boca além de sorrisos, sou um palhaço. Exagero no pó em meu rosto, faço meu cabelo ficar azul, me visto com todas as cores e meus sapatos sempre são maiores que meus passos. Ainda assim, sou um palhaço, mas não porque faço estardalhaço:  meu pequeno camarim é meu casulo, onde me escondo da multidão lá fora e ali metamorfiso-me para em seguida, dar asas à alegria que guardo em meus bolsos.&lt;br /&gt;Sou um palhaço quando rodopio, canto, grito e caio. Sou um palhaço quando tento ser criança outra vez.&lt;br /&gt;Uma vez, uma lágrima saiu-me dos olhos e borrou-me a maquiagem. Descobri que palhaços também choram... Descobri que também guardo mágoas nos bolsos da minha larga calça. Sou um palhaço.&lt;br /&gt;Meus olhos translúcidos trazem os caminhos que andei. Escondo minhas rugas por debaixo de meu ser- este ser que insiste em tampar defeitos. Trago em minhas mãos flores que não tem cheiro, mas que arrancam risos quando cheiradas. Meus ouvidos veem gargalhadas e minha voz escuta a si mesma. Sou um palhaço.&lt;br /&gt;De repente, vejo-me sozinho olhando para mim mesmo. O picadeiro é apenas mais um lugar como tantos. Não posso me desfazer, não posso me recompor, não posso tirar aquilo que faz de mim o que sou: um palhaço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-4280616950245534055?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/4280616950245534055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/4280616950245534055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2011/01/palhaco.html' title='Palhaço'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-2071528132586066632</id><published>2011-01-12T12:52:00.000-08:00</published><updated>2011-01-12T12:57:29.282-08:00</updated><title type='text'>...e os anjos choraram esta noite</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TS4UxfOezeI/AAAAAAAAAOo/yQfwCPdUJfI/s1600/ghost.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 166px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TS4UxfOezeI/AAAAAAAAAOo/yQfwCPdUJfI/s200/ghost.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5561405430277524962" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cem anos se passaram desde que Gaston Leroux (1868-1927) escreveu uma das obras mais inspiradoras do último século: o livro "O Fantasma da Ópera".&lt;br /&gt;Fonte de devaneios para leitores, artistas e adaptadores, a história de um suposto fantasma que assombrava a Ópera de Paris em meados do século XIX também tem sua origem em um momento de sensibilização do autor: foi durante uma visita a este teatro, que Leroux ao se infiltrar por bastidores, salas e corredores, chega às partes mais baixas  do lugar, descobrindo uma espécie de lago entre grades de ferro. O ambiente, iluminado apenas por uma tocha, ganhou proporções na imaginação e no talento do escritor francês, que também foi jornalista e estudante de Direito.&lt;br /&gt;Para compor o seu mais famoso livro, Leroux utilizou-se de conhecimentos e habilidades vindos das áreas em que atuou. Assim, o romance, com ares de suspense em cada página, tem em sua narração elementos do jornalismo e da justiça-policial da época. Estes dois meios auxiliam a marcar as características de estilo do autor, que sempre pendem ao diferente, macabro e altamente misterioso. No livro "O Mistério do Quarto Amarelo" (1907)  é possível notar esses seus traços de escrita.&lt;br /&gt;Em "O Fantasma da Ópera" (Ed. Ática, 2006), logo nas primeiras páginas há explicações sobre o inusitado que se encontrará logo adiante. Os comentários são de um “repórter-escritor”, tal como o próprio Leroux fora, e sua maneira de abordar o mistério do Fantasma da Ópera conduz os pensamentos de quem o lê a uma situação "verídica", repleta da mais profunda importância para o meio social e que por isto, deve ser trazida a tona. O personagem- que se mistura com o próprio Leroux, ao se apresentar como autor do livro-, traz documentos e entrevistas em sua narrativa, além de dar o seu entendimento dos fatos. Porém, a maior parte do enredo é composta por falas de outros personagens, como bailarinas, cantoras, demais funcionários e frequentadores do teatro. Contada desta forma, o realismo da história aumenta a cada minuto, devido ao efeito do instantaneísmo.&lt;br /&gt;Porém, tal artifício, ao mesmo tempo em que cria a ilusão no leitor de estar vendo muito dos fatos no momento em que acontecem, por outro lado, levam o autor a pecar ao ir revelando os mistérios em torno do "fantasma": muitas das revelações ganham ares infantis e simplórios na boca dos personagens, como no momento em que a cantora Christine Daaé conta ao seu amado, o visconde Raoul de Chagny sobre algumas das peripécias de Erik, o Fantasma. Se a ideia foi mesclar a pureza infantil com a frieza da mente adulta, o resultado final não atingiu o objetivo de manter uma narrativa instigante e envolvente o tempo todo, pois não sacia o leitor em alguns dos pontos-chaves do texto. Este, já sensibilizado com a romântica ideia de um "Anjo da Música", tem ainda mais sede em saber da verdadeira identidade do “fantasma”, entretanto, não espera que as revelações deem-se de forma clara, objetiva e óbvia nos próximos capítulos. A simplicidade do descobrimento desaponta o leitor, que esperava por algo mais maduro para a situação.&lt;br /&gt;Para aqueles que estão acostumados a ver as grandes produções musicais no teatro e no cinema da obra, não imaginam o quanto o escritor se preza de adjetivos para caracterizar personagens, lugares e situações. Erik e sua aparência horrenda é sem dúvida, a mais marcante descrição em todas as páginas. Por outro lado, as adjetivações originam vertentes na mente do leitor, que passa a refletir sobre a real personalidade do fantasma e sobre os sentimentos de Christine por ele.&lt;br /&gt;Ao se ressaltar o papel de cada personagem na narrativa, Leroux define bem a importância de atuação de cada um deles na trama. É preciso que existam as inocentes bailarinas, como Jammes e Meg para assombrarem ainda mais a aparição de um "fantasma", como também é necessário que haja diretores céticos, para se contraporem aos pensamentos das artistas. Mais uma vez, são fundamentais as presenças da lanterninha Sra Giry, em sua "amizade" com a "caveira de olhos de fogo", além do enigmático Persa, peça-chave na explicação do mistério em torno de Erik e até mesmo criaturas como Joseph Buquet, o enforcado, e o Sr. Daaé merecem destaque por acrescentarem detalhes vitais na história como um todo. Quando se costura fatos a personagens, corre-se menos riscos de se ter uma trama com buracos, com pequenos enganos que raramente passam despercebidos aos olhos de quem a lê.&lt;br /&gt;O clima de mistério e sombras que Leroux desenvolve no decorrer da história não é muito similar com relação a algumas de suas adaptações no teatro e no cinema. Principalmente nas mais recentes (como nos musicais apresentados na Broadway e no último filme lançado em 2004), as novas versões prendem-se mais ao triângulo amoroso entre Christine, Raoul e Erik, romantizando ao extremo o enredo, que nada mais possui do "relato jornalístico" do livro. Se não bastasse, também minimizam a postura tida como cruel de Erik, que adquire ares ainda maiores de piedade por parte do público. Como ocorre em muitas adaptações, em "O Fantasma da Ópera", várias situações e personagens originais têm ou seus papeis suprimidos ou alterados. O filme de 1925 baseado na obra, com Lon Chaney interpretando Erik é considerado por muitos como um dos pioneiros nas histórias cinematográficas de terror.&lt;br /&gt;O trecho a seguir do livro, relata o instante em que Raoul flagra Christine conversando com uma voz misteriosa. Até aqui, não se sabe nada além disto:&lt;br /&gt;"A voz de homem fez-se ouvir novamente:&lt;br /&gt;-Você deve estar cansada.&lt;br /&gt;-Oh! Esta noite eu lhe dei a minha alma e estou morta.&lt;br /&gt;-A sua alma é muito bela, minha menina- replicou a voz grave de homem-, e eu lhe agradeço. Não há imperador que tenha recebido presente igual! Os anjos choraram esta noite.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TS4U4skCZTI/AAAAAAAAAOw/c9M7rFZvfb4/s1600/livro.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 142px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TS4U4skCZTI/AAAAAAAAAOw/c9M7rFZvfb4/s200/livro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5561405554116683058" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O livro "O Fantasma da Ópera" fez 100 anos de lançamento em 2010&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-2071528132586066632?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/2071528132586066632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/2071528132586066632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2011/01/e-os-anjos-choraram-esta-noite.html' title='...e os anjos choraram esta noite'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TS4UxfOezeI/AAAAAAAAAOo/yQfwCPdUJfI/s72-c/ghost.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-593383362790335665</id><published>2010-12-17T07:41:00.001-08:00</published><updated>2010-12-18T06:32:51.421-08:00</updated><title type='text'>Vento traz Érico Veríssimo à noite de hoje</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TQuEvfuW8BI/AAAAAAAAANs/oWEqtKYnAt8/s1600/erico%2Binterna.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 149px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TQuEvfuW8BI/AAAAAAAAANs/oWEqtKYnAt8/s200/erico%2Binterna.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5551676917168926738" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Diz-se por aí, que quando o vento sopra forte à noite, é porque os mortos estão em visita à Terra. Nesta noite, Érico Veríssimo (1905-1975) deve vir com o vento à percorrer lugares distantes de uma vida acabada. O escritor, morto há 35 anos, vem redescobrir o mundo nos 105 anos de seu nascimento.&lt;br /&gt;A ideia de se receber tais almas, pode ser resumida na frase "noites de vento, noite dos mortos", pertencente à trilogia "O Tempo e o Vento", uma de suas maiores obras.&lt;br /&gt; Érico, que transpassa sentimentos, contextos e lugares, é um dos destaques da Literatura Brasileira. Sua obra é extensa e abrange romances, contos, novelas, ensaios, além de textos voltados ao público infanto-juvenil e de inúmeras traduções. Gaúcho de Cruz Alta, tem seu Estado natal como palco de muitas de suas histórias.&lt;br /&gt; "É preciso agarrar o touro com as duas mãos", diz um de seus personagens ao aconselhar outro, aspirante a escritor. Este "outro", Floriano Cambará, componente dos últimos tomos de "O Tempo e o Vento",  nada mais é que o alter-ego de Érico: tímido, fechado em pensamentos, sensato, completamente avesso à violência e apaixonado por palavras.&lt;br /&gt;Homem de seu tempo, o autor reflete sobre a 2° Guerra Mundial (1939-1945), a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e o "Stalinismo" (1924-1953). Também presenciou o Estado Novo (1937-1945) e outras tantas situações conturbadas no Brasil e no mundo. Alguns de seus livros, como "México" (1957), "O Senhor Embaixador" (1965), "O Prisioneiro" (1967), isto sem falar no já citado "O Tempo e o Vento" (1949-1962), abordam marcos históricos e paradigmas, mesclando, em alguns casos, ficção com realidade. É a maneira de Érico registrar sua visão dos fatos, colocando em personagens suas dualidades internas.&lt;br /&gt;Pela importância de seus escritos e por seu talento, ganhou muitos prêmios no cenário literário, dentre eles "Prêmio Machado de Assis" (1934, 1954), "Prêmio Jabuti" (1965) e "Prêmio Intelectual do Ano" (1968). Seus textos não ficaram apenas trancafiados em livros, já que muitos foram adaptados ao cinema e à televisão.&lt;br /&gt;Vítima de um infarto fulminante, Érico deixou dentre seus órfãos, seu filho e também escritor, Luís Fernando Veríssimo, seus leitores e apreciadores, suas criações, textos inacabados (a segunda parte de sua autobiografia e esboços do livro "A Hora do Sétimo Anjo"), além de incontáveis ideias.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) homenageia Érico após sua morte:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A falta de Erico Verissimo* &lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Falta alguma coisa no Brasil&lt;br /&gt;depois da noite de sexta-feira.&lt;br /&gt;Falta aquele homem no escritório&lt;br /&gt;a tirar da máquina elétrica&lt;br /&gt;o destino dos seres,&lt;br /&gt;a explicação antiga da terra.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Falta uma tristeza de menino bom&lt;br /&gt;caminhando entre adultos&lt;br /&gt;na esperança da justiça&lt;br /&gt;que tarda - como tarda!&lt;br /&gt;a clarear o mundo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Falta um boné, aquele jeito manso,&lt;br /&gt;aquela ternura contida, óleo&lt;br /&gt;a derramar-se lentamente.&lt;br /&gt;Falta o casal passeando no trigal.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Falta um solo de clarineta.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;*extraído do site www.releituras.com.br&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-593383362790335665?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/593383362790335665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/593383362790335665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2010/12/vento-traz-erico-verissimo-noite-de.html' title='Vento traz Érico Veríssimo à noite de hoje'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TQuEvfuW8BI/AAAAAAAAANs/oWEqtKYnAt8/s72-c/erico%2Binterna.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-8208766521648698451</id><published>2010-11-30T04:28:00.001-08:00</published><updated>2010-11-30T05:08:15.190-08:00</updated><title type='text'>O encontro dos eus- 75 anos da morte de Fernando Pessoa</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TPTuEWzf6QI/AAAAAAAAANk/iqs0-ylYF9E/s1600/f.%2Bpessoa.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 142px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TPTuEWzf6QI/AAAAAAAAANk/iqs0-ylYF9E/s200/f.%2Bpessoa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5545318799808391426" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,&lt;br /&gt;Não há nada mais simples.&lt;br /&gt;Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.&lt;br /&gt;Entre uma e outra todos os dias são meus." &lt;br /&gt;Fernando Pessoa/Alberto Caeiro; Poemas Inconjuntos; Escrito entre 1913-15; Publicado em Atena nº 5, Fevereiro de 1925.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte é igual para todos. Em um dia como outro qualquer, tal como qualquer ser humano  que chega ao fim, morria Fernando Pessoa, um dos maiores nomes da literatura portuguesa e mundial. O poeta e escritor português Fernando António Nogueira Pessoa (1888-1935) não resistiu a uma cirrose hepática.&lt;br /&gt;Até então, Pessoa não passava de "gente comum" no mundo em que vivia. Sua obra bilíngue (português e inglês) não tinha destaques significativos dentro do cenário literário. O tempo passou, porém, os escritos de Pessoa ficaram e a partir de 1940 o público passou a apreciar sua maneira poética.&lt;br /&gt;Com 1,73m e dotado de uma personalidade excêntrica, Pessoa transpunha um pouco do seu "eu" múltiplo em seus poemas. Gostava de escrever por pseudônimos e de dar-lhes características próprias. Assim, Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Álvaro de Campos são três homens em um só.  Como em um jogo de palavras, suas condutas se interpõem e se complementam em interconexões; seus pseudônimos revelam-se aos poucos: “Eu.../ Imperfeito? Incógnito? Divino?/  Não sei.../  Eu...” (Álvaro de Campos, em “Eu, Eu Mesmo”); “E menos ao instante/ Choro, que a mim futuro,/Súbdito ausente e nulo/Do universal destino” (Ricardo Reis, em “Olho”);  Eu não tenho filosofia: tenho sentidos... / Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,/ Mas porque a amo, e amo-a por isso, (...)/Amar é a eterna inocência,/E a única inocência não pensar...” (Alberto Caeiro, em “II-O Meu Olhar”).&lt;br /&gt;Místico por natureza, Pessoa faltou a um encontro com a poeta brasileira Cecília Meirelles, que visitava Portugal e ansiava muito por conhecê-lo.  Mais uma vez o tempo age e Cecília o espera por cerca de duas horas. Ao retornar ao hotel, qual a sua surpresa ao deparar-se com um livro e um bilhete enviados por Pessoa? Ele escrevera que os astros não permitiam  tal encontro aquele dia.  E assim, Cecília conheceu de outra forma o seu poeta.&lt;br /&gt;Criado na África do Sul, a língua inglesa foi muito utilizada por Pessoa na composição de sua obra.  A multiplicidade também ronda o poeta  em seu modo de viver, pois entre suas atuações estão o jornalismo, a crítica, a tradução, a edição e a publicidade. &lt;br /&gt;A profundidade de seu ser é esmiuçada em cada frase por ele criada. O famoso poema “Tabacaria” expressa bem esta sua complexidade interior: “Não sou nada./Nunca serei nada./Não posso querer ser nada./À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo”.&lt;br /&gt;E os sonhos de Pessoa não terminaram com sua morte. Em seus últimos instantes, ele disse: “I don’t know what tomorrow will bring...” (“Eu não sei o que o amanhã trará...”)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-8208766521648698451?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/8208766521648698451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/8208766521648698451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2010/11/o-encontro-dos-eus-75-anos-da-morte-de.html' title='O encontro dos eus- 75 anos da morte de Fernando Pessoa'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TPTuEWzf6QI/AAAAAAAAANk/iqs0-ylYF9E/s72-c/f.%2Bpessoa.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-709691054299505466</id><published>2010-11-27T10:16:00.000-08:00</published><updated>2010-11-27T10:52:12.057-08:00</updated><title type='text'>Hoje o sol nasceu branco...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TPFRwq4-AjI/AAAAAAAAANc/r-YVUplom2U/s1600/sol%2Bbranco.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 130px; height: 98px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TPFRwq4-AjI/AAAAAAAAANc/r-YVUplom2U/s200/sol%2Bbranco.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5544302512858595890" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Hoje o sol nasceu branco e o dia ficou sem cor. &lt;br /&gt;Hoje o sol nasceu branco e a vida se ofuscou.&lt;br /&gt;O sol branco simplesmente paira no céu. É um grande círculo luminoso, tal qual uma coroa em chamas e irradia preocupação.&lt;br /&gt;Teria a chuva lavado o ouro de seu dia? Teria a chuva lavado o vermelho-tijolo de sua tarde? Ou teria o próprio sol secado as suas cores?&lt;br /&gt;O sol branco brilha nos olhos de quem o vê, infiltrando-se nas mais profundas pupilas. É o sol dos cegos, o sol dos loucos, o sol dos desesperados.Também &lt;br /&gt;é o sol dos esperançosos e fanáticos que rezam por um novo amanhecer.&lt;br /&gt;Hoje o sol está branco, o céu está parado e a vida dorme.&lt;br /&gt;Hoje o sol está branco e não queima, congela. Congela almas que vagam pelos umbrais, corpos perdidos em abismos, pessoas no meio da multidão. Seus raios rasgam a pele e perfuram a carne em maldição. &lt;br /&gt;Hoje o sol está branco e suas sombras são invisíveis; sombras pálidas de um não-amanhecer, sombras que deslizam sem pressa entre os mortais, agarrando-lhes as pernas, apertando-lhes as mãos.São sombras da noite em pleno dia.&lt;br /&gt;Hoje o sol nasceu branco e não haverá anoitecer. Seu crepúsculo será tal como anjos da morte que sobem ao céu em busca de piedade, flutuando em um não-tempo que não tem fim. Não haverá badalos de sino às seis da tarde, nem tímidas estrelas, nem pressa, nem nada. Quem olha o sol branco ouve frias melodias e sente brisas de calor; transpira por compaixão e suspira pela vida.&lt;br /&gt;Hoje o sol nasceu branco e eu nada sou além de um seu observador.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-709691054299505466?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/709691054299505466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/709691054299505466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2010/11/hoje-o-sol-nasceu-branco.html' title='Hoje o sol nasceu branco...'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TPFRwq4-AjI/AAAAAAAAANc/r-YVUplom2U/s72-c/sol%2Bbranco.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-3841640365750897477</id><published>2010-11-05T15:06:00.000-07:00</published><updated>2010-11-05T15:53:39.592-07:00</updated><title type='text'>O jardim do telhado</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TNSK3PtfCbI/AAAAAAAAANU/QrgBNIl_l64/s1600/DSC01177.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TNSK3PtfCbI/AAAAAAAAANU/QrgBNIl_l64/s320/DSC01177.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5536202523659930034" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O jardim do telhado nasceu das correntes do vento e das enchentes da chuva. É por isto, puro e belo e suas flores embalam sonhos, pensamentos e poesias.&lt;br /&gt;O jardim do telhado olha a cidade lá embaixo e suspira por estar tão só.&lt;br /&gt;As flores do jardim do telhado beijam o céu, sentem as nuvens e levam o seu perfume até o olfato das brilhantes estrelas. Também trocam segredos de ouvido com a lua, causando inveja no grande sol.&lt;br /&gt;O jardim do telhado brinca de voar pelo mundo, quando suas pétalas esgorregam pelas telhas e voam pela primeira vez por outros mundos.&lt;br /&gt;O jardim do telhado pensa que é o horizonte: sempre deitado, é sempre apreciado e sua beleza é o limite de tudo.&lt;br /&gt;As flores do jardim do telhado choram orvalhos de silêncio, caladas na altitude não almejada.&lt;br /&gt;As flores do jardim do telhado amam secretamente. Amam as borboletas e joaninhas que visitam suas folhas e poléns. Amam os gatos que miam em seu telhado durante à noite, sem se importar com elas.&lt;br /&gt;Mas o jardim do telhado é amado por uma menina, que contempla suas flores e sua simplicidade por horas a fio. Ela quer a sua beleza, ela quer a sua pureza, ela quer a amizade com os seres do céu. A menina quer simplesmente virar uma flor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-3841640365750897477?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/3841640365750897477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/3841640365750897477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2010/11/o-jardim-do-telhado.html' title='O jardim do telhado'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TNSK3PtfCbI/AAAAAAAAANU/QrgBNIl_l64/s72-c/DSC01177.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-1784384569031377531</id><published>2010-10-05T07:11:00.000-07:00</published><updated>2010-10-05T07:28:03.033-07:00</updated><title type='text'>Auto-Retrato</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKs14WjRjRI/AAAAAAAAANM/1Rl3oIFiW3E/s1600/imagesCA8UQNXT.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 184px; height: 256px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKs14WjRjRI/AAAAAAAAANM/1Rl3oIFiW3E/s320/imagesCA8UQNXT.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5524568610142522642" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Olho o meu retrato. Como pode uma máquina me retratar assim? Não são meus estes cabelos brancos e finos; não são minhas estas rugas que sugam a minha juventude. Também não possuo estes olhos sem brilho e nem esta boca murcha.&lt;br /&gt;Olho o meu retrato. Quem me deu este ar de doente e acabada? Quem fez com que minhas mãos se tornassem frias e sem vida? O xale que me envolve cobre a nudez acabada de meu colo. Como que esta pode ser eu?&lt;br /&gt;Olho o meu retrato mais uma vez. Um choro silencioso lava o meu ser. Quem sabe lavando-me e mandando para bem distante esses detalhes que me cobrem, eu torne a me reconhecer?&lt;br /&gt;Onde ficou a minha juventude? Onde está o brilho que iluminava a minha pele e os meus olhos? Onde está a maciez de minhas mãos e a frescura do meu corpo? Onde está?&lt;br /&gt;Reviro outros álbuns fotográficos e neles encontro o que queria. Esta sim, sou eu, linda e jovem. Perfeitamente perfeita.&lt;br /&gt;Olho o meu retrato uma, duas, três vezes e me reconheço. Como pode uma máquina me retratar assim?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-1784384569031377531?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/1784384569031377531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/1784384569031377531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2010/10/auto-retrato.html' title='Auto-Retrato'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKs14WjRjRI/AAAAAAAAANM/1Rl3oIFiW3E/s72-c/imagesCA8UQNXT.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-6597076384055944595</id><published>2010-10-01T10:46:00.000-07:00</published><updated>2010-10-01T13:38:02.535-07:00</updated><title type='text'>Tremo e T'Amo</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKYuG5jXrKI/AAAAAAAAAM8/sJfTblIo-Yg/s1600/cezanne.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 259px; height: 194px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKYuG5jXrKI/AAAAAAAAAM8/sJfTblIo-Yg/s320/cezanne.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5523152689079757986" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O sopro cruel do destino levou para longe cada um daqueles dois corações. Era uma noite escura e fria e sem estrelas, que dava espaço apenas para as nuvens no céu. Nuvens carregadas de tempestade. Ele, ainda com o chapéu em uma das mãos, saiu sem nada dizer e nem mesmo olhou para trás. Ela, com grossas lágrimas no olhar, sufocava-se em soluços. Não quis observá-lo partir pela última vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi em uma tarde quente de fevereiro que aquela carta chegou. Escrita com letras grandes e trêmulas e lida com olhos arregalados e hipnóticos, ficou manchada com a tinta borradeira da caneta e com o choro que caia no papel. Quem a escreveu, lembrou-se somente da amada no momento do fuzilamento. Quem a leu, morreu de desgosto oito meses depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As horas insistiam em passar e ela não chegava. Seu companheiro, um rapaz de 22 anos, chacoalhava a perna direita de ansiedade, sentado em uma cadeira na confeitaria. Namoravam há quase dois anos e fazia dez dias que não a via, devido a uma curta viagem que ela fazia. Ela é linda, inteligente e sexy, dizia ele ao amigo mais chegado. Ele tem bom papo, um bom carro e será engenheiro em breve, contava ela às amigas. Naquele dia ela não apareceu. E nem no outro. O rapaz nunca mais a viu. Soube, anos mais tarde, que ela casara-se com um outro rapaz que conheceu durante aquela viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O casamento durou exatamente 48 anos, 7 meses, 3 semanas e 4 dias. Foram muitas as horas felizes, foram muitos os segundos de satisfação. Mas agora, como em um passe de mágica, tudo acabara. Ele jazia em seu caixão preto e florido, as mãos cruzadas, a pele pálida e serena. Ela o contemplava como quem contempla uma flor: os olhos parados, meigos e transbordantes. Como seria acordar sem tê-lo ao lado? Como seria respirar sem a sua companhia? Como seria caminhar na praia sozinha? E à noite, quando as estrelas saíssem, como seria olhar para aquele céu sem que ele dissesse que ela era a estrela mais brilhante? Como seria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A garota de vestido vermelho observava assustadamente o garoto de camisa verde beijar a garota de saia amarela. Pareciam estar felizes e aquele parecia ser o mais doce dos beijos. O sangue fluía quente dentro da garota de vestido vermelho, que tornava-se cada vez mais branca. “Ele não tinha este direito”, seu coração gritava! Chorou em seu quarto por longas semanas, até que um dia, acordou animada e decidiu passear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras eram digitadas diariamente. Palavras que não tinham fim. Sentimentos que se acoplavam a elas, formando uma delicada corrente de paixão. O computador era o lugar de encontro deles e seu teclado e câmera o meio de expressão. Nunca tinham se visto antes, a não ser por ali. Mares e montanhas separavam seus corpos. Mares e montanhas não impediam aquele amor. Até quando o destino prolongaria aquela esperança de um possível encontro real?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sangue manchava a neve. O sangue tirava-lhe a vida. Não havia quem pudesse ajudá-lo ali, naquele lugar. Só havia ele, a neve e agora, a escuridão. O inimigo o atingira e vencera. A medida que o sangue ia esvaindo-se, perdia também tudo o que conquistara até aquele momento: sua saúde, sua família e amigos, seus troféus na natação, suas risadas, seus sonhos, seu grande amor.  Muitos quilômetros além de onde ele jazia, ela pensava nele. Olhava pela janela a paisagem lá fora com suas pessoas e movimentos, na esperança de que ele pudesse surgir no meio delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tremo e T’Amo&lt;/strong&gt;(&lt;em&gt;T. Ferro/G. Servillo)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;T’amo e tremo&lt;br /&gt;Disse la donna&lt;br /&gt;Al suo soldato&lt;br /&gt;Che non tornava&lt;br /&gt;La sua voce&lt;br /&gt;Nel vento correva&lt;br /&gt;Sopra la neve&lt;br /&gt;Dove lui combatteva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tremo e t’amo&lt;br /&gt;Disse e piangeva&lt;br /&gt;Nel buio della sala&lt;br /&gt;Qualcuno rideva&lt;br /&gt;Per far torto alla paura&lt;br /&gt;A questo amore che già finiva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Il ricordo tradisce la mente&lt;br /&gt;Il soldato non sente più niente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;D’improvviso&lt;br /&gt;Fu preso alle spalle&lt;br /&gt;Dal suo nemico&lt;br /&gt;Che strano parlava&lt;br /&gt;Delle rose, del vino e di cose&lt;br /&gt;Che un’altra vita gli prometteva&lt;br /&gt;Ma quante spose&lt;br /&gt;La guerra taglieva&lt;br /&gt;Dalle braccia della prima sera&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tremo e ho freddo&lt;br /&gt;Disse il soldato&lt;br /&gt;Al suo nemico che lo guardava&lt;br /&gt;La sua voce nel vento restava&lt;br /&gt;Sulla platea che muta ascoltava.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-6597076384055944595?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/6597076384055944595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/6597076384055944595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2010/10/tremo-e-tamo.html' title='Tremo e T&apos;Amo'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKYuG5jXrKI/AAAAAAAAAM8/sJfTblIo-Yg/s72-c/cezanne.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-2993685245372650395</id><published>2010-10-01T09:24:00.000-07:00</published><updated>2010-10-01T09:26:58.115-07:00</updated><title type='text'>A Transição da Loucura</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKYLxlnow5I/AAAAAAAAAM0/ZQydpBvpxEc/s1600/untitled.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 144px; height: 144px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKYLxlnow5I/AAAAAAAAAM0/ZQydpBvpxEc/s200/untitled.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5523114939556348818" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Estepe, como bem explicam os geógrafos, é um tipo de vegetação rasteira, com uma coloração entre o verde-claro e o amarelo, onde não se encontram árvores e cujo clima é frio e seco. Assim como em todos os outros lugares da Terra, este tipo de paisagem também tem animais e homens entre os seus habitantes, como os “homens-homens”, os “lobos-animais”,  os “homens-animais” e os “homens-lobos”. Uma gama de espécies, variações de estilos, limitações de apenas existir; um espaço de transição entre  a savana e o deserto. &lt;br /&gt;É comum observar que o ‘interespaço’ de lugares e de situações normalmente são deixados de lado em muitas análises. Tende-se sempre a realçar o fato de forma geral,  o que pode dar a ele uma caracterização por vezes enfadonha; as citações e enumerações de seus elementos também são maneiras clássicas de abordagem do objeto. Com tais atitudes, encerra-se uma respeitosa pesquisa de algo, em que apenas mencionam-se o passado, o presente e o futuro. Já as  entrelinhas, como de costume, são deixadas de lado, mais uma vez.&lt;br /&gt;Mas com toda a certeza, esta não é a opinião do escritor alemão Hermann Hesse (1877-1962) e do seu clássico e mais consagrado livro “O Lobo da Estepe*”, escrito em 1927. É na transição de um clima- que aí, não se refere apenas ao geográfico, mas também às situações, principalmente às de humor- que o autor desenha seu personagem. Harry Haller é o nome dele, um alemão em torno dos 50 anos, com boa aparência, boa cultura e o que mais se pode chamar de “bom” perante à pequena e grande burguesias, mas de hábitos internos condenáveis. Um ser que desdenha muitas coisas (a começar pela própria burguesia), um total anti-social,  um aquariano não lunático, um rebelde em opiniões, um agressor de simpatias. Afinal, o que mais esperar de alguém que abriga um dos lobos da estepe em seu próprio interior? Corpo de homem, alma de lobo, melhor dizendo.&lt;br /&gt;O livro possui duas partes bem curiosas: o prefácio e o posfácio. O primeiro não foi escrito por algum tradutor que leu Hesse, mas sim, pelo próprio. Ou melhor, por um personagem. É uma visão de alguém que conviveu de perto com o Lobo da Estepe, conhecedor de muitos de seus hábitos (reservados, diga-se de passagem), de sua personalidade introvertida. O sobrinho da dona da pensão onde Haller mora tece comentários pertinentes sobre ele: indaga seu comportamento por vezes arredio, aponta detalhes de sua aparência, e por fim, mostra-se simpático por este ex-inquilino da pensão.&lt;br /&gt;Já no posfácio, o próprio Hesse ele mesmo é quem aborda, de fato, o seu próprio livro. Há sinais de indignação em suas frases ali escritas. Não se trata, com toda a certeza, de uma indignação contra ele mesmo ou contra algum de seus personagens, mas sim, contra alguns que leram a obra. Nesta parte, ele tenta melhor explicar sua história, apontar interpretações. Tamanha é a paixão dos leitores pelo homem-lobo (há os que digam terem um lobo da estepe morando dentro de si também), que muitos se esquecem de outros temas abordados na obra, como a questão do contexto de um mundo pós-Primeira Guerra (1914-1918)- em que todos os alemães sentem-se frustrados por a terem perdido, com exceção de Harry Haller-, além dos hábitos da vida burguesa e dos medos e anseios que envolvem qualquer ser humano.  Obviamente o autor não condena por todo o seu público, já que a interpretação é algo muito pessoal de cada um. Porém, esta sua pequena “queixa” faz repassar e reforçar pela mente muitas das situações vividas pelo personagem.&lt;br /&gt;O Teatro Mágico: quem não gostaria de ir a um, onde portas são constantemente abertas e um profundo mundo de fantasias é colocado à disposição? Só que para frequentar este lugar é preciso antes de tudo, ser ‘raro’, ou melhor, ser ‘louco’. A inscrição no papel do homem que caminha por sobre as poças de água é clara: “Teatro Mágico- só para raros, só para loucos”. Um lugar perfeito para testar a “insanidade” do Lobo da Estepe. Seus amigos Hermínia, Paulo e Maria também se encontram por lá. A cada porta aberta, uma enorme surpresa paira em frente aos olhos do homem-lobo, do lobo-homem. Homem e seu lobo encontram-se livres, soltos a percorrem as mais estranhas experiências. São milhares de Harrys com seus lobos a correrem  pelo lugar, são antigas paixões a serem vivenciadas novamente, são momentos de tensão e crueldade, onde apenas a sobrevivência importa. “Só para l-o-u-c-o-s”, de fato.&lt;br /&gt; Hermínia, Paulo e Maria são fabulosos em suas personalidades, completamente opostas a do Lobo da Estepe. E é justamente quando Hesse confronta este modo de agir e de pensar de suas criaturas que o livro adquire a “hiper-interpretação” dos leitores por Harry Haller. É evidente o choque que este frente-a-frente de posturas crie uma atmosfera de cumplicidade pelo Lobo da Estepe. Talvez este seja o ponto crucial não notado pelo escritor em seu posfácio.&lt;br /&gt;Um livro diferente em termos de enredo e cativante em termos literários, mas que não foi escrito para qualquer leitor. Tal como o Teatro Mágico, foi feito “só para raros, só para loucos.” Só sendo realmente “louco” para compreendê-lo em sua totalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Tradução de: Barroso, Ivo. Record. São Paulo. 2000.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-2993685245372650395?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/2993685245372650395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/2993685245372650395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2010/10/transicao-da-loucura.html' title='A Transição da Loucura'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKYLxlnow5I/AAAAAAAAAM0/ZQydpBvpxEc/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-1662987829732659208</id><published>2010-09-30T12:18:00.000-07:00</published><updated>2010-09-30T12:21:48.507-07:00</updated><title type='text'>Rabiscos</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTjMhIh3CI/AAAAAAAAAMM/pkpCxJ5PI0Y/s1600/imagesCABCHU4Z.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 145px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTjMhIh3CI/AAAAAAAAAMM/pkpCxJ5PI0Y/s200/imagesCABCHU4Z.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5522788847255149602" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Estou perdidamente apaixonada. É uma emoção tão forte que invade meu peito, que domina minha mente e que me faz ficar em nostalgia por horas a fio. Oh, paixão, como te arrancar do meu peito?&lt;br /&gt;O nome dele é Louis. Um belo rapaz com pouco mais de 200 anos de vida. Parece muito, não é? Pois saiba que o meu Louis é o tipo mais lindo da beleza masculina eternizada em um corpo de 24 anos. Pele branca como uma rosa incolor, olhos verdes de lago, sugador de sangue.&lt;br /&gt;Ah, mas é claro que o vampiro de que vos falo não é o meu único amante platônico. Divido meus pensamentos também, com tantas outras formosuras literárias. São tantos heróis, vilões (sim!), aventureiros, personagens comuns. Todos se acoplam a minha pessoa e passam a me constituir. Eu sonho, recordo, viajo, brigo, perdoo, rio, choro, amo e odeio juntamente com eles por tantas vezes...&lt;br /&gt;Ainda tenho esperanças de achar rastros de Maurício Babilônia por aí. E lembro-me muito bem de como fazer: basta seguir as borboletas! Tudo bem que ele é um rústico e como toda pessoa rude, não pensa, apenas faz! Pelo menos restam de suas ações as tão delicadas e coloridas borboletas...&lt;br /&gt;Senti uma pontada no coração quando soube de Vanda, uma cadelinha vira-lata que teve em seu destino uma tão forte sensação. Vanda-Valentina, Valentina-Vanda. Animais tão humanamente vividos, tão marcantes e sensíveis em suas existências e que hoje deixam apenas saudades. Talvez, se eu tivesse um pouco de Ana, a grande matriarca da família Terra, a lacuna aqui dentro fosse um pouco menor.&lt;br /&gt;Mas uma coisa tenho que confessar: eu também vi um chapéu! É tão triste saber que a infância ficou para trás e que aquela inocência já não existe mais. Bom, pelo menos eu me esforço para ver um elefante dentro de uma jibóia, mas não sei se “está valendo”... (está Pequeno Príncipe?)&lt;br /&gt;Ah! E como adorei pegar carona com o hilário Sal Paradise e percorrer os Estados Unidos de leste a oeste e de norte a sul!!! É claro que também rodei meio mundo com o sr Fogg e Passepartout, além de ter embarcado também na companhia da “Menina Má”.&lt;br /&gt;É, com toda certeza amar faz bem. Como adoro estes meus amantes e companheiros! É tão bom ir visitá-los...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem quiser ir também ao encontro deles, basta abrir as páginas de:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-"Entrevista com o vampiro"/"O vampiro Lestat"/"A história do ladrão de corpos"/"O vampiro Armand"/"Merrick"- Anne Rice&lt;br /&gt;Louis du Point du Lac&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-"Cem anos de solidão"- Gabriel García Márquez&lt;br /&gt;Maurício Babilônia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- "Tristano morre"- Antonio Tabucchi&lt;br /&gt;Vanda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-" O tempo e o vento- 1° livro de "O Continente"/"Ana Terra"- Érico Veríssimo&lt;br /&gt;Ana Terra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-"O pequeno príncipe"- Antoine de Saint-Exupéry&lt;br /&gt;O Pequeno Príncipe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-"On the road"- Jack Kerouac&lt;br /&gt;Sal Paradise&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-"A volta ao mundo em oitenta dias"-Julio Verne&lt;br /&gt;Mr.Fogg e Passepartout&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-"Travessuras da menina má"- Mario Vargas Llosa&lt;br /&gt;Menina Má&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-1662987829732659208?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/1662987829732659208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/1662987829732659208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2010/09/rabiscos.html' title='Rabiscos'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTjMhIh3CI/AAAAAAAAAMM/pkpCxJ5PI0Y/s72-c/imagesCABCHU4Z.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-8054855114533132301</id><published>2010-09-29T06:18:00.000-07:00</published><updated>2010-09-29T06:24:07.012-07:00</updated><title type='text'>As Fronteiras do Infinito (e a Internet no meio delas)</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKM97aXDg0I/AAAAAAAAAME/13I062jvn2s/s1600/untitled.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKM97aXDg0I/AAAAAAAAAME/13I062jvn2s/s200/untitled.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5522325658983957314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Grande parte da população vive atualmente em dois mundos: o real e o virtual. O primeiro refere-se aos lugares sociais por ela frequentados em pessoa física, como ambientes familiares, de trabalho, de estudos, de lazer entre outros. O segundo, deve-se a tudo isto e ao que mais proporcionar a internet, acoplados a uma presença não tão “presencial” assim. Isto quer dizer que qualquer pessoa pode estar na Rússia, na Indonésia ou na França ao mesmo tempo, mas sem nunca ter saído do Brasil. Eu mesma, que escrevo este artigo, em quantos lugares distantes estou neste momento? Onde estão vocês, meus leitores? Quem sabe nos Monte Urais, ou nas Ilhas Malvinas ou ainda no Sítio do Cabral? Eu estou em Pindamonhangaba e juro que não saí daqui em nenhum momento!&lt;br /&gt;Os usuários de internet (que no Brasil chegaram a quase 38 milhões de pessoas em março) que navegam por lugares nunca antes navegados, possuem uma ampla variedade de ferramentas que possibilitam o acesso ilimitado, muitas vezes, à pessoas, lugares e fatos. Escrever uma carta, selá-la, colocá-la no correio e esperar o tempo em que será recebida e lida é algo raro praticado por aqueles que vivem na virtualidade: manda-se logo um e-mail, o chamado “correio eletrônico virtual”. É engraçado falar, mas na minha época (nem faz tanto tempo assim, só tenho 24 anos) os diários eram completamente confidenciais e ai daqueles que os lessem! Hoje, com a popularização da internet e com a criação de sites de cunho cada vez mais expositivos, como blogs e Twitter, a moda é justamente ser lido e expor-se! Contar como foi o seu dia, que você está agora almoçando, que o seu cachorro está doente e que logo mais você sairá com o seu novo namorado é algo cada vez mais comum nos sites sociais. Isto sem falar nos de relacionamento, como Orkut (febre no Brasil, com mais de 25 milhões de usuários no país), Facebook (líder nos Estados Unidos), Sonico, My Space entre tantos outros, com seus perfis que possibilitam colocar vários tipos de informações pessoais sobre o usuário, com seus espaços para fotos, suas páginas de recado simultânea, suas comunidades que agregam interesses e opiniões semelhantes.  É uma nova forma de se mostrar, de dizer quem é e até onde vai.&lt;br /&gt; E o que não falar dos chats, salas de bate-papo on-line, onde as pessoas encontram-se em uma tela de computador e ali conversam sobre o que bem entenderem (há os que afirmam que esta é a maneira mais fácil de se dizer “certas coisas”)? Muitos namoram por este meio e até se apaixonam, mas um casamento virtual, eu confesso que deve ser meio estranho: a noiva em um computador, o noivo em outro, cada convidado com o seu e então, faz-se do casório uma video-conferência? Há loucos para isto?&lt;br /&gt;Se para unir os trapos, eu nunca vi algo de fato,  no mundo virtual, uma coisa eu garanto: é possível trabalhar e estudar apenas com um computador conectado à rede. Esta é uma das mais recentes novidades do mundo moderno (real ou virtual?): assistir aulas universitárias (e formar-se em um curso desta maneira), dar aulas à milhares de alunos simultaneamente espalhados por todo o país, fazer reuniões de trabalho, trocar informações. Até mesmo viver uma vida que não é a sua é possível e não me refiro às mentirinhas que os internautas contam em seus perfis para amenizar alguma característica sua que não lhes agrada. Falo em relação aos mais diversos tipos de jogos, onde os usuários criam personagens, fazem seus comportamentos e decidem cada um de seus passos. Quem jogou (ou ainda joga) The Sims sabe do que estou falando. É realmente ser o que quiser.&lt;br /&gt;No meio de toda esta gama de informações e pessoas que não param de chegar, eu até me confundo: onde estou agora, no mundo real, em que pessoas, sons e objetos me cercam, mas não conseguem prender por completo a minha atenção, ou estou no mundo virtual, onde estas palavras ficarão presas e um número incontável de seres com seus sons e objetos, irá apreendê-las para tentarem captar um pouco de mim? Existem fronteiras entre o real e o virtual?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-8054855114533132301?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/8054855114533132301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/8054855114533132301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2010/09/as-fronteiras-do-infinito-e-internet-no.html' title='As Fronteiras do Infinito (e a Internet no meio delas)'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKM97aXDg0I/AAAAAAAAAME/13I062jvn2s/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-1775659412964774974</id><published>2010-09-14T06:35:00.000-07:00</published><updated>2010-09-15T17:06:00.159-07:00</updated><title type='text'>Metamorfose</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TI-46mwzIrI/AAAAAAAAAL0/4xW58EEYVHk/s1600/borbo.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TI-46mwzIrI/AAAAAAAAAL0/4xW58EEYVHk/s200/borbo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5516831385529295538" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Todos sabemos o que acontecerá com certas borboletas que se aventuram a voar por onde não devem. Se voam sobre algum rio, viram lambaris; se sobre o mar, tornam-se camarões.&lt;br /&gt;Não é por acaso que quando encontramos alguém que costuma ser muito distraído e sonhador, e que sempre se arrisca em algo completamente sem fundamento, logo o chamamos de "cabeça de borboleta".&lt;br /&gt;De fato, as borboletas possuem cabeças de borboleta já que saem a bater livremente suas asinhas coloridas por onde bem entenderem. E se infiltram por entre jardins, e fazem piruetas em vasos nas janelas,e rodopiam nas florestas e bosques...No meio de tudo isto, encontram o perigo de um predador, de um caçador ou de um feiticeiro.&lt;br /&gt;Faz muitos anos, quando as borboletas eram apenas uma das muitas espécies de animais existentes no planeta, uma delas, de coloração preta e amarela, estava a voar próximo de um garotinho que brincava de contar formigas. Sabendo que era encantadora, começou a assanhar suas asas aveludadas ao redor da criança. Ao ver tanta beleza em um ser tão delicado, o pequeno menino decidiu abandonar as feias formigas e acompanhar a borboleta. Sem dúvida, aquele era o ser mais belo dentre toda a floresta e ele queria muito poder pegá-la e guardá-la consigo, para que um dia, quando fosse o maior feiticeiro do mundo, tal como o seu pai era naquele momento, poder transformá-la na mais bela princesa que os povos já viram.&lt;br /&gt;Foi andando e andando, atravessando corredores e corredores de árvores, filas e filas de flores, deparando-se com diversos animais no caminho. Mas nada daquilo o garotinho via. Seus olhos estavam grudados na tonalidade negro-amarela da borboleta e em seus movimentos, que insistiam em voar para cada vez mais longe, até atingir o fim da mata e encontrar-se com o mar.&lt;br /&gt;Sempre seguindo em frente, a linda borboleta sacudia, agora, suas asas acima das ondas. Estas iam e vinham e o menino, ainda a contemplar tamanha formosura, nem se deu conta de que adentrava o grande e misterioso mar. Foi caminhando cada vez mais fundo, os olhos fixos na borboleta lá em cima, olhos que se inundavam de uma água pesada e salgada. Quando o olhar da criança inundou-se por completo e ele não pode mais retornar, a enigmática borboleta preta e amarela mudou o bater de suas asas e resolveu modificar o seu percurso.&lt;br /&gt;Mas o poderoso feiticeiro, pai do garotinho, que àquelas alturas já descobrira o paradeiro de seu filho desaparecido há horas, resolveu se vingar. Reuniu os maiores ingredientes que possuía e aliados à sua ira, repetiu 88 vezes: "Ó,forças da natureza tirem a malícia das borboletas! Forças da natureza,aprisionem as borboletas nas profundezas!".&lt;br /&gt;A linda borboleta que ainda tentava se afastar das ondas do mar, subitamente foi perdendo forças e começou a cair. Atingiu as mesmas águas que agora cobriam o garotinho e com ele lá ficou. Mas perdeu também a sua beleza e no lugar de suas fascinantes asas cresceu uma grossa casca de aspecto repugnante. Suas belas antenas tornaram-se barbatanas e aquela que um dia foi uma borboleta, agora não passava de um desajeitado camarão.&lt;br /&gt;Desde então, todas as borboletas que são atraídas pela força das águas e por elas se apaixonam, acabam tornando-se reféns de suas próprias ingenuidades.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-1775659412964774974?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/1775659412964774974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/1775659412964774974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2010/09/lenda-das-borboletas.html' title='Metamorfose'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TI-46mwzIrI/AAAAAAAAAL0/4xW58EEYVHk/s72-c/borbo.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-194684506737237018</id><published>2010-09-11T11:45:00.000-07:00</published><updated>2010-09-11T11:50:09.706-07:00</updated><title type='text'>Os pássaros de Maciel</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TIvOQzACktI/AAAAAAAAALk/uHnPb6FNYls/s1600/untitled.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 140px; height: 198px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TIvOQzACktI/AAAAAAAAALk/uHnPb6FNYls/s320/untitled.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5515728956608910034" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quem eu me vejo no espelho?”, pergunta uma voz saída das páginas de “Retornar Com Os Pássaros” (Ed. Leya, 72 páginas, 2010), novo romance de Pedro Maciel. “(...) Às vezes, penso que sou o máximo de mim quando sou você”, comenta a voz, para em seguida, indagar mais uma vez: “Você me entende?”.&lt;br /&gt;Para compreender esta obra é necessário que o leitor venha munido basicamente de duas coisas: um baú e um espelho.  O primeiro, para retirar lembranças, livros, anotações, fotografias e sensações dadas por perdidas e colocá-las todas em cima da cama, fazendo com que revivam por alguns segundos, para depois substituí-las no baú por objetos e momentos presentes. O segundo, para contemplar-se  com o narrador. Juntos, suas imagens refletem detalhes, imperfeições e um “eu” que não necessariamente corresponde a eles próprios:  “Quem eu me olho no espelho?” é o questionamento feito o tempo todo e de todas as formas.&lt;br /&gt;Aliás, a palavra ‘tempo’ é uma das mais frisadas pelo autor. Em  “Como Deixei de Ser Deus” (Topbooks, 2009), o narrador situa-se em um tempo de todos os tempos, em que os anos são relativos e as datas sem cronologia. Na obra atual, o contexto segue novamente a linha de uma universalidade atemporal, porém mais situacional, porque Maciel relembra à personagem do início da formação do Universo, da Terra, do Sol e das estrelas, abordando conceitos de áreas como Física, Religião e Biologia, sem se esquecer da própria História e Filosofia. Isto cria uma atmosfera de climas diversos, em que o leitor, ao divagar por cada uma delas, depara-se com a base de um conhecimento em eterna construção.&lt;br /&gt; O narrador é somente um elemento entre todos os habitantes do planeta. Sua singularidade não permite com que seja o representante ideal da espécie humana (haverá um representante ideal?), mas sua pluralidade de “eus” faz com que pertença a este grupo.  “Mudam-se os personagens, mas não a trama que tece a história. A História vem sendo reescrita a ponto de tornar-se paródia”, comenta aquele que narra. Fruto de histórias de tempos passados e futuros (“Um dia vou retornar com os pássaros”), de fatos e causos, de ciência e de mitos, de verdades e de mentiras, o narrador-ser humano também é o narrador-autor. Maciel confirma sua presença atrás da personagem, quando justifica a sua obra: “Eu me propus a escrever um livro enciclopédico, mitológico e cosmogônico. Um romance do Universo, escrito por alguém que não é astrofísico. (...) O que narro encontra-se entre o que poderia ter sido dito e não foi, entre o que é dito e o que não é dito”.&lt;br /&gt;Essa presença inesperada do escritor-ele mesmo, para em seguida prosseguir o relato da personagem remete a um tipo de paradoxo irreverente na literatura: até que ponto a história fictícia é real?; até que ponto o narrador  fala por si mesmo? Exemplos não faltam de obras em que alguma personagem é o alterego de quem a escreve (como é caso da personagem Henry Chinaski, criada pelo escritor americano Charles Bukowski (1920-1994)) e Maciel reforça esta ideia ao questionar momentos que podem ter sido seus. Encontra-se aí a maneira mais simples de cumplicidade entre quem escreve e quem lê: compartilhar indiretamente o que se é; aceitar o que se recebe e incorporar um pouco daquilo a si próprio.&lt;br /&gt;Há também a quebra de parâmetros ao  se escrever um romance de 72 páginas, em que apenas as folhas do lado direito são preenchidas por textos. Estes, por sua vez, contém toda a profundidade necessárias para alguém que tece comentários sobre a sua espécie, seu mundo e sua vida. Os títulos de cada capítulo são frases retiradas do capítulo anterior, como se cada pequeno texto ali presente fosse uma parte de um todo universal e que precisasse ser costurado um a um para estar completo. Maciel, mais uma vez justifica-se: “(...) é bom ressaltar que a minha ideia é instaurar inovações formais para questionar a estrutura do romance. (...) Penso que não por casualidade a nossa época é a do conto, do romance breve, do testemunho autobiográfico (...).”&lt;br /&gt;Talvez, este seja o livro das antíteses, onde frases e palavras opoem-se naturalmente umas às outras. Porém, há harmonia em suas negações afirmativas e a conclusão nunca é antagônica. A voz que pergunta, afirma e nega é a que sai de um narrador que nem sempre está ali. Estar e não estar presente. Pertencer e não pertencer. ‘Ser ou não ser, eis a questão’, diz o Hamlet de Shakespeare, título de um dos capítulos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-194684506737237018?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/194684506737237018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/194684506737237018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2010/09/os-passaros-de-maciel.html' title='Os pássaros de Maciel'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TIvOQzACktI/AAAAAAAAALk/uHnPb6FNYls/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-8155841295943007857</id><published>2010-08-09T07:31:00.000-07:00</published><updated>2010-08-17T11:49:51.724-07:00</updated><title type='text'>Família Medo</title><content type='html'>A família Medo encontra-se reunida para jantar: pai, mãe e três filhos estão ao redor da mesa, mastigando alimentos enquanto uma enorme fome interior devora-os por dentro. Fome de angústia, fome de cansaço, fome de lutar. A família Medo evita falar o que quer que seja, ali, naquele espaço, mas também quase não diz nada no trabalho, na escola ou na rua. &lt;br /&gt;O pai olha atento para todos os lados, como a procurar algo ou alguém que os pudesse perturbar e só após se certificar de que não há nada estranho ao redor, volta a fazer a sua refeição. A mãe treme toda e sente calafrios por todos os poros do corpo. Faz preces seguidas, mas sem mudar o conteúdo de todas aquelas orações: quer o fim de todo aquele pavor. Quem mais parece ter serenidade naquela mesa são as crianças: comem tentando ignorar que não estão vendo seus pais temerosos. Porém, elas sabem que logo após o jantar, elas deverão ir dormir e os pesadelos virão.&lt;br /&gt;Alguém bate à janela três vezes. Todos se sobressaltam. A mãe ergue os olhos, o pai pula da cadeira, os filhos param de mastigar. A família Medo se agita. Quem será? Provavelmente um assaltante tentando roubar-lhes os bens, ou então, um sequestrador que os fará de refém por dias ininterruptos, quem sabe ainda, um assassino cruel, pronto a degolá-los. Mas não era nada disto, era apenas o vento que esbarrou na janela, na tentativa de circular por aquela sala tensa.&lt;br /&gt;"Minha avó dizia que quando o vento bate em uma casa três vezes, é sinal de que tempos difíceis virão", comentou a mãe Medo. O pai nada disse e mais uma vez, certificou-se de que nada havia para daí, poder voltar a jantar.&lt;br /&gt;Alguns breves minutos se passaram quando o segundo dos três filhos resolve abrir a boca para falar: "E se a comida estiver envenenada?". Instantaneamente ouve-se diversos tilintares de garfos e facas por sobre os pratos. A família Medo troca olhares entre si. A mãe vai com a mão à boca, apavorada. "Meus filhos, meus filhos", ela pensa. O pai acha inadmissível que até aquele momento, ele, o responsável pela proteção de todos os Medos ali presentes, não tenha pensado naquela possibilidade. As crianças, um pouco pálidas pelo susto, olham para os pais, esperando a decisão que eles irão tomar.&lt;br /&gt;"Infelizmente, não há mais nada a se fazer", lamenta o pai Medo e começa a derramar grossas lágrimas. Então, todos se levantam e se abraçam e caminham juntos para o sofá mais próximo. Medos entrelaçados e ali, a expectativa de que o pior aconteça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-8155841295943007857?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/8155841295943007857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/8155841295943007857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2010/08/familia-medo.html' title='Família Medo'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-4246390929476955978</id><published>2010-07-14T21:40:00.000-07:00</published><updated>2011-05-26T05:13:42.301-07:00</updated><title type='text'>O silêncio que toca</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TD6RkOsN0hI/AAAAAAAAALM/uQSK9u_NGkI/s1600/van+gogh.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 152px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TD6RkOsN0hI/AAAAAAAAALM/uQSK9u_NGkI/s200/van+gogh.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493988647043453458" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele momento, o rádio estava ligado e tocava silêncio. Notas flutuavam por toda aquela sala e rodeavam cada móvel, onde acabavam caindo dentro do vaso com margaridas secas de Dona Eulália, ou pousando no aparador do canto ou ainda, sentando-se na poltrona de Seu Alberto. As notas mais ousadas não se contentavam em permanecer por ali e seguiam em frente, rumo ao quarto de Pedrinho, à cozinha de Marieta, à garagem de Heitor; até mesmo a almofada da gata Lilás era tomada por elas! Quando chegavam o mais distante que podiam, as notas da música silêncio finalmente bailavam sossegadas ao se darem as mãos, deixando soar suavemente sua fina melodia.&lt;br /&gt;Esta era de uma delicadeza extrema que podia ser sentida por todos os sentidos. Era de seu costume cutucar os ouvidos dos presentes, perfumar o olfato dos sensíveis, dar cores aos olhos curiosos e beliscar a pele dos que nela, porventura, esbarravam. O silêncio que ali tocava era melancólico e harmônico e todos paravam para escutá-lo. A música trazia pensamentos e estes, por sua vez, traziam sensações que nem sempre eram compartilhadas. Dona Eulália jogará fora suas margaridas secas com notas penduradas nos ramos, ao se lembrar, em breve, que flores novas deviam ser postas no vaso; Seu Alberto sentia que sua poltrona deixava de ser confortável e achou que o motivo devia-se ao seu uso constante; Pedrinho brincava com uma fila de carrinhos e não se deu conta de que não estava só; já Marieta, que fritava batatas para Pedrinho, sentiu de repente um arrepio e achou que fosse porque maio se aproximava, enquanto Heitor, deitado debaixo do carro, aspirava poeira e solidão. A gata Lilás era feliz naquele instante com todo aquele silêncio: sua almofada era um palco e ela, uma grande artista, que acompanhava nota por nota ao cantar com o seu ronrom.&lt;br /&gt;E o rádio não parava de funcionar: uma, duas, três, quatro músicas. Cada silêncio tocado era único, com sinfonias próprias. Seus respectivos compositores eram grandes artistas e nunca desapontavam o público. A originalidade da música silêncio estava em sua letra, cantada como bem se entendesse. Os instrumentos variavam e seus interpretadores também. Não havia quem não soubesse cantá-la, não havia quem não soubesse tocá-la, não havia quem não a memorizasse. &lt;br /&gt;Mas, algumas horas depois, o rádio da sala parou de tocar. Assim, de repente. Só um disco vazio ficou a dar voltas ininterruptas, a arranhar-se sozinho. Como a música havia acabado,  as notas haviam todas se recolhido. Pouco a pouco, os moradores daquela casa deram-se conta disto e foram buscar outras atividades para preencher o dia. Agora, apenas um silêncio surdo-mudo pairava por ali.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-4246390929476955978?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/4246390929476955978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/4246390929476955978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2010/07/o-silencio-que-toca.html' title='O silêncio que toca'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TD6RkOsN0hI/AAAAAAAAALM/uQSK9u_NGkI/s72-c/van+gogh.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-5143758056111137384</id><published>2010-07-12T19:55:00.000-07:00</published><updated>2010-07-12T20:20:54.521-07:00</updated><title type='text'>A brevidade de um eterno adeus</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TDvWXnK7N1I/AAAAAAAAALE/QbFG6t0_W2U/s1600/vinicius_de_moraes_6.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 177px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TDvWXnK7N1I/AAAAAAAAALE/QbFG6t0_W2U/s200/vinicius_de_moraes_6.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493219871648593746" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seis anos separaram aquele adeus, um adeus que nunca foi dado. Seis anos afastaram um encontro, um encontro que nunca aconteceu. Seis anos distanciaram uma existência, uma existência de contextos opostos e múltiplos paradoxos. Seis anos...&lt;br /&gt;Um dia, seis anos após a partida dele, ela nasceu. E cresceu. E apaixonou-se por ele. Seis anos no tempo não impediram aquele amor, semeado com palavras, nutrido em versos. A poesia sobrevive ao tempo, sobrevive aos temporais, sobrevive ao corpo que a escreve. Não há lugar no mundo onde não possa estar, para assim, permanecer. Diante de tamanho atributo, a poesia dele permaneceu em estrofes escritas e versos cantados, em frases do avesso, que atingem o coração de moças enamoradas. Um galanteador, ele foi...&lt;br /&gt;Surgiu décadas atrás nesta mesma pátria onde ela hoje habita, em uma época onde o mundo ainda era retratado em preto-e-branco. O poetinha de seu coração realizou para si muito do que ela sonha ainda em conquistar:  escrever aqui, escrever ali, escrever, escrever, fazendo das palavras  um instrumento de conquistas, de críticas, de vitórias, de desabafos... Seja em prosa ou em verso, na música ou no teatro, a palavra é o detalhe essencial e quando bem utilizada deixa de ser dita, para ser repetida. Repetida uma, duas, três vezes... “Vinícius, Vinícius”, ela o chama. Ele, lá do fim do infinito, responde em um pensamento:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se você quer ser minha namorada&lt;br /&gt;Ai, que linda namorada&lt;br /&gt;Você poderia ser&lt;br /&gt;Se quiser ser somente minha&lt;br /&gt;Exatamente essa coisinha&lt;br /&gt;Essa coisa toda minha&lt;br /&gt;Que ninguém mais pode ser&lt;br /&gt;Você tem que me fazer um juramento&lt;br /&gt;De só ter um pensamento&lt;br /&gt;Ser só minha até morrer&lt;br /&gt;E também de não perder esse jeitinho&lt;br /&gt;De falar devagarzinho&lt;br /&gt;Essas histórias de você&lt;br /&gt;E de repente me fazer muito carinho&lt;br /&gt;E chorar bem de mansinho&lt;br /&gt;Sem ninguém saber porquê&lt;br /&gt;E se mais do que minha namorada&lt;br /&gt;Você quer ser minha amada&lt;br /&gt;Minha amada, mas amada pra valer&lt;br /&gt;Aquela amada pelo amor predestinada&lt;br /&gt;Sem a qual a vida é nada&lt;br /&gt;Sem a qual se quer morrer&lt;br /&gt;Você tem que vir comigo&lt;br /&gt;Em meu caminho&lt;br /&gt;E talvez o meu caminho&lt;br /&gt;Seja triste pra você&lt;br /&gt;Os seus olhos têm que ser só dos meus olhos&lt;br /&gt;E os seus braços o meu ninho&lt;br /&gt;No silêncio de depois&lt;br /&gt;E você tem que ser a estrela derradeira&lt;br /&gt;Minha amiga e companheira&lt;br /&gt;No infinito de nós dois.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São 30 anos passados desde que ele se foi e deste período, pouco mais da metade é o tempo em que ela se fez cair de amores pela sua maneira tão peculiar de tratar o amor. Vinícius e seu coração tão sábio, tão cheio de paixão, ainda atinge a alma das moças, causando suspiros inclusive nas mais modernas, enchendo de boas lembranças as mais antigas, fervendo o sangue das mais ousadas. Vinícius, um romântico de todos os tempos, em que tudo passa, restando apenas o amor. E ela o espera na eternidade de suas palavras tão lindas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O VELHO E A FLOR&lt;br /&gt; (Vinícius de Moraes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por céus e mares eu andei,&lt;br /&gt;Vi um poeta e vi um rei&lt;br /&gt;Na esperança de saber&lt;br /&gt;O que é o amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém sabia me dizer,&lt;br /&gt;Eu já queria até morrer&lt;br /&gt;Quando um velhinho&lt;br /&gt;Com uma flor assim falou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é o carinho,&lt;br /&gt;É o espinho que não se vê em cada flor.&lt;br /&gt;É a vida quando&lt;br /&gt;Chega sangrando aberta &lt;br /&gt;em pétalas de amor.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;*Vinícius de Moraes (1913-1980)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-5143758056111137384?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/5143758056111137384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/5143758056111137384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2010/07/o-poeta-e-menina.html' title='A brevidade de um eterno adeus'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TDvWXnK7N1I/AAAAAAAAALE/QbFG6t0_W2U/s72-c/vinicius_de_moraes_6.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-1721359543610257956</id><published>2010-06-25T14:09:00.000-07:00</published><updated>2010-08-11T06:35:05.400-07:00</updated><title type='text'>A wolf at the door</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TCVzh-UG6bI/AAAAAAAAAK0/1rB7Sj0D4xE/s1600/a-wolf-at-the-door.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 148px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TCVzh-UG6bI/AAAAAAAAAK0/1rB7Sj0D4xE/s200/a-wolf-at-the-door.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5486918748521032114" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quem são os lobos que nos rodeiam? Que matilha é essa e de onde vêm? Estão atrás da porta, estão por cima do telhado, estão dentro do guarda-roupa... prontos para dar um bote, prontos para atacar e rasgar nossas vísceras com seus finos dentes brancos, que apenas mastigam, enquanto seus pequenos olhos negros fitam impiedosamente o que restou de nós. &lt;br /&gt;Mas eles não querem apenas a nossa carne: querem também a nossa alma! Querem cada pequeno detalhe daquilo que nos compõem; e querem as nossas coisas, os nossos familiares, os nossos amigos, os nossos mais profundos sonhos! Querem que fiquemos nus em algum caminho perdido e lá, em nosso abandono, olharão em nossos olhos uma última vez, como a nos dizer secamente: “adeus!”. &lt;br /&gt;Os lobos que nos rodeiam são dóceis e frágeis e nunca nos dizem não. Seus uivos agudos grudam em nossos ouvidos e chegam até nossas cabeças, onde ficam a girar; somos aprisionados por dentro. Por incontáveis momentos eles ousam segurar as nossas mãos e as apertam com ternura e firmeza, enquanto entrelaçam suas finas garras em nossos dedos de pó. Para eles, o consolo é a primeira das armas, que apenas arranha, sem causar cicatrizes, enquanto a confiança, sim, é a maior de todas: está sempre na posição certa, com a mira exata para atirar e nos fazer cair, até estrebucharmos no chão. Nosso sangue tem gosto doce e um perfume suave. &lt;br /&gt;A música dos lobos ainda toca e entre uivos e gemidos eles dançam a passos leves, saltitando de lá para cá. Suas roupas pretas, suas máscaras delicadas e suas longas capas criam um efeito mágico em suas coreografias: o rodopio é tão mais suave, os gestos tão mais precisos e a ocupação do palco tão mais completa e espontânea. Os lobos nos enganam com seus espetáculos e nós, suas presas tão fáceis, nos levantamos para aplaudi-los de pé, para depois sermos devorados no mesmo compasso por tais artistas; fomos ingenuamente derrotados. A cortina se fecha e por trás dela, os lobos continuam a ensaiar sua próxima peça. De onde vem essa matilha? Para onde partirá? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A Wolf at the Door- (Thom Yorke) Radiohead&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Drag him out your window&lt;br /&gt;Dragging out the dead&lt;br /&gt;Singing "I miss you"&lt;br /&gt;Snakes and ladders&lt;br /&gt;Flip the lid&lt;br /&gt;Out pops the cracker&lt;br /&gt;Snaps you in the head&lt;br /&gt;Knifes you in the neck&lt;br /&gt;Kicks you in the teeth&lt;br /&gt;Steel toe caps&lt;br /&gt;Takes all your credit cards&lt;br /&gt;Get up, get the gunge&lt;br /&gt;Get the eggs&lt;br /&gt;Get the flan in the face&lt;br /&gt;The flan in the face&lt;br /&gt;The flan in the face&lt;br /&gt;Dance you fucker, dance you fucker&lt;br /&gt;Don't you dare&lt;br /&gt;Don't you dare&lt;br /&gt;Don't you flan in the face&lt;br /&gt;Take it with the love is given&lt;br /&gt;Take it with a pinch of salt&lt;br /&gt;Take it to the taxman&lt;br /&gt;Let me back let me back&lt;br /&gt;I promise to be good&lt;br /&gt;Don't look in the mirror&lt;br /&gt;At the face you don't recognize&lt;br /&gt;Help me call the doctor&lt;br /&gt;Put me inside&lt;br /&gt;Put me inside&lt;br /&gt;Put me inside&lt;br /&gt;Put me inside&lt;br /&gt;Put me inside&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I keep the wolf from the door&lt;br /&gt;But he calls me up&lt;br /&gt;Calls me on the phone&lt;br /&gt;Tells me all the ways that he's gonna mess me up&lt;br /&gt;Steal all my children&lt;br /&gt;If I don't pay the ransom&lt;br /&gt;But I'll never see 'em again&lt;br /&gt;If I squeal to the cops&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No, no, no...&lt;br /&gt;Walking like giant cranes&lt;br /&gt;Ah, with my X-ray eyes I strip her naked&lt;br /&gt;In a tight little world, why are you on the list?&lt;br /&gt;Stepford wives, who are we to complain?&lt;br /&gt;Investments and dealers, investments and dealers&lt;br /&gt;Cold wives and mistresses&lt;br /&gt;Cold wives and sunday papers&lt;br /&gt;City boys in first class&lt;br /&gt;Don't know we're born little&lt;br /&gt;Someone else is going to come and clean it up&lt;br /&gt;Born and raised for the job&lt;br /&gt;Someone always does, always pick it up&lt;br /&gt;Get over, get up, get over&lt;br /&gt;Turn the tape off&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I keep the wolf from the door&lt;br /&gt;But he calls me up&lt;br /&gt;Calls me on the phone&lt;br /&gt;Tells me all the ways that he's gonna mess me up&lt;br /&gt;Steal all my children&lt;br /&gt;If I don't pay the ransom&lt;br /&gt;And I'll never see 'em again&lt;br /&gt;If I squeal to the cops&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;So I'm just gonna...&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-1721359543610257956?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=e3ea8e4f5ac70319&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/1721359543610257956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/1721359543610257956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2010/06/wolf-at-door.html' title='A wolf at the door'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TCVzh-UG6bI/AAAAAAAAAK0/1rB7Sj0D4xE/s72-c/a-wolf-at-the-door.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-4230800815220409932</id><published>2010-06-21T09:21:00.000-07:00</published><updated>2010-06-21T09:53:54.346-07:00</updated><title type='text'>Crepúsculo</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TB-ZD67ci3I/AAAAAAAAAKs/G5SKv8RQgLg/s1600/caldas++novas2-+25-04-10+152.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 112px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TB-ZD67ci3I/AAAAAAAAAKs/G5SKv8RQgLg/s200/caldas++novas2-+25-04-10+152.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5485271163797801842" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não lhe restam mais forças para lutar. Se entregar? Talvez. Sentia que ia caindo gradativamente, declinando, declinando, declinando... Mas ainda não se encontrava em uma posição horizontal. Ao seu redor, era como se o céu acompanhasse-lhe o sofrimento e tingisse a sua ferida aberta como carne; vermelho que risca, corta e marca.&lt;br /&gt;Os minutos passam devagar para que se chegue ao final da batalha, mas de forma rápida demais para se possa ter alguma reação contra o inimigo. O silêncio da disputa é insuportável: não há gritos, nem lamentos, nem vibrações. Apenas uma voz calada envolvendo os adversários e cobrindo-lhes de mistério e de agonia. As cores da ferida vão mudando de tonalidade, como se estivessem a ser cozidas: tornam-se amareladas, púrpuras, amarronzadas... E ele continua a cair, a ir flutuando, descendo até onde se possa enxergar e de repente, pesa sobre o horizonte.&lt;br /&gt;É o fim. Ele perdeu. Ficará sepultado no pico de alguma montanha ou no fim de algum mar. Sombras pairam sobre a Terra para carregar-lhe a alma que lhe resta e com ela em mãos, passeiam por entre ruas, becos e labirintos. As sombras usam máscaras e nunca mostram o seu rosto; apenas derrubam o seu inimigo para sentirem-se poderosas por toda uma noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-4230800815220409932?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/4230800815220409932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/4230800815220409932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2010/06/crepusculo.html' title='Crepúsculo'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TB-ZD67ci3I/AAAAAAAAAKs/G5SKv8RQgLg/s72-c/caldas++novas2-+25-04-10+152.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-4957023058811908459</id><published>2010-06-18T21:02:00.000-07:00</published><updated>2010-08-11T06:38:04.664-07:00</updated><title type='text'>A Fuga de Pulcinella</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TBxEbOK2qMI/AAAAAAAAAKk/1fp70xVQFIE/s1600/post-pulcinella.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 138px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TBxEbOK2qMI/AAAAAAAAAKk/1fp70xVQFIE/s200/post-pulcinella.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5484333680681199810" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;por: Gianni Rodari ("Fábulas Ao Telefone")&lt;br /&gt;tradução: Bruna Galvão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pulcinella era a marionete mais inquieta de todo o velho teatro. Tinha sempre que protestar, seja porque no momento do espetáculo preferira passear, seja porque seu manipulador  concedera-lhe uma parte cômica, enquanto ele preferira uma dramática. &lt;br /&gt;-Qualquer dia destes- dizia em segredo a Arlecchino- corto a corda*! E assim fez, mas não durante o dia. Uma noite, ao conseguir tomar posse de uma tesoura esquecida pelo manipulador das marionetes, cortou de um topo ao outro os fios que lhe prendiam a cabeça, as mãos e os pés e propôs a Arlecchino: &lt;br /&gt;-Vem comigo. &lt;br /&gt;Só que Arlecchino não queria saber de separar-se de Colombina e nem Pulcinella   tinha a intenção de ir atrás daquela manhosa, que no teatro  tinha-lhe pregado cem mil peças. &lt;br /&gt;–Irei sozinho! - decide.  Lançou-se corajosamente rua a fora, pernas para que te quero!&lt;br /&gt;“Que beleza -pensava ao correr-  não sentir mais os puxões  daqueles malditos fios  em  lugar nenhum. Que beleza meter o pé bem aonde se deseja”.&lt;br /&gt;O mundo, para uma marionete solitária, é grande e terrível e habitado (especialmente à noite) por gatos ferozes, prontos a  confundir qualquer coisa que fuja como um rato, a qual se dá a caça. Pulcinella conseguiu convencer os gatos, que se metiam com um bom artista, e conto após conto, refugiou-se em um jardim, encostou-se em um pequeno muro e ali  adormeceu.&lt;br /&gt;Acordou com o nascer do sol e tinha fome. Porém, ao seu redor, até onde a vista alcançava,  não havia mais do que cravos, tulipas, zínias e hortênsias.&lt;br /&gt;-Paciência-  falava para si Pulcinella e ao colher um cravo, começou a mastigar-lhe as pétalas com uma certa indiferença. Não era como comer uma bisteca grelhada ou um filé de peixe pérsico: as flores têm muito perfume e pouco sabor. Entretanto, para Pulcinella aquilo parecia o sabor da liberdade e,  na segunda bocada, estava seguro de nunca ter provado comida mais deliciosa. Decidiu permanecer para sempre naquele jardim e assim o fez. Dormia sob uma grande magnólia, cujas  duras folhas não temiam nem mesmo as fortes chuvas, e se nutria das flores: hoje um cravo, amanhã uma rosa. Pulcinella sonhava com montanhas de espaguetes e planícies de mussarelas, mas não se rendia. Tornava-se seco, seco, mas tão perfumado, que a  todo  instante  abelhas pousavam em seu corpo para sugar-lhe o néctar e logo  afastavam-se  frustradas, pois não conseguiam afundar o ferrão na sua cabeça de madeira.&lt;br /&gt;Veio o inverno. O jardim, agora sem flores, esperava a primeira nevasca e a pobre marionete não tinha mais nada para comer. Sem dedos que pudessem recomeçar a viagem: as suas pobres pernas de madeira não suportariam levá-lo para longe.&lt;br /&gt;“Paciência,- falava para si Pulcinella- morrerei aqui. Não é um lugar feio para se morrer. Além do mais, morrerei  livre: ninguém poderá prender um fio à minha cabeça, para me fazer dizer sim ou não.”&lt;br /&gt;A primeira nevasca o sepultou abaixo de uma mórbida coberta branca.&lt;br /&gt;Na primavera, naquele exato lugar,  nasceu um cravo. Soterrado, calmo e feliz, Pulcinella pensava: “ Eis que  acima da minha cabeça cresceu uma flor. Existe alguém mais feliz do que eu?”.&lt;br /&gt;Porém, não estava morto, porque as marionetes de madeira não podem morrer. Ainda continua soterrado, só que ninguém sabe disto. Se vocês pretendem encontrá-lo, não amarrem nenhum fio em sua cabeça: aos reis e rainhas do teatro, este fio não incomoda, mas a ele, pode fazê-lo sofrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*cortar a corda: 'tagliare la corda'(no original) é uma expressão idiomática que significa “ir-se embora”. No texto é utilizada em forma de trocadilho, devido ao fato de Pulcinella ser uma marionete (consequentemente, presa por cordas).&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Gianni Rodari, "Favole al telefono",Einaudi, 1962&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-4957023058811908459?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/4957023058811908459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/4957023058811908459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2010/06/fuga-de-pulcinella.html' title='A Fuga de Pulcinella'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TBxEbOK2qMI/AAAAAAAAAKk/1fp70xVQFIE/s72-c/post-pulcinella.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-7495349063483002893</id><published>2010-04-16T15:22:00.001-07:00</published><updated>2010-04-16T15:23:43.503-07:00</updated><title type='text'>A árvore de corações</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/S8jjRwa-NkI/AAAAAAAAAKc/TjCjntPYu_E/s1600/B62.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 142px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/S8jjRwa-NkI/AAAAAAAAAKc/TjCjntPYu_E/s200/B62.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5460864442382038594" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda era muito cedo no topo da mais distante colina quando o Homem-Azul levantou-se. Lavou o rosto, tomou uma xícara de chá de folhas de violetas e saiu a arrastar os pés para fora de sua moradia. Há mais de 3000 anos era assim: sua primeira atividade do dia era regar a árvore-de-corações. O regador já cheio desde a última noite fazia escorrer a água que dava vitalidade à árvore mais importante do mundo. &lt;br /&gt;E como ele se satisfazia em ser o seu guardião! Cada gota que caía sobre as grossas raízes da árvore-de-corações era por ele admiradas! O Homem-Azul aspirava o perfume que saía daquela terra molhada e imaginava o trabalho de sugar aquele líquido que a sua linda árvore começava a fazer e que passava pelo caule, pelos galhos, pelos ramos, pelas folhas até chegar aos corações. Estes palpitavam com a água recebida e se avermelhavam  ainda mais. Então, as folhas balançavam e sacudiam o vento e os cabelos do Homem-Azul, que sentia uma enorme felicidade.&lt;br /&gt;Era de seu agrado sentar-se  debaixo daquela sombra e escutar os corações da árvore que ainda batiam com a água. Eles faziam um tum-tum-tum suave e confortador, que não significava nada mais do que vida. Outras vezes, o Homem-Azul varria todas as pequenas folhas para longe das raízes, também afastando os corações que tinham parado de bater e que agora jaziam murchos no chão.&lt;br /&gt;Um dia, estava o guardião da árvore-de-corações a tirar um cochilo, quando foi despertado por um forte aroma. Abriu primeiro um olho, depois o outro, as narinas a se dilatarem cada vez mais. “Conheço este cheiro”, pensava ele e se ergueu. Passou a vista ao redor, deu alguns passos, o cheiro a ficar cada vez mais forte e por trás de uma moita encontra um pequeno garotinho mortal.&lt;br /&gt;-Quem é você? O que faz aqui? Não sabe que é proibido e perigoso vir aqui? Não sabe o que eu posso fazer com quem se aventura a vir espiar a árvore?- dizia furiosamente o Homem-Azul.&lt;br /&gt;O garotinho o olhava com olhos arregalados e cílios trêmulos. Sua altura estava longe de atingir os joelhos do grande Homem-Azul, que de seus muitos centímetros acima o observava.&lt;br /&gt;-Quantas perguntas juntas!- balbuciou o menino- Assim não saberei responder nenhuma delas.&lt;br /&gt;O Homem-Azul pareceu irritar-se ainda mais. Agachou o quanto pode, tentando se equiparar ao tamanho do garoto e abriu bem a boca para falar:&lt;br /&gt;-Quem é... você?!&lt;br /&gt;-Sou uma criança- respondeu o garotinho.&lt;br /&gt;-E o que uma criança faz?&lt;br /&gt;-Brinca e também aprende.&lt;br /&gt;Então, o Homem-Azul portou-se novamente em pé e não se dando muito por satisfeito, ainda perguntou:&lt;br /&gt;-Só isto?&lt;br /&gt;-Penso que sim- falou a criança.&lt;br /&gt;-E o que significa brincar e aprender?&lt;br /&gt;O pequeno menino, ainda muito assustado, contorceu um pouco os lábios e dentro de sua pequena sabedoria tentou explicar:&lt;br /&gt;-Brincar significa explorar  e aprender significa perguntar. Todas as crianças brincam e aprendem.&lt;br /&gt;Muitas reflexões tomaram conta da mente do Homem-Azul. Ele se debruçou sobre o rastelo que usava para separar as folhas e os corações secos e seu olhar parou por alguns instantes. Subitamente, voltou a fitar o menino e a indagar:&lt;br /&gt;-Se você é uma criança que brinca e aprende, como posso eu também aprender, se não sou uma criança, mas sim, um guardião da árvore-de-corações?&lt;br /&gt;-Devem existir crianças grandes no mundo e você deve ser uma delas- disse prontamente o garotinho.&lt;br /&gt;A partir daí, a criança explicou ao Homem-Azul que brincava de explorar o riacho perto de sua casa quando um som estranho chegou aos seus ouvidos e o levou a acompanhá-lo. A melodia ainda estava em sua cabeça e era como uma música leve e doce, que o embalou totalmente.&lt;br /&gt;-Eu apenas segui o tum-tum-tum que o vento trazia e nada mais- disse ele.&lt;br /&gt;O Homem-Azul não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Era difícil para ele aceitar que as palpitações dos corações de sua árvore, no topo de tão alta colina, tão distante da vida mortal lá embaixo, pudessem ter chegado a algum lugar. A árvore-de-corações era o maior segredo de toda a humanidade e ele, o Homem-Azul, era o seu protetor. Era seu dever cuidar da mais perfeita planta da Terra e de preservar a sua essência.&lt;br /&gt;-Agora que você está aqui, me diga, o que quer?&lt;br /&gt;O menino já estava bem menos assustado com o Homem-Azul e sua voz infantil formou as seguintes palavras:&lt;br /&gt;-Por que você só me pergunta? Aprender é divertido, mas brincar também é. Quero fazer isto, agora.&lt;br /&gt;-Não sei como brincam as crianças mortais do lugar  de onde você veio. Só sei que você não poderá explorar a árvore-de-corações. Esta é a minha tarefa!- respondeu o Homem-Azul e começou a varrer mais algumas folhas e a amontoar alguns corações.&lt;br /&gt;O garotinho olhava o aspecto de cada coração caído ali no chão. Notou que eram em sua maioria bem pequenos, tão minúsculos quanto a palma de sua mão. Também observou a vivacidade dos que ainda se prendiam à árvore e de como batiam na mesma frequência. Uma forte vontade de subir por aqueles galhos tomou-lhe conta da mente. Devia ser muito bom poder apanhar um coração vermelho tal como ele fazia com as maçãs vermelhas do jardim de sua casa e tê-lo entre os dedos para depois prová-lo. Também devia ser bom se ali tivesse algum balanço, porque só assim ele poderia continuar ouvindo aquela melodia ao mesmo tempo em que voasse alto, alto.&lt;br /&gt;As folhas da árvore-de-corações iam e vinham com o sopro da brisa. O Homem-Azul já não se importava tanto com a presença da criança e por isto, resolveu explicar-lhe:&lt;br /&gt;-Cada um dos corações que estão nesta árvore refere-se a algum habitante do planeta. Os corações maiores são dos mais novos, que ainda têm a pureza em sua alma, enquanto que os menores são dos que viveram um pouco mais e que portanto, já tiveram a sua essência contaminada por mal-dizeres. Os corações no chão estão tão secos e sem vida quanto os velhos seus portadores: muito já viveram e muito já bateram e, de tanto viver e bater, se tornaram viciados em suas próprias atitudes, esquecendo-se de quão grandes e perfeitos um dia foram. A fraqueza e o cansaço tomaram conta deles. Assim acontecerá também com os corações agarrados aos galhos.&lt;br /&gt;-No final, todos vão mesmo parar de bater e vão ao chão?- custava a acreditar o menino.&lt;br /&gt;-Sim, este é o ciclo da árvore. Sem árvore não há corações e sem corações não há vida em outros lugares.&lt;br /&gt;Pegou um coração morto e deu ao garoto. Este ficou a imaginar que estivesse segurando o seu próprio coração em um futuro muito distante. Era triste saber que lá de onde vinha, não havia sequer nenhuma árvore-de-corações. Por um instante pensou em um jardim de tais árvores e em quão maravilhosa música soaria dos tum-tum-tums de seus frutos. Apertou levemente o pobre coração sem vida e o guardou no bolso da calça.&lt;br /&gt;O Homem-Azul o observava e também se entristeceu por só ele, o Homem-Azul, poder contemplar tão perfeita formosura em longuíssimos anos.&lt;br /&gt;-Só um coração grande e forte pode bater por um velho. Talvez seja tempo de se dar uma nova chance aos antigos. Quem sabe não haverá um recomeço? Quem sabe não se possa ser criança e brincar e aprender?&lt;br /&gt;Foi então que o menininho sentiu uma pontada no peito, uma dorzinha no seu grande coração. Eram saudades de sua casa, de seus pais e amigos, de seu riacho e de suas flores e animais. Uma canção distante e triste começou a soar de repente e estava longe, longe. Era um novo tum-tum-tum, só que desta vez, vindo de corações mais profundos e distantes. Decidiu que era hora de ir embora e despediu-se do Homem-Azul. Olhou a árvore-de-corações pela última vez e começou a seguir o novo som que o atraía. O Homem-Azul, ainda com o rastelo nas mãos, via aquele pequeno ser ir sumindo no horizonte, até desaparecer por completo. Ficou esperançoso que o menino jogasse o velho coração dentro de um amontoado de terra e o regasse com carinho, para que, quem sabe, uma nova árvore pudesse surgir e novos corações pudessem vibrar. Só assim, a batida que o garoto escutava, pararia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-7495349063483002893?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/7495349063483002893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/7495349063483002893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2010/04/arvore-de-coracoes.html' title='A árvore de corações'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/S8jjRwa-NkI/AAAAAAAAAKc/TjCjntPYu_E/s72-c/B62.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-7138498084586007247</id><published>2010-04-09T06:52:00.000-07:00</published><updated>2010-04-09T06:56:29.630-07:00</updated><title type='text'>Canção Outonal</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/S78xouLYolI/AAAAAAAAAKU/2riUhC4SGnw/s1600/outono2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; 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  &lt;w:lsdexception locked="false" priority="32" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="33" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Book Title"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="37" name="Bibliography"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" qformat="true" name="TOC Heading"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:"Cambria Math"; 	panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4; 	mso-font-charset:1; 	mso-generic-font-family:roman; 	mso-font-format:other; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:0 0 0 0 0 0;} @font-face 	{font-family:"Arial Narrow"; 	panose-1:2 11 6 6 2 2 2 3 2 4; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:swiss; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:647 2048 0 0 159 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-unhide:no; 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 &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;um vago tremor de estrelas,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;mas minha senda se perde&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;na alma da névoa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;A luz me quebra as asas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;e a dor de minha tristeza &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;vai molhando as recordações&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;na fonte da ideia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;span style=""&gt;                                  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Todas as rosas são brancas,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;tão brancas como minha pena,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;e não são as rosas brancas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;porque nevou sobre elas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Antes tiveram o íris.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Também sobre a alma neva.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;A neve da alma tem&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;copos de beijos e cenas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;que se fundiram na sombra&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;ou na luz de quem as pensa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;A neve cai das rosas,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;mas a da alma fica,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;e a garra dos anos&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;faz um sudário com elas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Desfazer-se-á a neve&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;quando a morte nos levar?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Ou depois haverá outra neve&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;e outras rosas mais perfeitas?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Haverá paz entre nós&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;como Cristo nos ensina?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Ou nunca será possível&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;a solução do problema?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;E se o amor nos engana?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Quem a vida nos alenta&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;se o crepúsculo nos funde&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;na verdadeira ciência&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;do Bem que quiçá não exista,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;e do mal que palpita perto?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Se a esperança se apaga&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;e a Babel começa,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style=""&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;que tocha iluminará&lt;span style=""&gt;                                                                                                             &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;os caminhos da Terra?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Se o azul é um sonho,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;que será da inocência?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Que será do coração&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;se o amor não tem flechas?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Se a morte é a morte,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;que será dos poetas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;e das coisas adormecidas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;que já ninguém delas se recorda?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Oh! sol das esperanças!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Água clara! Lua nova!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Corações dos meninos!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Almas rudes das pedras!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;Hoje sinto no coração um vago tremor de estrelas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;e todas as coisas são&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;" &gt;tão brancas como minha pena.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CLINCON%7E1%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;link rel="themeData" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CLINCON%7E1%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx"&gt;&lt;link rel="colorSchemeMapping" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CLINCON%7E1%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt; 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Pergunto aos outros, pergunto a mim, pergunto à noite. No final, nem sempre tenho todas as respostas que queria. Penso que nem todas as coisas têm suas respostas, assim como nem todas têm suas perguntas. O mistério existe e existirá. Resta a mim, mesmo assim, continuar indagando e refletindo; buscar outros caminhos que me levem a novos questionamentos. Ainda bem que existe a poesia. Ainda bem que existe o outono. Minha alma consegue sossego perante tais detalhes da vida.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:10;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-7138498084586007247?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/7138498084586007247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/7138498084586007247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2010/04/cancao-outonal.html' title='Canção Outonal'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/S78xouLYolI/AAAAAAAAAKU/2riUhC4SGnw/s72-c/outono2.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-8196226706448676684</id><published>2010-03-01T10:27:00.000-08:00</published><updated>2010-03-01T10:29:14.624-08:00</updated><title type='text'>O dia seguinte ao fim do mundo</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/S4wHYqc96EI/AAAAAAAAAKM/jHGpZ1AVChU/s1600-h/MANCHETES.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5443734169878128706" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 196px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/S4wHYqc96EI/AAAAAAAAAKM/jHGpZ1AVChU/s200/MANCHETES.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Anunciaram o fim do mundo. Em todas as capas de jornais vê-se escrito: “Mundo acaba” (Le Monde), “Destruição no planeta é a maior de todos os tempos” (Folha de S.Paulo), “Planeta Terra chega ao fim” (O Estado de S.Paulo), “Os maias estavam certos” (The New York Times). Na televisão são constantes as imagens de crateras gigantes, de entulhos de tamanhos monstruosos, além de pilhas e pilhas de corpos humanos e animais... Nada de plantas, nada de rios, nada de nada. Na Internet, a notícia também é a mesma: “Destruição causada pelo fim do mundo deixa o planeta sem vida” ou ainda “É incontável o número de mortos com o fim da Terra”.&lt;br /&gt;E assim, a cada minuto que passa, este é o único assunto a ser divulgado; afinal, perdeu-se o sentido de se tratar do “caso Arruda”, da candidatura da Dilma à presidência, de vitórias do Corinthians ou de lançamentos de filmes, livros e cd’s. Obviamente que este é um tema a ser esgotado pelos veículos de comunicação, como todos nós sabemos. É de se esperar que em grandes catástrofes, em grandes escândalos ou em qualquer outra coisa que renda ‘pano para manga’, como diziam muitas das vovós, a mídia aborde, mostre, comente e até aumente muitos dos fatos. Com a morte do Michael Jackson foi assim; com os terremotos no Haiti e no Chile também (isto, sem contar as enchentes no começo do ano de 2010), com a vitória de Obama nas eleições americanas e de Lula no Brasil há uns anos, idem, e assim por diante... Subitamente surge uma quantidade enorme de repórteres com suas câmeras de vídeo ou de fotografia, com seus microfones e gravadores, com seus papéis e canetas. Estão todos a rodear o fato e dispostos até mesmo a devorá-lo se for possível, para em seguida, vomitá-lo em longos jatos de informações agressivas . O fim do mundo é que não podia ficar de fora de tamanha pauta!&lt;br /&gt;Aliás, muito antes de se pensar na criação da imprensa, do jornalismo e seus veículos, e nas agências de notícias, um povo habitante da América Central já previa destruições (há os que digam apenas “fortes mudanças”) no planeta: eram os maias. O tão esperado “fim do mundo” previsto para o ano de 2012 e que fora antecipado por eles, realmente aconteceu. Mesmo não sendo na data e no ano alertados e nem sabendo se foi o sol que recebeu uma forte luz da galáxia, provocando mudanças magnéticas (como eles justificavam ser um dos motivos), o mundo acabou e pronto! As evidências já vinham há muito tempo: um tsumani aqui, um terremoto ali, outro lá, uma forte nevasca nos países do norte, uma tempestade devastadora em ilhas ou em países tropicais, longas secas, muitas enchentes. Eram tantos os sinais da natureza que de repente, parece que todos se acostumaram com isto: “O quê? Terremoto no Chile?”, “Mas outro dia não teve no Haiti?”, “Terremoto de novo? Já me cansei deste assunto” e assim, viraram a página ou mudaram de canal -até porque, desta vez os estragos nem foram tão grandes assim...&lt;br /&gt;Leio em meus jornais a respeito da “maior catástrofe que já pairou sobre a Terra”, como anunciam as mídias sensacionalistas. Noto que querem achar os culpados -sempre tem que haver um nome para se acusar- e desta maneira, os primeiros a entrarem na lista são a civilização maia. E haja contestações em cima dos pobres habitantes indígenas centro-americanos! O problema é que, como eles constituíam uma pequena população em países como México, Honduras, Guatemala e El Salvador até a poucos instantes do mundo ir para os ares, não há mais como colher suas versões do fato (lembrando que um dos princípios básicos do jornalismo é sempre “ouvir o outro lado”). Se resolverem culpar de ira qualquer deus em qualquer religião, também cairão no mesmo entrave dos maias; se jogarem a culpa no “aquecimento global” (qualquer mudança mínima na natureza era culpa do tal do aquecimento global- o El Niño perdera seu posto faz tempo!) também não terão quem responda por ele. Talvez, o Chávez, o governo da Coréia do Norte ou ainda o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, sejam boas saídas para o caso: quem sabe, eles não sobreviveram à catástrofe? -afinal, se o Bin Laden deu um “jeitinho” de se “esconder” dos Estados Unidos, eles também podem ter dado um jeito de continuar vivendo- como por exemplo, proibindo o fim do mundo em seus respectivos países.&lt;br /&gt;Ainda não sei onde vão dar as apurações da imprensa. Porém sei que ainda verei paisagens totalmente destruídas por um bom tempo. Também terei que andar pelas ruas no meio de tamanho caos e certamente, irei me deparar com algum jornalista pronto a apanhar meu depoimento sobre o caso. Mas um detalhe me consola e me faz lamentar ao mesmo tempo: o fato de que quando o mundo renascer, as notícias não serão maçantes, pois dificilmente um fato positivo vira notícia. Em uma probabilidade remota lerei nas manchetes de qualquer jornal: “Início do mundo é marcado por crescimentos em todo o planeta”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-8196226706448676684?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/8196226706448676684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/8196226706448676684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2010/03/o-dia-seguinte-ao-fim-do-mundo.html' title='O dia seguinte ao fim do mundo'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/S4wHYqc96EI/AAAAAAAAAKM/jHGpZ1AVChU/s72-c/MANCHETES.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-8370754366432300511</id><published>2010-02-03T17:24:00.001-08:00</published><updated>2010-02-03T17:25:42.858-08:00</updated><title type='text'>Maçã do Amor</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/S2oh-kr8J9I/AAAAAAAAAKE/aG9ufiEP88M/s1600-h/maca-mordida.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5434193259259504594" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/S2oh-kr8J9I/AAAAAAAAAKE/aG9ufiEP88M/s200/maca-mordida.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; A noite pesa sobre a cidade que adormece há muito tempo. No vigésimo terceiro andar de um prédio na Rua das Azaléias, uma luz amarelada emoldura a janela de um dos cômodos de um apartamento. Visto de longe, o lugar parece um pequeno vaga-lume a se destacar na escuridão. Lá dentro está Lia, vestida com calças de moletom, blusa apertada sem mangas e com um grande e fofo chinelo nos pés. Está a pensar em sua vida: em como era antes de Otávio e em como é agora, depois dele. De súbito, Lia acha que deve analisá-la em três partes completas: no antes, no durante e no depois.&lt;br /&gt;Mas aonde a garota quer chegar com isto? Ela sabe que independentemente de sua conclusão, o que de fato valerá é que nada disto mudará em nenhum detalhe a sua vida. Otávio se foi. Antes dele, Augusto se foi também, assim como Márcio, Pedro, Luís e Cláudio se foram por sua vez. Cada qual a sua maneira deixou em Lia, marcas. Algumas destas são lembranças, outras são feridas e outras, nada mais do que palavras. Ah, mas o Otávio...&lt;br /&gt;Otávio, o último namorado de sua vida até então. O último a quem Lia amou, mas o primeiro a que lhe vem à cabeça, agora. Otávio está a roubar-lhe os pensamentos, está tirando-lhe o sono, o sossego, a paz. Otávio, Otávio. Lia revira-se no sofá, abraça a almofada, suspira, fecha os olhos. “O que é mais importante: o primeiro amor, que fez nossos sentimentos brotarem ou o último amor, que ainda brota em nós, sentimentos?”. O último amor, sempre...&lt;br /&gt;É por ele que Lia se debate, é por ele que seu coração se contorce. Otávio se foi e com ele, foram-se também os sonhos, os planos e a paixão. Não importa se depois dele virão o Antônio, o Júlio ou o Fábio... Lia sequer pensa nisto. O presente dói, o passado é mágico e o futuro é duvidoso. Em cima da mesa da cozinha, uma maçã mordida: vermelha e viva como a paixão. Uma maçã do amor. Otávio arrancou-lhe um pedaço com os dentes. Mordeu, mastigou e engoliu aquela pequena parte. Depois, abriu a porta da sala e saiu...sem mais voltar. Lia ficou naquele instante sozinha, desamparada, as lágrimas a molharem seus poros da face. Otávio, sem piedade, triturou em pedacinhos aquele amor. Agora, a marca de sua mordida estava ali, a amarelar-se com o passar do tempo. Ficará tão velha e murcha como as outras antigas lembranças. A maçã do amor foi atacada e minuto a minuto vai desbotando a sua cor. Nela, Lia ainda vê a sua parte em tonalidades fortes e brilhantes. De Otávio sobrou apenas a marca de sua boca, a saliva de seu beijo, o sabor de seu desamor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-8370754366432300511?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/8370754366432300511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/8370754366432300511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2010/02/maca-do-amor.html' title='Maçã do Amor'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/S2oh-kr8J9I/AAAAAAAAAKE/aG9ufiEP88M/s72-c/maca-mordida.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-7445845763461916764</id><published>2010-01-17T10:02:00.000-08:00</published><updated>2010-01-20T05:05:56.593-08:00</updated><title type='text'>O homem de outros mundos- entrevista com o escritor Pedro Maciel</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/S1NS68N2UXI/AAAAAAAAAJ8/Sq7h4mQTqBw/s1600-h/pedro.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5427773148461683058" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 213px; height: 320px; text-align: center;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/S1NS68N2UXI/AAAAAAAAAJ8/Sq7h4mQTqBw/s320/pedro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;“Eu não sou deste mundo. (...): no mundo é preciso viver com o mundo”.(pág. 41)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O escritor Pedro Maciel tem um velho conhecido há anos; uma amizade que surgiu no dia de seu nascimento e que vem fortalecendo-se com o passar do tempo. Mas, quem seria tal companheiro? Nada mais, nada menos do que ele mesmo! Se Pedro Maciel apresentou-se para si mesmo alguma vez, isto não importa. O que importa é que ele se torna conhecido de seus leitores a partir de suas obras. Seus personagens, além de narrarem toda uma história, também dão pistas da personalidade de seu criador. São indicações de pensamentos, ideias, condutas, leituras e gostos (que também devem ser lidos nas entrelinhas). Assim, o autor dos livros “A hora dos náufragos” (2006) e “Como deixei de ser Deus” (2009) diz, em outros momentos, que não gosta muito de comentar sobre si. Também não vê necessidades em se produzir biografias: “(...) acho as autobiografias uma bobagem. Afinal, pode-se ler sobre a vida do escritor através das suas criações”. Discreto, ex-jornalista e hoje, totalmente ligado à literatura, Maciel fala um pouco sobre o seu mais recente livro, “Como deixei de ser Deus*”.&lt;br /&gt;*Maciel, Pedro. Topbooks. Rio de Janeiro, 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRUNA-Baseando-se em seu último trabalho “Como deixei de ser Deus”, como surgiu a ideia de contar uma história em fragmentos? Por que não fazer como ‘todo mundo’ e abordar o tema em um grande texto corrido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PEDRO-Ciência é antítese e arte é síntese. Os fragmentos me ajudaram a encontrar a forma mais sintética e contemporânea de contar uma história já contada há milênios. Muda-se a maneira de se contar a história mas os episódios se repetem ao longo da existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B- Você fala tantas vezes no pensamento e na ação de pensar. Que pensamentos lhe passavam pela cabeça enquanto escrevia o livro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P-Pensar exige muito da memória. Escrevo para esquecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B - O narrador de seu último livro deixa de ser “Deus” ao fazer diversos tipos de reflexões. O que é Deus para você? Religião e fé podem andar juntas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P-O ser humano já é naturalmente religioso. Ele está religado a outros tempos e espaços desde o surgimento do Universo. Religião é uma redundância da vida sobrenatural. Pode-se dizer que “Deus é a alma dos brutos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B -Dar margem para a múltipla interpretação é uma marca de seu livro. Porém, quando se permite multi-interpretar, pode-se perder o foco inicial. Você não teve ou tem nenhum receio quanto a isto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P-Não tenho receio sobre as interpretações do meu livro, já que considero todo leitor mais inteligente do que o não-leitor. O meu livro é o que o leitor quiser que ele seja. Cada leitor vai interpretar o meu mundo conforme a sua cultura. Aliás, o leitor é mais importante do que o autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B -Este é o seu segundo trabalho como escritor e que tem uma boa aceitação pela crítica nacional. Que tipos de ansiedades e aspirações sente um escritor no pré e pós -lançamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P-Quando se exerce a autocrítica, a crítica não tem tanta importância. A crítica nunca nos diz nada de novo. Eu não alimento ansiedades, afinal eu me conheço há séculos. Deve ser por isso que não me importo em ser conhecido ou reconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B-Nomes como Luis Fernando Veríssimo e Moacyr Scliar teceram bons comentários sobre a sua obra. Como é ter um livro criticado por grandes mestres da literatura brasileira contemporânea?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P-Os comentários destes escritores honram qualquer escritor brasileiro. Aliás, os comentários de Veríssimo e Scliar estão estampados em uma das orelhas do meu livro. Apesar de que adoro Van Gogh.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B -Você tem contato direto com eles? Como você recebeu a notícia de que seu trabalho estava em tais mãos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P-Eu mesmo enviei os originais para estes escritores que admiro para que fizessem breves críticas. Eu só os conheço virtualmente. Desde o lançamento do meu primeiro romance “A Hora dos Náufragos”, ed. Bertrand Brasil, que envio os originais antes para escritores avaliarem. Só após receber os comentários que envio para o editor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B -A originalidade é uma característica de sua obra. Mas ser original, muitas vezes, é correlacionar ideias anteriores. Por que criar é por vezes, tão difícil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P-Creio na ‘confluência’ e não na ‘influência’. Busco a originalidade o tempo todo. Alguém já disse que para ser original é preciso voltar-se às origens. Por isso o leitor vai ouvir ecos de vários tempos e culturas em minha literatura. O difícil me estimula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B -Por que também existe dificuldade em aceitar o novo? Quebrar paradigmas (nos mais diversos setores) é uma saída para o desenvolvimento da criatividade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P-Às vezes uma obra não é aceita em seu tempo porque a geração não está preparada para entendê-la. Apesar de que certas obras de arte não necessitam de ser entendidas mas apenas de serem sentidas, me disse um leitor. Eu sempre ouço com a maior atenção os comentários dos meus leitores. Eu escrevo para eles. Afinal, não há literatura sem leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B-O Pedro Maciel é rebelde?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P-Às vezes não sei volto ou revolto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B -Quais são as maiores ilusões de um escritor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P-Eu já não mais me iludo em plena luz do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B- Muitas de suas resenhas publicadas em jornais como O Globo, JB, Suplemento Literário de Minas Gerais, entre outros, são de livros que você gostaria de ter escrito. Que autor e obra mais te causam “inveja” por não ter sido criação sua?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P-A obra de Shakeaspeare, Proust, Dostóiveski, Beckett, Rimbaud, Drummond, Guimarães Rosa e tantos outros não me causam ‘inveja’ mas me causam ‘emoção’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B -Sua atuação como jornalista terminou em 2003. Por que o jornalista tem que saber a hora em que deve parar com a profissão para exercer a literatura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P-Literatura é devaneio com método. Jornalismo é método, método, método.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B-Quais suas evoluções em termos literários e ideológicos com relação à “A hora dos náufragos” e “Como deixei de ser Deus”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P-Os comentários sobre as ‘evoluções’ ou ‘involuções’ da minha literatura deixo aos críticos. Torço para que os críticos herdeiros da crítica impressionista ou os críticos-mandarins não façam comentários acadêmicos ou artificiais sobre a minha sintaxe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-7445845763461916764?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/7445845763461916764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/7445845763461916764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2010/01/o-homem-de-outros-mundos-entrevista-com.html' title='O homem de outros mundos- entrevista com o escritor Pedro Maciel'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/S1NS68N2UXI/AAAAAAAAAJ8/Sq7h4mQTqBw/s72-c/pedro.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-373442778125588209</id><published>2010-01-16T18:49:00.001-08:00</published><updated>2010-01-17T16:28:27.917-08:00</updated><title type='text'>A era dos deuses (?) - resenha sobre o livro "Como deixei de ser Deus"</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/S1J66-0dxHI/AAAAAAAAAJ0/kgt-rvhQIl4/s1600-h/maciel.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5427535654648923250" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 121px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/S1J66-0dxHI/AAAAAAAAAJ0/kgt-rvhQIl4/s200/maciel.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A impressão que se tem é que ele, o narrador, apontou o dedo para Deus e o chamou para uma conversa; uma conversa de ‘deuses’. Arrumou as almofadas no sofá da sala, preparou o café e a prosa começou: deus, tempo, pensamento, moralidade, palavras são alguns dos ‘assuntos’ discutidos. Uma discussão que começa com a arrogância de um ‘deus’e termina com a humildade de um ‘homem’- mais precisamente no ano de 2046, com a morte do narrador- “O mundo já está descoberto; esse mundo parece-me não ser meu mundo”, diz ele.&lt;br /&gt;“Como deixei de ser Deus” (Topbooks, Rio de Janeiro, 150 páginas, 2009),  do escritor Pedro Maciel, conta antes de tudo, a história de um ser humano, que no caso, pode ser o narrador, eu, você, o vizinho ou o autor. É uma mescla dos mais diversos pensamentos já ditos, dos mais diversos anseios e reflexões sobre a vida (incluindo a própria). No meio dos debates, grandes mestres vão ‘surgindo’ a partir de referências ideológicas e, assim, Nietzsche, Marcel Proust, Dostoievski, Virgínia Woolf, Guimarães Rosa, Machado de Assis entre outros, ficam cara-a-cara na sala do narrador. Este, com toda a sua maleabilidade em argumentar, pensa que a máxima de Sócrates “Só sei que nada sei” já não é tão verdadeira: “Desaprender: ensinar a si mesmo. Quem acredita que nada podemos saber não sabe sequer se sabemos o suficiente para afirmar que nada sabemos.” É filosofia, é religião, é sociologia e antropologia, é psicologia, é literatura...&lt;br /&gt; A originalidade caminha em todas as páginas do livro, que apresenta na capa uma sala de decoração vermelha, convidando a pessoa que lê a acomodar-se por ali e aguardar o diálogo que em instantes irá começar. Mas o leitor, recém chegado ao lugar, nem imagina em quão estranho mundo está prestes a observar. É o mundo do narrador e seus convidados, um planeta desabitado por criaturas de senso-comum; uma região azulada, repleta de crateras e com uma fotografia logo na página 12.&lt;br /&gt;Passar para a folha seguinte é ainda mais intrigante: espera-se por um romance, palavra anunciada na capa, e, quando se fala em romance, pensa-se em histórias povoadas de personagens, situações e conflitos. E é exatamente isto o que “Como deixei de ser Deus” traz (porém, de uma maneira um tanto quanto diferente). O livro é composto por fragmentos enumerados, pequenas frases soltas interligadas por entrelinhas. A sequência dos números não é sempre perfeita (do 151 passa-se para o 158, por exemplo) e nem mesmo a estrutura dos pequenos períodos gramaticais segue uma ‘lógica’ (uma máxima pode iniciar-se com reticências ou terminar com elas; pode ainda, ter dois pontos, como em uma citação). Enquanto o lado esquerdo do livro é toda uma página em branco, o outro lado mostra a união das palavras em trechos. Porém, a ordem destes não é tão importante; pode-se começar a ler o livro em qualquer página, em qualquer fragmento, de trás para frente ou até mesmo, de cabeça para baixo (no caso dos mais habilidosos). Um grande romance com textos ocultos; apenas algumas frases à mostra e em destaque (deveria o leitor preencher toda a narrativa?).&lt;br /&gt;Sim, talvez esta seja mesmo a ideia de seu autor. Em determinado momento, o excerto  1321 diz: “Quantos de meus leitores percebem que estes escritos podem ser entendidos da forma que se desejar? A minha ambição é dizer em dez frases o que qualquer outro diz em um livro- o que qualquer outro ‘não’ diz em um livro”. A imaginação percorre a cabeça de quem acompanha os ‘diálogos’. Pode-se querer saber quem era aquele irmão que “se matou para tornar-se Deus.” Também pode haver reflexões em frases como “Por que tanto esforço em ser como eles? Um dia serei eu o outro.”&lt;br /&gt;Em meio a tantos questionamentos, o livro, lançado no segundo semestre de 2009, tem como seus ‘leitores-indagadores’ pessoas ilustres da literatura nacional, como Luís Fernando Veríssimo, Moacyr Scliar e Antonio Cícero. Pessoas nada comuns em seus dizeres e que portanto, sentem-se em casa quando se sentam no sofá vermelho da capa.&lt;br /&gt;As páginas viram, o tempo passa (mas o que é o tempo?, está o leitor a estas alturas a se perguntar) e de repente, chega-se ao ano de 2046. “Cada tempo é uma história. Todo fim é uma imensidão”, encontrou-se lá atrás, na ‘sequência’ 1265. No final de tudo, todo o debate transformou aquele triste mundo em um planeta pintado de vermelho, repleto de números, relógios, riscos e dimensões. Tudo se modificou: o ambiente, o tempo, o pensamento e até mesmo, o leitor. Este deixa a sala avermelhada e agora caminha com expectativas, sentimentos e ambições modificados. Está a refletir, apesar de já ter fechado o livro. Porém, continua a ler entrelinhas, a preencher folhas em branco e a notar que em um mundo onde ‘mandam’ os deuses, um dia, estes também perderão os seus reinados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-373442778125588209?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/373442778125588209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/373442778125588209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2010/01/era-dos-deuses-resenha-sobre-o-livro.html' title='A era dos deuses (?) - resenha sobre o livro &quot;Como deixei de ser Deus&quot;'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/S1J66-0dxHI/AAAAAAAAAJ0/kgt-rvhQIl4/s72-c/maciel.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-4035130514659131687</id><published>2010-01-06T19:04:00.001-08:00</published><updated>2010-01-07T08:27:46.144-08:00</updated><title type='text'>A guerra das Cores</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/S0VPZbs-4PI/AAAAAAAAAJs/4-vH2LdxPro/s1600-h/cores.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423828624589381874" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/S0VPZbs-4PI/AAAAAAAAAJs/4-vH2LdxPro/s200/cores.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Há muitos anos (na verdade, não tantos assim), quando eu era apenas uma criança que brincava de sonhar, contaram-me uma história que me fez aproximar-me ainda mais dos meus cadernos e dos meus lápis de colorir. A história era mais ou menos assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aconteceu neste mesmo planeta em que moramos, mas em um tempo tão remoto, que nem os dinossauros seriam capazes de imaginar tão longínqua época! Tudo se passou em um período onde só havia três países no mundo: o país Vermelho, o país Amarelo e o país Azul. A paz reinava absoluta em toda a Terra, porque estes três territórios nunca tinham tido nenhum tipo de acordo político, econômico, social ou cultural uns com os outros. Não havia nenhum tipo de encontro internacional: nenhuma convenção, seminário, congresso ou apresentação. Nenhum de seus habitantes viajava para o exterior- muitos, nem sabiam da existência dos outros dois países. Resolviam seus problemas internos como bem entendiam e nada e nem ninguém jamais ousava romper isto.&lt;br /&gt;Apesar de nunca terem contatos entre si, os governos de cada um dos países sabiam da existência um dos outros e um ponto importante a se destacar é que o modo de vida em cada um deles era muito semelhante. Eram monarquias absolutas, que prezavam seus costumes e valores e onde todos idolatravam suas respectivas realezas.&lt;br /&gt;No país Vermelho, tudo era vermelho: as pessoas e suas roupas; as cidades e suas casas; os carros e suas estradas; os animais e seus habitats; a comida, a bebida, os eletrodomésticos, os documentos e até mesmo, as imagens da televisão e da fotografia eram vermelhas. As pessoas do país Vermelho tinham personalidade forte: eram ousadas, determinadas e, um pouco orgulhosas também. Em qualquer briguinha entre vizinhos, ficavam ainda mais vermelhas de raiva! Seus governantes, o rei Red e a rainha Rouge eram muito amados pelo povo. Moravam em um lindo castelo no topo da mais alta colina e ambos gostavam de exibir para a população, aos domingos, suas lindas e felpudas capas vermelhas amarradas ao pescoço. Domingo era o dia em que anunciavam os planos da semana e também, comentavam o sucesso daqueles já executados. O país Vermelho fervilhava, sempre!&lt;br /&gt;No país Amarelo, tudo era amarelo: pessoas, animais, lojas, prédios, vassouras, papéis, canetas, tinteiros e computadores. Até mesmo as letras das palavras nos jornais eram amarelas! Ser médico não era uma boa carreira a se seguir neste lugar, pois seus habitantes eram pessoas sadias e raramente adoeciam. E quando ficavam doentes, qualquer um podia dar o diagnóstico: febre amarela! A família real do país Amarelo também era muito querida pela população: o rei chamava-se Yellow e em seu castelo, sua linda filha, a princesa Gialla, gostava de passar horas penteando seus longos cabelos dourados... Pai e filha gostavam muito de oferecer festas em seu palácio e, quando isto acontecia, as preciosas coroas de ouro caíam-lhes perfeitamente sobre as suas cabeças...&lt;br /&gt;Já no país Azul, tudo era azul: as águas, as árvores, as flores, as pessoas, os bichos e também, os filhos de todos estes seres. No país Azul, tudo era tão harmônico, em tão perfeita sintonia, que em todos os lugares aonde se ia, podia-se ouvir alguém cantando alguma canção. Em qualquer beco, travessa ou esquina, sempre se encontraria letras de músicas chamadas: “Azul da cor do mar”; “Moody Blue” ou simplesmente “Azul”. É claro que o único estilo de toda e qualquer música era em Blues. A rainha Blau era uma mulher muito bonita, com grandes e brilhantes olhos azuis-claros. Sua cor preferida era o azul-turqueza, assim, exigia de seus súditos que todo e qualquer material que lhe fosse entregue, fosse dessa cor. A rainha Blau não era do tipo que aparecia muito em público; era discreta, mas cumpria seu reinado com grande afinco. Assim, os nativos azuis não tinham do que reclamar.&lt;br /&gt;Tudo ia bem na Terra até que um dia, uma ilha desconhecida e, portanto, sem cor, foi descoberta quase que instantaneamente por navegadores dos três países. O mundo não era muito grande naquela época, o que sempre fazia com que marinheiros das diversas nacionalidades e cores se encontrassem em alto-mar (o mar era de tonalidade neutra, até então). O capitão do país Azul foi o primeiro a avistar a ilha, porém, o capitão do país Vermelho foi o mais rápido em alcançá-la. Por sua vez, o do país Amarelo, resolveu não desembarcar na ilha e sim, voltar para a sua terra e avisar o governo de sua existência.&lt;br /&gt;Enquanto os capitães vermelho e azul discutiam incansavelmente na ilha sobre a sua posse, o rei Yellow caminhava de um lado para outro em uma das salas de seu castelo, enquanto ouvia seus conselheiros. Após alguns instantes, convocou a população local para um importante anúncio. De coroa dourada na cabeça e ao lado de sua filha, disse:&lt;br /&gt;-Uma nova ilha foi descoberta por nossa marinha! O país Amarelo estende suas terras, sua cultura e sua cor! Amanhã mesmo, um novo território amarelo será apossado!!!&lt;br /&gt;Ainda no mesmo dia, os capitães dos outros dois países argumentaram entre si até não haver mais palavras. Mesmo assim, não deixaram a ilha por um segundo sequer. Por outro lado, enviaram mensageiros aos seus países avisando sobre a nova descoberta.&lt;br /&gt;Algumas horas depois, a rainha Blau convocou seu povo e em voz baixa, mas firme, anunciou:&lt;br /&gt;-Hoje é um dia de grande felicidade para a nossa nação! Nossa querida marinha ao percorrer mares distantes, fez a descoberta de uma ilha inabitada. O país Azul estender-se-á, minha gente!&lt;br /&gt;No país Vermelho, a população estava em polvorosa com a notícia, espalhada por fofoqueiros em uma velocidade altíssima! Em seus pronunciamentos, o rei Red e a rainha Rouge, apenas precisaram dizer:&lt;br /&gt;- Viva o país Vermelho!!! Viva a nossa terra e a nossa gente!!! Viva a nossa nova conquista!!!&lt;br /&gt;E assim, em comemoração à nova descoberta, os vermelhos cantaram, dançaram e beberam por toda a noite.&lt;br /&gt;No dia seguinte bem cedo, tropas dos três países zarparam de suas terras em destino à nova ilha incolor. Devido à posse, os governos das três nações estavam a bordo nos navios com toda a pompa que lhes cabiam. O mar estava calmo, as ondas ajudavam a conduzir os navegantes e por pura coincidência, chegaram ao lugar no mesmo minuto e no mesmo segundo.&lt;br /&gt;- Mas o que fazem aqui os governantes do país Amarelo e do país Azul?, berrou o rei Red. Não vieram para a nossa posse, vieram?&lt;br /&gt;- Não, vim para a MINHA posse, disse o rei Yellow. Eu que me pergunto o que o senhor, a sua senhora e toda esta gente vermelha fazem na minha ilha.&lt;br /&gt;- Cavalheiros, por favor. A ilha é de minha propriedade, da posse do meu governo. Foi o meu capitão quem a avistou primeiro, portanto, ela me pertence, falou a rainha Blau educadamente. Por gentileza, queiram se retirar, continuou, ao mesmo tempo em que mostrava o mar, como se este fosse uma porta de entrada e de saída.&lt;br /&gt;Os outros dois governantes apenas se olharam e muito mais vermelha do que de costume, foi a vez da rainha Rouge em explodir:&lt;br /&gt;-Se retirar? De minha terra? A senhora só pode estar brincando. Saiam a sua majestade e a sua tropa e agora!!! Aproveitem e levem estas caras amarelas convosco, também.&lt;br /&gt;Foi então que a princesa Gialla reclamou:&lt;br /&gt;-Papai, eles estão nos expulsando de nossa ilha! Nosso povo espera por esta posse e não podemos desapontá-los!!! Vamos, papai, faça alguma coisa!&lt;br /&gt;-Amarelos!, gritou o rei. Em nome de nosso país proponho que os senhores mandem embora imediatamente, eu disse imediatamente, todas estas pessoas que não são de nossa cor. Façam por bem ou por mal, mas façam!!!&lt;br /&gt;-Pois eu proponho o mesmo à minha tropa!, gritou ainda mais alto o rei Red. Então, ergueu o braço e em um urro, exclamou: com o nosso sangue vermelho quero que expulsem estes invasores, vermelhos!!! Já!!!!!!!&lt;br /&gt;A rainha Blau mantivera-se quieta em seu canto, até então. Estava de braços cruzados, mas de cabeça erguida e com esta posição, chamou seus oficiais em um canto e sussurrou:&lt;br /&gt;-Não podemos perder esta batalha, azuis. Está claro que a ilha é nossa, mas como eles insistem em nos enfrentar, vamos ter algo inédito em nossa defesa militar: teremos que enfrentar uma guerra! Convoquem o exército e a aeronáutica se for preciso, mas tirem-os daqui o quanto antes.&lt;br /&gt;E assim, teve início à Guerra das Cores. Militares das mais diversas áreas, cargos e cores estavam a postos na ilha incolor. Em pouco tempo, uma enorme rajada de munições vermelhas, amarelas e azuis começou a manchá-la. Elas partiam de todos os lados, vinham com as mais diversas intensidades e atingiam os mais variados alvos. Porém, algo inusitado começou a ocorrer no local. As balas, bombas e rajadas não apenas produziam uma grande coloração na ilha, mas também, formavam novas cores. Se o amarelo atingisse o azul, por exemplo, formava-se uma tonalidade que mais tarde se denominaria verde. O vermelho com o amarelo geravam o laranja e, já o azul com o vermelho originavam o roxo. Estas cores secundárias por sua vez, em uma série infinita de contatos criavam cada vez mais e mais cores, até que chegou um momento que nenhum dos três governos não aguentava mais lutar.&lt;br /&gt;-Não estamos tendo nenhum resultado com esta batalha, meus caros, falou o rei Yellow. Estamos criando, sim, novas categorias de cidadãos que ainda poderão se unir contra nossos países!&lt;br /&gt;- Concordo, respondeu prontamente a rainha Blau. Por isto, se todos concordarem em retirar suas tropas, eu também retirarei as minhas.&lt;br /&gt;Em seguida, foi a vez da rainha Rouge se posicionar:&lt;br /&gt;-Obviamente meu país retirará as tropas se vossas majestades retirarem as suas. Esta guerra não precisava ter acontecido se desde o início, vossas tropas tivessem ido embora e permitido a posse do país Vermelho sobre a ilha.&lt;br /&gt;O rei Red prontamente balançou a cabeça concordando.&lt;br /&gt;O rei Yellow e a sua filha Gialla trocaram olhares com a rainha Blau, que se manifestou:&lt;br /&gt;-Não temos mais uma guerra entre três países. Temos, sim, a descoberta de uma nova terra e a formação de novas etnias, de novos povos e por que não, de novas nações? Nossa guerra trouxe não apenas uma guerra de territórios, mas também, uma guerra de cores. E se não nos entendermos aqui, agora, esta guerra de cores será infinita e suas consequências também!&lt;br /&gt;A representante suprema do país Azul tinha toda a razão em seu breve discurso. Esta era a primeira batalha da Guerra das Cores; uma guerra que nunca deixou de existir, por mais que se passassem os anos. Independente de sua origem e cor, os muitos países que surgiram continuam a brigar pelos mesmos motivos e isto parece nunca ter fim.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-4035130514659131687?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/4035130514659131687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/4035130514659131687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2010/01/guerra-das-cores.html' title='A guerra das Cores'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/S0VPZbs-4PI/AAAAAAAAAJs/4-vH2LdxPro/s72-c/cores.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-6350062896600557424</id><published>2010-01-03T16:42:00.000-08:00</published><updated>2010-01-11T13:18:00.884-08:00</updated><title type='text'>O poeta da era do ar condicionado</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/S0FO3ZJkm7I/AAAAAAAAAI8/2NtiyWkU4rM/s1600-h/jovino007.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5422702139881593778" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 214px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/S0FO3ZJkm7I/AAAAAAAAAI8/2NtiyWkU4rM/s320/jovino007.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A impressão que se tem é que ele está sempre com a inspiração a lhe acompanhar lado-a-lado. Em diversos momentos, compartilhados por simples e-mails, cada palavra parece ter sido escolhida cuidadosamente, como flores para um arranjo; e no meio deste seu contar, surgem expressões um tanto quanto diferentes, quando o que se espera, é apenas uma simples conversa informal: “um beijo azul”, despede-se ele; ou então, falando sobre o desafio de sua vida, explica que busca o “equilíbrio entre o dionisíaco e o apolínio”.&lt;br /&gt;Assim se expressa o poeta mineiro Jovino Machado. Graduado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ele possui uma grande bagagem em termos de carreira: são 11 livros publicados (o último “&lt;em&gt;Cor de Cadáver&lt;/em&gt;” em 2009), participações em antologias nacionais e internacionais e publicações em veículos consagrados da literatura (como o Rascunho de Curitiba e o Suplemento Literário de Minas Gerais). Só que Jovino também trás em seu currículo atuações como jornalista, capoeirista, figurações em cinema e em recitais. Como se ainda não bastasse, administra três restaurantes em Belo Horizonte, onde vive atualmente.&lt;br /&gt;A seguir, a definição da “&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Felicidade&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;”* para o poeta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O céu está azul&lt;br /&gt;O mar está calmo&lt;br /&gt;O campo está florido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meleca do meu nariz secou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;*(Machado, Jovino. Cor de Cadáver. Belo Horizonte: Anome Livros, 2009, pg, 16).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;No meio de todo um correio eletrônico surge a seguinte entrevista:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bruna: Quem nasceu primeiro: o poeta ou o Jovino?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jovino: Quando nasci, minha mãe me disse: "Vai, Jovino ser gauche na vida”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B: Como foi a sua infância?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J: A minha infância foi maravilhosa. Fui menino criado no interior com muita fruta no quintal. Tinha também galinheiro e passarinhos. Morei em muitas cidades de Minas. Em todas elas sempre tinha um campinho de futebol perto de minha casa. Meu pai comprava jornais, revistas e livros. Minha mãe comprava enciclopédias. Eu gostava muito de desenhar e aos domingos sempre ia ao cinema assistir filmes de bandido e mocinho e também dos Trapalhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B: No seu livro "Fratura Exposta", você fala em uma "máquina de pensar". Quais são as ferramentas que movem esta máquina?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J: A ferramenta maior é o grande desejo de construir uma obra poética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B:Como a sua poesia amadurece?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J: Na falta, na dor, na tristeza e na morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B: Qual a diferença entre o poeta Jovino em seu primeiro poema e o poeta Jovino em seu último poema?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J: A diferença é a ingenuidade que não existe mais. Quando eu escrevi meu primeiro poema eu achava que a vida era só alegria. Hoje vejo que tristeza não tem fim, felicidade, sim. O meu "último poema" fala da dor que estou sentindo como a morte de meus amigos Lúcio Tadeu, Alécio Cunha e Fernando Machado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B: O que tem no estado de Minas Gerais que faz muito de seus "filhos" serem escritores?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J: Tem Drummond, Rosa e Darcy Ribeiro que são grandes influências e no outono tem uma luz cinematográfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B: Você nasceu na época certa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J: Sim, adoro avião e ar-condicionado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B: Qual a melhor época para se nascer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J: Não sei, mas acho que teria sido maravilhoso ser pintor na Paris de Lautrec e Modigliani.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B: Como é administrar três restaurantes? É difícil? O tempero na comida e nos poemas é o mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J: É muito difícil.Tenho que matar um leão por dia. Sou sócio de meus irmãos e isso ajuda muito. Eu tenho a sorte de ter cozinheiras maravilhosas. O tempero é o desejo de sempre fazer o melhor na comida e na poesia. É preciso ter delicadeza, paciência, coragem, sorte e determinação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B: Quais são seus hobbies?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J: Andar de bicicleta, ler jornal e tomar cerveja assistindo a tarde cair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B: A poesia tem sexo? Teria também forma, cor, nome e sobrenome?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J: A poesia é do sexo feminino, tem a forma das belas pernas da musa, usa roupas pretas e bebe uísque com os poetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B: Vejo que você tem um grande interesse pela astrologia. Mas o que você realmente pensa sobre ela? De qual signo o leonino Jovino não seria de jeito nenhum?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J: O interesse é apenas poético. Amei virginianas, librianas e arianas.Eu jamais seria geminiano, mas seria do signo de escorpião que é puro sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B: Quais são seus ídolos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J: Drummond,Glauber Rocha,Baudelaire, Xico Sá, Clarice Lispector, James Joyce, João Gilberto, Hilda Hilst, Chico Buarque, Pasoline, Monteiro Lobato, minha mãe, Sônia Braga, meu pai, Darcy Ribeiro, Chet Baker, Nelson Cavaquinho, Picasso, Frida Kahlo, Ella Fitzgerald, Balzac, Marcel Proust, Torquato Neto, Charlie Parker,Godard,Almodóvar,&lt;br /&gt;Woody Allen, Swann e Odete, Rimbaud, Fernando Pessoa, Ricardo Piglia, Manuel&lt;br /&gt;Bandeira, Cartola, Mário de Andrade, Pagu, Sartre, Simone de Beauvoir, Miró, Auguste Rodin, Camille Claudel, Sá Carneiro, Rê Bordosa e etc...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B: Se você pudesse viver em um livro e vivenciar toda a sua história,em qual seria? Gostaria de ser algum personagem em especial? Ou seria o Jovino mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J: Eu seria o Ulisses da Ilíada e da Odisséia. Não é fácil estar dentro de meus sapatos. Quando eu crescer quero ser o Tom Jobim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B: Fernando Pessoa diz: "Sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura". Até onde você enxerga?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J: Sou do tamanho do que sinto e tenho 1 e 78 de altura como Stephen Dedalus do romance Retrato do artista quando jovem de James Joyce&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B: Do que você tem medo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J: Tenho medo da dor, do sofrimento e da morte das pessoas que eu amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B: O que você ainda busca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J: Sou como Balzac.Somente duas coisas me interessam: o amor e a glória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B: A poesia é a melhor arte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J: A poesia é o patinho feio das artes. Na minha imodesta opinião é superior à música, ao cinema e pintura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B: Conte-me um segredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J: Só posso contar bem baixinho no seu ouvido!!! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-6350062896600557424?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/6350062896600557424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/6350062896600557424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2010/01/o-poeta-da-era-do-ar-condicionado.html' title='O poeta da era do ar condicionado'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/S0FO3ZJkm7I/AAAAAAAAAI8/2NtiyWkU4rM/s72-c/jovino007.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-8673841508886785848</id><published>2009-12-22T15:46:00.000-08:00</published><updated>2011-01-29T11:47:43.801-08:00</updated><title type='text'>O presidente que quebrou dois dentes</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/SzFa4GyK1lI/AAAAAAAAAI0/Uk2Vemk-7XM/s1600-h/presidente.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418211746643629650" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/SzFa4GyK1lI/AAAAAAAAAI0/Uk2Vemk-7XM/s200/presidente.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; A época do ano é o começo de inverno, no mês de dezembro em uma tarde de domingo. Logo pela manhã daquele mesmo dia, o então Senhor Presidente é lembrado por um de seus assessores&amp;shy;&amp;shy;- sim, aquele que nunca se esquece de nenhum dos afazeres de Vossa Excelência- sobre o comício de seu partido no horário vespertino. O Presidente faz cara de tédio para o Assessor, que apenas olha para o chão, sem nada dizer. “E que culpa tenho eu se ele é um homem público e se o partido precisa do apoio dele? Precisa me olhar deste jeito?”, pensa o Assessor, que tenta conter uma pequena lágrima a saltar do olho esquerdo, mas como não consegue, decide então, se retirar de corpo inteiro.&lt;br /&gt;Rapidamente, a manhã passa no Palácio Presidencial. Como é domingo, dia santo para quase todos os mortais cristãos, o Presidente decide passar àquelas poucas horas privadas na sala de estar do Palácio, a arrumar soldadinho por soldadinho da sua coleção de miniaturas. Os pequenos homenzinhos são colocados estrategicamente na maquete que ocupa quase toda uma mesa grande, ao mesmo tempo em que vão formando uma enorme frente de batalha.&lt;br /&gt;- Atacar!!!, grita o Presidente, que tem entre os dedos o homenzinho general, situado à frente de toda a tropa.&lt;br /&gt;A Primeira Dama, que está na sala ao lado, observa o corpo do marido pendurado por sobre a mesa, a brincar com seus bonecos. É claro que ela acha toda aquela coleção uma grande baboseira, mas pelo menos ali é onde o seu esposo pode esquecer por alguns instantes toda a pressão sofrida diariamente pela imprensa, pelos inimigos políticos e pelo povo. Resolve voltar sua atenção para a revista de moda, em que há uma reportagem sobre ela elogiando sua elegância em saber combinar na medida certa o sapato com a bolsa. O Presidente, que em momento algum percebeu o olhar da mulher, termina de posicionar todos os homenzinhos (inclusive os inimigos) e fica satisfeito com o resultado. Dá uma olhada ao redor da sala e lembra-se que a coleção de astronautas e alienígenas também está precisando entrar em ordem, mas já não há mais tempo para isto. Entra o Assessor que conteve as lágrimas e anuncia o almoço.&lt;br /&gt;Agora, o Presidente e a sua comitiva estão a caminho da Praça Central, onde se realizará o comício. Na verdade, o comício já se tinha iniciado há pouco mais de uma hora, mas como a Primeira Dama não entrava em acordo direto com a sua personal stylist a respeito do casaco adequado para a ocasião, o atraso do principal membro do partido era evidente. “Você é o presidente, você pode se atrasar”, sempre dizia ela ao marido em situações semelhantes. Porém o Assessor, que nunca se esquecia de nada relacionado ao presidente, achava que tal comentário minimizava sua função. “Se é assim, por que estou a servir este memorável homem? Ora esta, se sou eu que o lembro de cada açãozinha dele durante o dia...”, pensava ele enquanto mais uma vez, a lágrima (desta vez do lado direito do olho) tentava saltar-lhe às vistas.&lt;br /&gt;O carro principal estaciona no lugar indicado e, subitamente, vários homens vestidos de preto cercam ainda mais o Presidente: são seus seguranças. Ele caminha com dificuldade por entre aquela multidão: homens, mulheres, crianças, jovens e velhos, além de jornalistas e policiais. Como sempre, ele, o Presidente, o homem mais importante de todo o Estado, o representante-mor do país, o político com o cargo mais alto, o colecionador de miniaturas é o centro de toda a atenção.&lt;br /&gt;A multidão se agita ainda mais com a sua presença; o zum-zum-zum de vozes aumenta gradualmente, a movimentação de corpos torna-se mais intensa, os flashs das câmeras são muito mais constantes e rápidos... Querem tocá-lo, vê-lo, fazerem perguntas, fotografá-lo, filmá-lo, aplaudi-lo e ... agredi-lo! Um objeto é lançado contra o Presidente, atingindo-o no rosto, tingindo-lhe a face, partindo-lhe a boca, arrancando-lhe dois dentes.&lt;br /&gt;Tudo é muito rápido e apenas os que estão mais próximos da Comitiva Presidencial notam com extrema rapidez, o que acabara de acontecer. Obviamente, inclui-se aí os jornalistas, sempre atentos à qualquer movimento do Presidente da República (o que causa certos ciúmes no Assessor que nunca se esquece de nada quando o assunto é o Presidente) e suas câmeras e microfones flagram e narram tudo o que houve. Os homens de negro investem rapidamente para o homem mais importante do Estado e o cobrem momentaneamente com seus corpos negros, tal como urubus na carniça, ao mesmo tempo em que policiais tentam encontrar o agressor no meio da multidão.&lt;br /&gt;De volta ao carro, o Assessor que antes tentava conter lágrimas em seus próprios olhos, agora as deixa rolarem livremente. Está em prantos no banco da frente enquanto a Primeira Dama, que segue no carro de trás, já pensa nos comentários que acabaram de surgir no rádio e na internet e que irão surgir brevemente nas outras mídias. “Mais um escândalo!” é a frase que lhe passa pela cabeça naquele momento e que ali continua até chegarem ao hospital.&lt;br /&gt;A quantidade de sangue que escorre da boca do Presidente e as lágrimas que saem dos olhos do Assessor é a mesma: enorme! O Presidente é levado imediatamente para um atendimento preferencial e exclusivo. Já o seu Assessor, como não o deixam passar da sala de visitas, fica aos soluços a reclamar para todas às enfermeiras que passam:&lt;br /&gt;- Eu sou o principal assessor dele, estão me ouvindo? Eu nunca me esqueço de nenhum afazer do Presidente, entenderam?&lt;br /&gt;-Meu senhor, o Senhor Presidente está a tirar radiografias e a fazer curativos e outros exames e ninguém pode acompanhá-lo, ou você acha que também não tive que impedir uma cambada de repórteres e curiosos a entrarem aqui?, responde uma das enfermeiras.&lt;br /&gt;-Mas eu sou o assessor dele, A-S-S-E-S-S-O-R, está me entendendo? Eu nunca me esqueço de nada relativo a ele e se eu não puder acompanhá-lo, como poderei preparar as atividades para a próxima agenda?, continua a gritar o Assessor, mas a enfermeira já vai bem longe pelo corredor.&lt;br /&gt;À noite em todos os noticiários nacionais e pela manhã em todos os outros países que não tem o mesmo fuso-horário, a manchete em letras garrafais é:&lt;br /&gt;“Presidente quebra dois dentes”.&lt;br /&gt;Nada que alarmasse a população, é claro, já que havia tempos que nos países considerados democráticos, poucos idolatravam fanaticamente o chefe de Estado. Desta forma, o seu estado de saúde causa apenas curiosidade na grande maioria, que prefere preocupar-se com suas ações diretas na política e na economia, além de também lhes interessar o último resultado do placar dos esportes.&lt;br /&gt;-Dois dentes?, dizem uns, Pois olha que eu já vi gente que quebrou a dentadura inteira em comícios, quando tentava fazer alguma manifestação pública e foi atingido por socos, chutes e objetos e que nem por isto, virou notícia mundial.&lt;br /&gt;- Dois dentes!, resmunga a Primeira Dama, ao comentar o acontecido com a sua personal stylist. Se com toda aquela proteção conseguem arrancar dois dentes do meu marido, com certeza podem conseguir arrancá-lo do poder! Temos que tomar cuidado...&lt;br /&gt;-Dois dentes, dois dentes!!!!, insiste em berrar a plenos pulmões o Assessor que nunca se esquecia de nada. Sua indignação é grande, sua dor, maior ainda. Está a anotar freneticamente em um pedaço de papel todos os próximos passos do Presidente e a reorganizar os que já estavam prontos. Dois dentes, dois dentes...&lt;br /&gt;O Presidente deixa o hospital apenas dois dias depois, quando se encaminha para a sua residência. Seu rosto está repleto de curativos, mas no lugar onde faltaram dois dentes, nada mais falta. “É isto o que ocorre quando se quer apoiar os colegas de partido e se misturar à massa... Me destroçam dois dentes!”, pensa o presidente que quebrou dois dentes e que está novamente a debruçar-se sobre uma das mesas da sala de estar para pôr em ordem a sua coleção de miniaturas espaciais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-8673841508886785848?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/8673841508886785848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/8673841508886785848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2009/12/o-presidente-que-quebrou-dois-dentes.html' title='O presidente que quebrou dois dentes'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/SzFa4GyK1lI/AAAAAAAAAI0/Uk2Vemk-7XM/s72-c/presidente.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-6112990673506208663</id><published>2009-12-06T16:11:00.000-08:00</published><updated>2009-12-06T16:30:34.008-08:00</updated><title type='text'>O castelo de Rodiv</title><content type='html'>Era um lugar muito bonito formado por longas e verdes planícies. Verde que variava em muitas intensidades: claro, escuro, musgo, oliva, lima e outras mais. Mas naquele local havia também folhagens e flores em vermelho, combinadas com azuis, rosas, amarelos, marrons, brancos e lilases. Uma parte do bosque era constituída de um imenso fundo negro, devido à proximidade das árvores e arbustos. Apenas em raros momentos, a negritude era quebrada com fios de luzes vindas do céu. Este, na maior parte do ano era cinza, mas não de um cinza que anuncia &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/SxxKitV2JlI/AAAAAAAAAIE/7-9gY1xFL-k/s1600-h/paisagem.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5412282812339725906" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 130px; CURSOR: hand; HEIGHT: 100px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/SxxKitV2JlI/AAAAAAAAAIE/7-9gY1xFL-k/s200/paisagem.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;tempestades. Era um cinza sutil, quase apagado, que de longe, lembrava apenas um dia triste e nada mais. Sorria apenas no auge da primavera, quando mostrava um pouco do seu sol.&lt;br /&gt;E nesta terra de bosques escuros e vegetações coloridas, havia as ruínas de um castelo. Apenas uma parte de toda a muralha que o cercava ainda estava de pé. Por sorte, o pesado portão com grossas correntes de ferro ainda compunha o ambiente, o que levava muitos viajantes a acharem que a construção estava intacta em sua totalidade. Mas nada lembrava o que o local fora em outros tantos séculos atrás: propriedade de nobres, que por gerações, ofereciam banquetes e bailes à outros tão nobres quanto eles, e que eram protegidos por um batalhão de soldados.&lt;br /&gt;Esta longa linhagem da nobreza assinava como último nome Rodiv. Por quase 300 anos, este foi um sobrenome temido na região, principalmente pelas classes baixas. Por todo este tempo, nunca se ouviu falar de um Rodiv que não tenha humilhado e castigado quem ousasse não lhes seguir as ordens; nunca se ouviu falar de um Rodiv que não tenha morrido de forma trágica. Mas a partir de meados do século XVIII isto mudou. O casamento entre Phillip Rodiv e Rutsy Borsosy permitiu com que os próximos descendentes tivessem muitas das boas características dos Borsosy (e também, da boa sorte) e nenhuma outra tragédia jamais voltou a acontecer.&lt;br /&gt;O ano agora era o de 1899. As muitas batalhas na região pela demarcação de fronteiras havia expulsado não só a população local, como também, muitos dos Rodiv que habitavam o castelo. Agora que a construção demonstrava sinais de derrota e das lutas que houve ali em outros tempos, apenas um Rodiv- o último da linhagem- insistia em tomar aquele castelo como moradia. Seu nome era Nikolas e até o momento, contava com 67 anos. Casou-se apenas uma vez, sem nunca ter tido filhos. Seu casamento fora um fracasso, pois a sua esposa o abandonou dois anos depois, ao fugir com um marinhei&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/SxxKpQeJT1I/AAAAAAAAAIM/YOuX9mMCh44/s1600-h/castelo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5412282924848992082" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 130px; CURSOR: hand; HEIGHT: 114px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/SxxKpQeJT1I/AAAAAAAAAIM/YOuX9mMCh44/s200/castelo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ro russo. Isto o fez buscar refúgio e abrigo definitivo no antigo castelo, que fora abandonado por seus pais, anos antes. Desde então, Nikolas Rodiv era o único morador e proprietário do castelo.&lt;br /&gt;Por todos aqueles anos, Nikolas Rodiv nunca mais foi visto a vagar solitário por nenhuma rua da cidade mais próxima, como costumava fazer em seus tempos de solteiro e nem em nenhum outro lugar público. Dia a dia, mês a mês, ano a ano, ele passou apenas a vagar pelos quartos e salas do castelo, sem nunca ir além de onde se encontrava o pesado portão. A vida passou a ser vivida dentro daquele oco e sombrio espaço demarcado por grandes e cinzas tijolos. Nikolas Rodiv apenas passava a maioria de seu tempo em frente a alguma tela e seus pincéis. Ali pintava paisagens, vilas e mulheres. Mulheres.... Como Nikolas Rodiv as adorava! Fazia seus traços e curvas com perfeição, sem nunca exagerar em nenhum detalhe. Dava-lhes mistério, ousadia, paixão. As mulheres de suas telas nunca tinham nada menos do que isto.&lt;br /&gt;Seu criado, Leonnard, aos 60 anos, era a única pessoa que se dispunha a servir Nikolas Rodiv, no castelo. Mas por ordens de seu patrão, ele ia ao local a cada dois dias, quando trazia mantimentos, telas em branco, tintas e o que mais lhe tivesse sido pedido. A cozinha, a sala que servia de ateliê, o quarto de Nikolas Rodiv, além de um dos quartos de hóspedes (o maior) eram as únicas exigências para que fosse feita a limpeza. Nos exatos 35 anos em que Leonnard servia Nikolas Rodiv, ele sempre achou perigosa a ideia do patrão em aceitar certos viajantes para uma estada. Porém, em sua humilde aceitação de criado que apenas serve o seu senhor, nunca se ousou fazer qualquer tipo de comentário a respeito.&lt;br /&gt;Por um longo tempo, nunca chegou ao conhecimento de Leonnard nenhum comentário a respeito de qualquer hóspede de Nikolas Rodiv. Nos dias de faxina, Leonnard até já chegara a ver alguns: homens jovens ou velhos, acompanhados de suas senhoras e filhas- estas últimas, sempre no auge da juventude. Alguns se demoravam por ali, apenas por uns dias; outros, por semanas.&lt;br /&gt;A situação era a seguinte: seja em dias de sol ou em dias de chuva, os viajantes costumavam parar no castelo ou para pedir abrigo ou para pedir um pouco de água. É claro que a curiosidade em entrar naquele lugar também os excitava. Nikolas Rodiv, que normalmente se encontrava em seu ateliê, na torre esquerda mais alta, apenas observava de longe quem por ali se aventurasse a procurá-lo. Mas apenas dava abrigo àqueles que realmente lhe despertasse algum tipo de curiosidade ou interesse.&lt;br /&gt;Jovens moças com grande beleza era o que fazia Nikolas Rodiv a receber em seu castelo os viajantes. Os olhos cinza-esverdeados de Nikolas Rodiv, juntamente com o seu cabelo branco e ralo, davam-lhe um aspecto de inocência em seu rosto de bochechas avermelhadas. As famílias que por ali passavam costumavam lamentar o fato de um senhor de tão grande bondade, simpatia e refinamento, ter que viver seus últimos anos à mercê de um castelo abandonado. Mas Nikolas Rodiv apenas se ria disto e oferecia aos seus convidados o seu vinho e a sua comida. Mostrava-lhes os quadros de paisagens e vilas, ouvia com entusiasmo as suas músicas e por fim, mostrava-lhes o aposento de dormir.&lt;br /&gt;O que os hóspedes não sabiam, é que grande parte da sonolência que sentiam era devido a um sonífero que Nikolas Rodiv havia colocado, ora em seus vinhos, ora em suas comidas. A noite já ia alta quando o dono do castelo destrancava a porta do quarto onde repousava a família e ali entrava a passos lentos. Nas mãos, apenas uma vela e uma pequena faca. Olhava rosto por rosto, aparência por aparência e quando seus ouvidos já tivessem acostumados com o ressonar das respirações, Nikolas Rodiv arrastava seu magro corpo idoso até a bela jovem que repousava tranquilamente.&lt;br /&gt;Por poucos minutos, Nikolas Rodiv primeiro apenas a observava. Punha seus olhos sobre os longos cabelos, que já tinham variado de loiros, castanhos, negros ou ruivos. E os tocava, como se toca um tecido de seda... Seus olhos e mãos também passav&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/SxxMYKX5JvI/AAAAAAAAAIk/Q-4Nf2weCLQ/s1600-h/castelo+3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5412284830177634034" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 119px; CURSOR: hand; HEIGHT: 104px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/SxxMYKX5JvI/AAAAAAAAAIk/Q-4Nf2weCLQ/s200/castelo+3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;am por sobre o rosto, os braços e as mãos, até chegarem aos seios. De súbito, Nikolas Rodiv soltava os cordões do espartilho e então, seu olhar e sua mão tinham apenas um único interesse: o seio esquerdo! Devia haver ali, entre todos aqueles seios esquerdos que ele já havia visto, uma marca de nascença. Uma marca que imitasse uma meia-lua. Como não havia ainda encontrado, Nikolas Rodiv, com a pequena faca nas mãos, deixava ali a sua marca. Não suportava a ideia de nada ter encontrado e em um acesso de fúria e de vingança, fazia ele próprio a meia-lua em todos aqueles seios esquerdos. A lâmina da faca corria rápida, fria e cruel. O sangue jorrava rápido e quente e então, Nikolas Rodiv o continha entre seus dedos e pintava os lábios daquelas jovens com seus próprios sangues. A porta rangeria atrás de si em seguida, e no dia seguinte, o amável senhor do castelo esperaria seus hóspedes com um café bem quente.&lt;br /&gt;Mas uma noite, apenas em meados de 1899, Nikolas Rodiv pode finalmente encontrar a tão esperada meia-lua. A jovem, Mia Ostrivtchi, sonhava seus sonhos em estado de profunda serenidade. Seu corpo estava levemente inclinado para a esquerda, o que fazia seus seios estufarem por sobre o espartilho; a mão direita a encostar a face e seus cabelos castanho-avermelhados a embaraçarem-se no travesseiro de penas de pato. Desta vez, Nikolas Rodiv apenas observou seus traços e formas por um tempo superior em relação às outras vezes e fugindo ao costume, pegou Mia no colo e a levou para a última torre do castelo.&lt;br /&gt;Como ainda não passavam das onze e meia, Nikolas Rodiv, que havia posto o corpo da jovem em um confortável sofá vermelho repleto de almofadas, preparou tintas e tela e então, começou a esboçar Mia Ostrivtchi. “Minha querida, minha querida”, ele pensava enquanto dava cores e formas ao desenho na tela. E em sua mente, aparecia a imagem de sua jovem esposa e daquela meia-lua em seu seio esquerdo que tanto o cativava. Lembrou-se daqueles dois anos em que ela esteve ao seu lado, e como ela posava para ele em suas pinturas. Nunca se esquecia de pôr à mostra aquela pequena e delicada marca: a sua marca; a marca de todas as mulheres de sua família. E Nikolas Rodiv a pintava, e caprichava no vermelho de sua boca, tão forte quanto sangue... Mas ela o deixou. E ele nunca a esqueceu. E ali, naquele momento, na mesma torre onde os dois jovens recém-casados praticavam escondidos suas orgias, Nikolas Rodiv tinha a sua frente, Mia Ostrivtchi. Nada menos do que a neta de sua amada.&lt;br /&gt;Não precisava conferir a tão conhecida marca para ter a certeza que ele tinha. Como não ser a neta de Isabelle Panchov Rodiv? Ele reconheceria de longe aqueles olhos, nariz e lábios. Como não ser?&lt;br /&gt;Os traços principais de Mia Ostrivtchi ficaram prontos em uma hora e meia. Nikolas Rodiv deslizava o pincel propositadamente bem devagar. Estava eufórico e em breve, seu plano se&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/SxxKxSaubtI/AAAAAAAAAIU/GDFXzByCfjY/s1600-h/castelo+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5412283062810472146" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 101px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/SxxKxSaubtI/AAAAAAAAAIU/GDFXzByCfjY/s200/castelo+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ria concluído. Tudo no castelo já estava preparado há anos. Ansiava-se muito por aquele momento! E então, eis que o suficiente já havia sido feito. Nikolas Rodiv deu mais uma olhadela para a tela em construção e não precisando mais corrigir nenhum detalhe, partiu para o principal. Caminhou até a jovem e lentamente seus dedos contornaram os delicados lábios de Mia. Repetiu o gesto em todo o seu rosto e cabelo, exaustivamente, até que a moça desse sinais de estar voltando a si. Mia Ostrivtchi começou a agitar-se e suas pálpebras de um rosa delicado começaram a tremer. Ela acordaria em poucos segundos.&lt;br /&gt;O momento havia chegado! Nikolas Rodiv partiu para os cordões no espartilho, desatando-os um por um. Mia Ostrivtchi usava um vestido azul-celeste, que havia sido pintado por Nikolas na exata tonalidade. E por debaixo de todo aquele azul, estava a pequena meia-lua. Tão pequena que poderia passar despercebida, não fosse sua cor creme naquela carne branca. A faca começou a riscar com perfeição aquela marca, quando Mia Ostrivtchi acordou. Seus olhos castanho-claros arregalaram-se antes que sua voz pudesse emitir qualquer grito e com isto, Nikolas Rodiv teve tempo para abafar-lhe eventuais pedidos de socorro. A mão que lhe tapa a boca era a mão que estava manchada com o sangue que ainda escorria por entre os seios da moça. “Minha querida, minha querida”, ele apenas dizia, quando subitamente a faca rompeu toda a carne daquele ventre. Os olhos de Mia Ostrivtchi foram fechados pelo senhor do castelo. Agora, ela voltou a repousar naquele sofá com suas fofas almofadas. Sua boca ainda mais vermelha devido ao sangue, competia com a cor do sofá. Mas era indiscutivelmente mais viva.&lt;br /&gt;Nikolas Rodiv, com apenas um puxão em uma corda, fez lançar todas as latas de querosene que estavam escondidas em seu ateliê e que rolaram castelo abaixo. Bastou apenas a queda de uma vela, para que o castelo ardesse em chamas. E na torre mais alta, Nikolas Rodiv contornava com sangue os lábios de sua pintura e fazia a meia-lua no seio-esquerdo. As muitas labaredas que o rodeavam davam destaque à marca nos seios de Mia Ostrivtchi no sofá e na tela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-6112990673506208663?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/6112990673506208663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/6112990673506208663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2009/12/o-castelo-de-rodiv_06.html' title='O castelo de Rodiv'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/SxxKitV2JlI/AAAAAAAAAIE/7-9gY1xFL-k/s72-c/paisagem.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-8793765588584646428</id><published>2009-12-01T16:59:00.000-08:00</published><updated>2009-12-01T17:02:37.318-08:00</updated><title type='text'>O mundo dos bolhas</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/SxW8LcoSkOI/AAAAAAAAAFU/exqTkxPhHbY/s1600/bolha.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5410437432205283554" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/SxW8LcoSkOI/AAAAAAAAAFU/exqTkxPhHbY/s200/bolha.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Imagine se eu vivesse em uma bolha, como seria o mundo para mim? Provavelmente ali seria o meu mundo e nada mais. Ali eu cresceria e amadureceria. Ali dentro eu faria minhas escolhas e descobertas, tomaria decisões, venceria obstáculos e oponentes. Faria também, minhas refeições e acordaria e dormiria e sonharia... Ah... Os sonhos... Se eu vivesse em uma bolha, talvez eu teria mais tempo para sonhar. E imaginar. E inventar. E tudo isto me bastaria.&lt;br /&gt;Se eu vivesse em uma bolha, eu ia querer descobrir o mundo lá fora. A Terra seria outro planeta e nada mais. Dentro da minha bolha eu passaria horas e horas criando expectativas e situações existentes além do meu pequeno espaço. Como seria sentir fora da bolha? Como eu me sentiria? E a mesma pergunta hoje feita pelos terráqueos também seria feita por mim: haverá vida fora da bolha?&lt;br /&gt;Se eu vivesse em uma bolha, provavelmente eu poderia voar livremente por aí. Enquanto uma sôfrega brisa me soprasse suavemente, minha bolha e eu deslizaríamos pelo espaço, a voar, a voar, sem nunca realmente sabermos para onde estaríamos indo. Assim, passaríamos por florestas e oceanos; por bosques e rios; por jardins e lagos. Minha bolha é o meu planeta e ali, não há nada disto.&lt;br /&gt;Mas, se eu vivesse em uma bolha, como seria viver sozinha? Haveria ali lugar para mais alguém? Se houvesse, seria divertido dividir algo tão simplório e especial com esta pessoa. Dividiríamos nossos anseios e planos. Porém, se algo nos desagradasse, como sobreviver a uma discussão? Onde eu poderia me esconder e refletir por uns instantes?&lt;br /&gt;Talvez, por este lado, se eu morasse em uma bolha, o ideal seria que todas as pessoas também morassem em uma. Daí, sim, com certeza, teríamos o mundo ‘dos bolhas’. Ou seriam ‘os bolhas’ do mundo? Porque se cada um tivesse a sua própria bolha para morar e respirar, cada um teria o seu próprio mundo. E o criaria. E o reconstruiria. E o viveria da maneira como bem entendesse.&lt;br /&gt;Se cada um tivesse a sua própria bolha, seriam milhões de bolhas a serem sopradas por aí - e por que não, cada uma com sua própria brisa? Seriam milhões de bolhas a voarem livremente pelo espaço, cruzando lugares fantásticos e também medonhos. Seriam milhões de bolhas a toparem-se por aí. Porventura, bolhas com brisas parecidas poderiam juntar-se para seguirem em frente juntas até formarem um imenso grupo de bolhas.&lt;br /&gt;Porém, com isto, eu estaria voltando ao mundo em que vivo agora. Um planeta formado por grupos soprados pela mesma brisa. Um lugar habitado por inúmeras ‘pessoas-bolhas’, a viverem seus mundinhos e nada mais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-8793765588584646428?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/8793765588584646428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/8793765588584646428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2009/12/o-mundo-dos-bolhas.html' title='O mundo dos bolhas'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/SxW8LcoSkOI/AAAAAAAAAFU/exqTkxPhHbY/s72-c/bolha.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-6200010473889555616</id><published>2009-11-14T14:17:00.000-08:00</published><updated>2009-11-14T14:20:12.345-08:00</updated><title type='text'>From... To...</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;         Tudo começou há algum tempo, uns meses, talvez.  De um lado, fazia uma tarde quente e ensolarada, pouco típica para aquele meio de outono, de outro, não tão tarde assim, o dia estava ameno para uma primavera. E lá estavam os dois, perdidos em um gigantesco alfabeto de A à Z,  uma louca mistura de nomes, uma imensa confusão de intenções e significados. Poucas letras separavam a “JGirl” do “Power” e após uns poucos minutos da entrada da garota no bate-papo virtual, surge um “hi” dele. Como a grande maioria das pessoas na Terra, eles também não pararam para pensar que grandes acontecimentos, pessoas e momentos podem começar com um simples “oi”, independente do idioma em que é dito. Continuaram a conversar, palavra atrás de palavra, frase seguida de frase, expressões que originavam outras, sentimentos que brotavam sem um porquê.&lt;br /&gt;            Uma ação tão comum para dois filhos deste início de século XXI - afinal, há alguns anos trocar mensagens instantâneas com pessoas dos mais diversos lugares e nacionalidades tornou-se algo tão tipicamente comum, que quase ninguém mais se surpreende em “teclar” com um macedônio, vietnamita, chileno ou britânico. Tamanha é a força da Internet no cotidiano das pessoas, que até se pode falar em uma imitação da vida real pela virtual. Nesta última, encontros e desencontros também se repetem; a linguagem escrita é bombardeada constantemente em uma tentativa de se dar um tom falado à conversa - e aí entram os “Us” nos lugares de “Os”, símbolos que imitam expressões faciais de alegria ou tristeza e assim por diante; há trocas de sensações, de informações, de conhecimentos...E tudo isto, de uma vez só!&lt;br /&gt;            E no meio de tanta tecnologia, entretenimento e inúmeras possibilidades, a moça brasileira e o rapaz americano começam a se conhecer. Obviamente, que ambos dividem, ao mesmo tempo, a atenção com outros seres tão diversamente estrangeiros quanto eles, mas isto não é nada importante perto do que eles ainda tinham para se dizer, pois algo estava ali a brotar. Primeiro timidamente, com suas pequenas raízes a encostarem à pequena casca de sua barreira, até fazer a pressão necessária para rompê-la. Em seguida, com a fixação das raízes, o crescimento daquilo que se pode chamar de amizade foi rápido e saudável. E pensar, que tudo assim, tão de repente...&lt;br /&gt;            Desde então, semanas se arrastam sucessivamente até alcançarem um mês. Por sua vez, os meses também seguem a sua lógica de encaminhamento no tempo e, sem nem se darem conta disto por muitas vezes, lá estão “JGirl” e “Power” envolvidos na escrita de suas palavras. São comentários, desabafos, perguntas, respostas, risos e lembranças. Conversas que só interessam a eles, em suas buscas de se apresentarem, de se conhecerem e de se depararem um perante o outro diante de tantas condutas em comum. Um espelho de palavras criou-se entre eles, fazendo com que sorriam um ao outro quando se estão “frente a frente”. Um jogo de sinônimos e antônimos em seus anseios; uma mistura de vocabulários conturbados por vezes; regras que sempre são quebradas. &lt;br /&gt;            No meio desta história ainda em construção por seus autores, as entrelinhas nunca são por eles esquecidas. Estão sempre lá, com um detalhe a mais de seus próprios eus; uma maneira de se mostrar que reside justamente na ação de se esconder. Uma forma petulantemente esquisita de falar sem nada falar. Por ora, os dois não acham isto. Por uma série de estranhos motivos - e aí entram os sentimentos - preferem agir assim em certos momentos. A confusão de expectativas, de pensamentos e de sentimentos assola o corpo e a alma destas criaturas. “Strange feelings”, escreve o americano à brasileira. Ele só se esquece de lembrar, que em um mundo onde as proximidades tornaram-se tão redundantemente próximas, “what’s the matter?”. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-6200010473889555616?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/6200010473889555616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/6200010473889555616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2009/11/from-to.html' title='From... To...'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-3989949178080058179</id><published>2009-11-07T13:18:00.000-08:00</published><updated>2009-11-07T13:19:46.085-08:00</updated><title type='text'>Meu céu, meu poder, seus sentidos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/SvXkZr8VaeI/AAAAAAAAAEM/t1kMxHQRmws/s1600-h/BXK14925_ceu6-ivens2800.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5401474458044426722" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/SvXkZr8VaeI/AAAAAAAAAEM/t1kMxHQRmws/s200/BXK14925_ceu6-ivens2800.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Certa vez estava me perguntando se seria possível, um dia, alcançar o céu. Mas não estava me referindo a uma viagem de avião, helicóptero, balão ou foguete; o que eu queria mesmo era erguer meu corpo, até ficar na ponta dos pés e assim, pegá-lo, da mesma forma como sempre peguei qualquer coisa que estivesse acima da minha cabeça.&lt;br /&gt;Quem sabe, o céu seja como um livro no alto de uma prateleira, em que, com apenas um pequeno esforço, eu possa tomá-lo para mim e apalpá-lo, senti-lo em toda a sua aspereza ou maciez até meus dedos se cansarem e eu finalmente poder abri-lo para poder descobrir seus mistérios...&lt;br /&gt;Quem sabe, o céu seja como um belo porta-retrato no alto de uma estante, em que, com apenas um pequeno esforço, eu possa tomá-lo para mim e admirá-lo bem de perto, assim como eu faço com qualquer coisa bela que me atraia. Olhar suas cores, sua tonalidade, sua intensidade e sua vida até fotografar sua imagem com a minha memória...&lt;br /&gt;Quem sabe, o céu seja como um vidro de perfume no alto de uma penteadeira, em que, com apenas um pequeno esforço, eu possa tomá-lo para mim e sentir seu aroma em toda a sua profundidade e embriaguez...&lt;br /&gt;Quem sabe, o céu seja como um disco de música no alto de uma coleção de algum colecionador, em que, com apenas um pequeno esforço, eu possa tomá-lo para mim e com alguma expectativa crescente, pôr a executar toda a sua sonoridade... Um som de paz em um céu azul; um som vibrante em um céu agitado de nuvens cinzentas; um som inspirador em um céu róseo-avermelhado...&lt;br /&gt;Nada é difícil de se alcançar quando se pode erguer-se na ponta dos pés e esticar os braços. Nada é difícil de se alcançar quando se podem imaginar suas sensações. Nem mesmo o céu. Afinal, o horizonte é logo ali.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-3989949178080058179?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/3989949178080058179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/3989949178080058179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2009/11/meu-ceu-meu-poder-seus-sentidos.html' title='Meu céu, meu poder, seus sentidos'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/SvXkZr8VaeI/AAAAAAAAAEM/t1kMxHQRmws/s72-c/BXK14925_ceu6-ivens2800.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-6871899478174846487</id><published>2009-09-10T20:08:00.000-07:00</published><updated>2009-10-07T07:07:16.194-07:00</updated><title type='text'>Chapeuzinho Vermelho, dona de seu nariz</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/SqnAYHPdGWI/AAAAAAAAAEE/buzxuhHHUfo/s1600-h/chapeu.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5380042750364031330" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 144px; height: 200px; text-align: center;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/SqnAYHPdGWI/AAAAAAAAAEE/buzxuhHHUfo/s200/chapeu.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez, uma moça chamada Chapeuzinho Vermelho. Obviamente este não era o seu nome verdadeiro, já que é um tanto quanto estranho (e ridículo) alguém ter nome de “Chapéu”, seja ele de qual cor for. Mas este era o modo como a garota, de mais de 18 anos, era conhecida na região onde morava, porque desde a infância ela insistia em usar uma capa com um gorro vermelho na cabeça. Certa tarde, sua mãe pediu-lhe para que fosse à casa de sua avó entregar uns doces de que a velhinha tanto gostava. Chapeuzinho hesitou um pouco em ir, pois estava muito atarefada com seus trabalhos universitários, mas acabou concordando. E como as mães sempre costumam fazer, não importando se a idade do filho seja 7, 20 ou 50 anos, a mãe de Chapeuzinho Vermelho deu alguns alertas a sua filha antes dela partir: &lt;/div&gt;&lt;div&gt;-Não converse com estranhos, não pare no caminho por pouca coisa e vá pela estrada do rio. Ouvi dizer que há um lobo devorando as pessoas na floresta, por isto, é sempre bom tomar cuidado. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E lá foi a garota com a sua capa vermelha a caminhar pelo bosque. O gorro vermelho a encobrir-lhe quase que totalmente o rosto, apenas realçando seus traços mais marcantes nos olhos, nariz e boca. Uma longa mecha de cabelo caía-lhe pelo ombro direito. Menos de dois minutos depois de ter saído, e Chapeuzinho já nem se lembrava mais das advertências da mãe. Afinal, há tempos que ela deixara de ser aquela menininha que temia os animais da floresta (com exceção de barata, claro! Mesmo não sendo algo exclusivo de grandes matas, este bicho, causa sim, um pânico imenso! - em muitas mulheres, diga-se de passagem). Agora, ela vivia perdida em seus pensamentos, a preocupar-se com a faculdade, com certos amores, com seu futuro. E sem perceber, afastou-se do caminho que sua mãe a aconselhara seguir. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;De súbito, surgiu alguém em seu caminho. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;-Olá, moça bonita! Para onde vai, assim, tão distraída? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Apesar de ele não ser bonito aos olhos da moça, tinha um porte físico um tanto quanto marcante, além de olhos escuros e ágeis, o que de certa forma, chamara a atenção de Chapeuzinho. Ela não pensou duas vezes em responder: &lt;/div&gt;&lt;div&gt;-Vou à casa de minha avó, entregar uns doces. Ela está doente. Mas quem é você? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mesmo estando frente a frente com o lobo citado por sua mãe, Chapeuzinho Vermelho não o reconheceu. Ao passo que o lobo responde: &lt;/div&gt;&lt;div&gt;-Sou um anjo da floresta e estou aqui para proteger mocinhas frágeis e indefesas como você. “Definitivamente, já ouvi cantadas melhores”, pensa a moça e apenas sorri. O lobo, muito interessado em continuar a conversa, continua: &lt;/div&gt;&lt;div&gt;-A sua avó mora longe daqui? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;-Não, muito. Ela mora na primeira casa depois da curva do rio. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;-Certamente é perto - ele responde. Sabia que é sempre bom encontrar pessoas por esses caminhos que não se importam em conversar? Muitas pessoas acham que não é legal conversar com estranhos... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;-Ah! Mas este conselho é mais voltado para as crianças, não é mesmo? Elas sim, são completamente inocentes para saberem distinguir uma boa pessoa de uma má. Os adultos, em sua maioria, conseguem perceber rapidamente as segundas, terceiras e até, quartas intenções dos outros...- comenta Chapeuzinho. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;-Uau! Vejo que realmente as coisas estão mudadas hoje em dia. Foi-se o tempo em que lobos maus enganavam menininhas... – e com isto, o lobo soltou sua risadinha aguda e seca. Chapeuzinho aparentava já impaciência. Era impressionante como certos “engraçadinhos” insistiam em cruzar seu caminho. O lobo, já percebendo a ansiedade da moça por ir-se embora, resolveu ele próprio, seguir em frente. Despediu-se dela e por um atalho, chegou à casa da avó da garota primeiro que ela. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Minutos depois, Chapeuzinho Vermelho estava a bater na porta da casa de sua avó. Apenas uma voz muito estranha, veio lá de dentro. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;-Pode entrar, minha netinha. Apenas puxe o trinco. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A partir daquele momento, a moça começou a preocupar-se realmente com a saúde de sua avó. Só estando muito doente para não conseguir sequer, abrir a porta. Deixou os doces em cima da mesa e foi-se para o quarto da senhora. Tudo estava do mesmo jeito de antes. Os mesmos objetos nos mesmos lugares, o mesmo cheiro de limpeza, o mesmo som da televisão ligada em volume mínimo. A avó estava em sua cama, com uma touca na cabeça e com a coberta puxada até a altura dos ombros. Chapeuzinho notou algo de muito estranho na aparência da velhinha. Seu rosto estava muito mudado e até mesmo, peludo. “Será que a vovó deixou de usar os cremes anti-rugas que lhe dei”, pensou a moça. E comentou: &lt;/div&gt;&lt;div&gt;-Vovó, mas que olhos tão grandes!!! &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/Sqm_7g5FbgI/AAAAAAAAAD8/zjsyi-tlZyc/s1600-h/chapeuzinho.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5380042259033320962" style="margin: 0px 0px 10px 10px; float: right; width: 138px; height: 183px;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/Sqm_7g5FbgI/AAAAAAAAAD8/zjsyi-tlZyc/s200/chapeuzinho.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;-São para te olhar melhor, minha netinha.&lt;br /&gt;-E que nariz grande, vovó!&lt;br /&gt;-São para te cheirar melhor, minha netinha.&lt;br /&gt;-E que orelhas tão grandes!&lt;br /&gt;-São para te ouvir melhor, minha netinha.&lt;br /&gt;Por mais que sua avó realmente estivesse precisando enxergar e ouvir melhor, Chapeuzinho Vermelho estava estranhando cada vez mais aquela situação. Cheirar melhor? Que história é esta? E resolveu arriscar mais uma vez:&lt;br /&gt;-Vovó, mas por que esta boca tão grande?&lt;br /&gt;Cansado já daquela situação, o lobo, vestido de avó da Chapeuzinho, gritou a plenos pulmões:&lt;br /&gt;-São para te comer melhor!!!!!!!!!&lt;br /&gt;E avançou por sobre a garota. Como toda mulher que pensa estar sendo atacada por um maníaco sexual, Chapeuzinho Vermelho berrou:&lt;br /&gt;-Socorro!!!! Um tarado!!!!&lt;br /&gt;Instantaneamente, ela começou a espernear, esmurrar e tentar atingir as partes baixas daquele sem vergonha a todo custo. Quando de repente, os guardas da floresta, ao passarem próximo ao local, ouviram os gritos de ajuda da moça e correram para a casa de sua avó.&lt;br /&gt;O lobo foi morto com um tiro e Chapeuzinho Vermelho estava tomada de pavor, achando que a sua avó tinha sido morta por um doente mental. Só que os guardas explicaram a ela que aquele era um tipo de lobo mau, que atacava pessoas inocentes em seu caminho. Sua avó tinha sido devorada por ele, no sentido literal da palavra e era isto o que ele também, pretendia fazer com ela, se eles não tivessem chegado a tempo. Porém, como ele engolia as pessoas por inteiro, sem mastigar, bastava abrir sua barriga e retirar a vovozinha.&lt;br /&gt;Minutos depois, neta e avó estavam abraçadas e choravam muito. Chapeuzinho Vermelho não conseguia entender como a palavra “inocência” podia se dar de formas tão diferentes para adultos e crianças. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-6871899478174846487?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/6871899478174846487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/6871899478174846487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2009/09/chapeuzinho-vermelho-dona-de-seu-nariz.html' title='Chapeuzinho Vermelho, dona de seu nariz'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/SqnAYHPdGWI/AAAAAAAAAEE/buzxuhHHUfo/s72-c/chapeu.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-2492883169979344180</id><published>2009-08-21T14:26:00.000-07:00</published><updated>2009-08-21T14:32:45.259-07:00</updated><title type='text'>Diálogos de uma mente em transe</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/So8SaDPcbnI/AAAAAAAAADs/Ne8ALUOwBXs/s1600-h/meu+desenho+005.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372533119232274034" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/So8SaDPcbnI/AAAAAAAAADs/Ne8ALUOwBXs/s200/meu+desenho+005.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/So8SNKVp_NI/AAAAAAAAADk/H6H_lHauVRY/s1600-h/meu+desenho+005.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Papel e caneta na mão e alguma ideia na cabeça, se possível. Lá está a caneta a rabiscar o papel, deixando nele sua tinta em formato de palavras. Mas o que são as palavras, a não ser um monte de letras, porventura tortas, que ora sobem, ora descem e que muitas vezes são incompreendidas?&lt;br /&gt;Os pensamentos fluem constantemente e por inúmeras vezes aquele famoso símbolo de uma lâmpada acesa bem acima da cabeça de seu pensador, aparece. Às vezes, a ‘lampadazinha’ permanece acesa por um período de tempo maior, o que dá a entender, que desta vez a caneta que desliza sobre o papel não terá suas palavras arremessadas para dentro da lixeira. Mas que nada! Lá vai mais uma bolinha branca com riscos azuis a misturar-se com as demais.&lt;br /&gt;A lixeira ao lado da escrivaninha está transbordando de ideias mal estruturadas. São bolos e bolos de uma papelada que invade até mesmo o chão. Já não há mais limite para manter as pequenas frases ali escritas. É como se houvesse um grande vulcão, a vomitar com fúria sua lava de papel-palavras. Ainda que deformadas pelo amassamento do papel, tais frases insistem em se mostrar. É possível ver construções quase inteiras, pensamentos quase completos jogados ali. Anotações de uma mente em transe.Quem foi que disse que escrever é fácil?&lt;br /&gt;-Você poderia ter a delicadeza de não me descartar com tanta frequência?- surge uma voz de repente.&lt;br /&gt;-Quem está aí?-pergunta a pessoa que escreve, a caneta a ergue-se na mão.&lt;br /&gt;-Ora, esta! Quem sou eu? Quem mais poderia ser? Sou o seu lado mais criativo e inovador, aquele que te garante prêmios, satisfações e elogios, às vezes, até mesmo uma promoção no emprego também. Não percebe quem sou eu?&amp;shy;&lt;br /&gt;- Não!- responde a pessoa enquanto passa a mão pelos cabelos.&lt;br /&gt;-Veja, sem você eu não poderia existir, assim como, sem mim, você não poderia ter feito muitas coisas. Sou a Ideia!&lt;br /&gt;-Muito prazer, dona Ideia. Mas me diga, por que este tom de repreensão?&lt;br /&gt;- Porque você simplesmente não está me dando o devido valor. Olhe para aquela lixeira, sim, esta mesma! O que você vê?&lt;br /&gt;-Vários papéis amassados dentro e fora dela. Ou seja, nada mais do que lixo.&lt;br /&gt;-Lixo???- responde a Ideia com grande indignação. Você está me chamando de lixo?&lt;br /&gt;-Não a senhora, mas os papéis.&lt;br /&gt;- E o que são os papéis a não ser uma prova documental da minha existência? Eles são a forma que você achou para me materializar. Palavras escritas, pensamentos concretos, isto nada te diz?&lt;br /&gt;Dona Ideia estava realmente brava, ao passo que a pessoa responde:&lt;br /&gt;-Eu não queria ofender a senhora, aliás, nem sabia que fosse possível nos encontrarmos aqui. Eu apenas descartei folhas de um caderno onde cri não ter achado a melhor maneira de começar o meu texto.&lt;br /&gt;-Pois saiba, que ideia alguma deve ser descartada! Todas são válidas como forma de experiências, de melhorar a criatividade e de, portanto, originar novas outras ideias. Se para o momento alguma não foi útil, no futuro bem poderá ser utilizada.&lt;br /&gt;Um silêncio toma conta do lugar. A pessoa que escreve está a pensar. Olha para o papel e para a caneta, que também lhe lançam olhares.&lt;br /&gt;- E então, o que me diz?- fala a Ideia.&lt;br /&gt;A pessoa que escreve está com um ar confuso. Apenas responde:&lt;br /&gt;-Você me disse quem você é, mas não o quê você é...&lt;br /&gt;-Pelo visto, muito preciso explicar a você... Eu sou o que você quer que eu seja. Digamos que sou como o vento a bater nas rochas: através de pequenas inserções, ações e insistências, vou modelando a “rocha”. Depois de um período bem prolongado, ela se torna diferente e única. Entende?&lt;br /&gt;-Acho que sim.&lt;br /&gt;-Mas se você me repreende, me atira e me minimiza, como posso me chamar Ideia?&lt;br /&gt;A pessoa que escreve apenas assente com a cabeça. No final de tudo, o vulcão de papel-palavras parou de ebulir e a lâmpada na cabeça de seu pensador não parou mais de brilhar. Estava a iluminar seus pensamentos e dar cada vez mais luz às suas ideias. Assim, Pessoa e Ideia continuaram a dialogar. Falaram tanto, que inúmeras outras Ideias se juntaram à prosa. Conversaram até extinguirem todas as palavras que pudessem ser ditas. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-2492883169979344180?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/2492883169979344180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/2492883169979344180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2009/08/dialogos-de-uma-mente-em-transe.html' title='Diálogos de uma mente em transe'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/So8SaDPcbnI/AAAAAAAAADs/Ne8ALUOwBXs/s72-c/meu+desenho+005.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-4972607546794637704</id><published>2009-08-18T16:58:00.000-07:00</published><updated>2009-08-18T17:10:22.379-07:00</updated><title type='text'>A vida de Norma - JP de Azevedo*</title><content type='html'>Norma sempre foi considerada uma garota normal dentro de seu pequeno círculo de conhecidos. Alguns atributos e características de sua personalidade, porém, mostravam-na como uma menina um tanto quanto incomum para sua idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos dezessete anos terminou o colegial. Gostava de ir a teatros, tinha profunda admiração  por peças de Shakespeare (talvez o único autor que realmente lhe interessava), gostava de assistir a filmes cults e que normalmente estão fora do circuito comercial. Aliás, detestava tudo que carregava este rótulo de “comercial”, “pop” ou mesmo “teen”, na medida em que tudo lhe parecia vulgar e banal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pouco tempo resolvera entrar em um curso de Teatro, o que acabou por se tornar uma grande decepção: seus professores ignoravam os clássicos e preocupavam-se somente em propor textos de autores contemporâneos, altamente pedantes e que em si não tinham graça nenhuma. Sem contar no tempo que se perdia com exercícios infantis que não serviam para absolutamente nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única coisa que tirou de proveitoso do curso de teatro foi um namorado. Frederico, um rapaz rico, estudante de direito de uma caríssima universidade privada, despertara-lhe o interesse devido à sua visão crítica quanto a problemas realmente relevantes que iam desde questões que envolviam meio ambiente até a estética predominante nas obras de Picasso. Norma ficava encantada quando seu jovem namorado discorria horas a fio sobre seus conhecimentos de botânica, física quântica, Fenomenologia hegeliana... Tinha sensações que equivaliam a verdadeiros orgasmos quando Frederico pronunciava alguma palavra à qual desconhecia o significado “Ontologicamente falando...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era essa a vida de Norma: não se considerava uma garota alienada, tinha senso crítico, sabia o que era bom, não tinha problemas com os pais (o que era muito incomum para as demais moças de sua idade), namorava um bom rapaz, estava se preparando para o vestibular...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, havia algo que sempre lhe importunava. Um sentimento estranho que lhe abatia e que a fazia hora ou outra sentir-se como uma pessoa vazia, desencarnada do mundo real. Parecia que tinha uma existência inútil e que, apesar do que lhe diziam seus pais, ou até mesmo Frederico (quando encontrava tempo para ouvir o que Norma dizia), fazia com que tivesse a impressão de que estava à parte do mundo: ela não o percebia, assim como, ele, o mundo, também não se dava conta de sua existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia 25 de agosto foi um dia marcante para a história de Norma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela saiu em procura de uma loja de cds em um Shopping qualquer da cidade com apenas uma coisa em mente: Comprar um cd de Tchaikovsky. Era o único compositor erudito que ainda não tinha ouvido e, como Frederico havia lhe alertado sobre as singularidades do repertório deste extraordinário compositor, não teve dúvidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na loja de cds&lt;br /&gt;Norma:&lt;br /&gt;–        Bom dia, tem alguma coisa aí de Tchaikovsky?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vendedor torceu o nariz para a pergunta de Norma:&lt;br /&gt;–Tchaikovsky? Hum... acho que não tenho nada dele aqui não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vendedor:&lt;br /&gt;– Mas você pode ficar à vontade, deve haver algo que lhe interesse...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Norma com desânimo começa a circular pela loja, até o momento em que se depara com uma prateleira de cds de rock.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma capa lhe chama a atenção: quatro rapazes estranhos com cabelos longos cobrindo os olhos, sob uma inscrição em vermelho R.A.M.O.N.E.S&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Norma vira-se para o vendedor e pergunta:&lt;br /&gt;– O que é isso aqui: R.A.M.O.N.E.S ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vendedor:&lt;br /&gt;–Você não conhece? É uma dessas bandas punks...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Punk... Norma já havia ouvido essa palavra, mas nunca soube bem o que significava. Uma curiosidade mórbida a impulsionou até ao balcão do vendedor fazendo-a comprar de imediato o estranho cd.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou em casa com a camisa molhada de suor. Não se lembrava de ter em algum momento corrido tanto por alguma coisa. Só o que queria era chegar em casa o mais rápido possível para poder ouvir aquele estranho cd. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegou-o com as mãos trêmulas e, antes de colocá-lo no aparelho de som, deu mais uma rápida olhada para a capa. Havia algo ali que a intrigava, talvez o fato de o olhar de peixe morto de um dos integrantes da banda passar a impressão de querer lhe dizer alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem mais hesitações colocou o cd no aparelho de som, deitou-se na cama e apertou o play do controle remoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Riffs infernais de guitarra começaram a soar entre as paredes do até então tranqüilo quarto de Norma. E como se alguma força estranha agisse sobre seu corpo, começou a levitar sobre a cama até o momento em que se viu de pé agitando freneticamente a cabeça, para cima e para baixo e cantando em línguas estranhas (já que não compreendia o inglês cantado pela banda).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela primeira vez Norma sentia o sangue correr em suas veias. Tinha a certeza de que aquele era um momento especial que iria determinar novos rumos em sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvida encontrara o remédio para suas crises de identidade. Depressão nunca mais, pois só uma coisa importava: O Rock’n’roll e, acima de tudo, ser Punk.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inexplicavelmente sentiu uma vontade danada de se rebelar, por isso, a primeira coisa que fez foi pintar uma mexa de seus longos cabelos negros com a cor vermelha. Isso era uma atitude Punk, isso é que é chocar a sociedade. “Essa hipocrisia de merda! Pro diabo vocês todos!” E, num acesso de revolta e ira, pegou do telefone e discou o número de Frederico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Norma:&lt;br /&gt;– Alô, Frederico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frederico:&lt;br /&gt;– Oi, meu bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Norma:&lt;br /&gt;– Meu bem o cacete, VAI SE FODER!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frederico era retrógrado em demasia para que ela continuasse a perder seu tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa crise de riso histérico ela deita-se novamente sobre a cama e continua a ouvir o cd.&lt;br /&gt;A música que tocava era “Sheena is a punk rocker”, porém, o som que ecoava em sua mente dizia: “Norma is a punk rocker Now!”.  &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;  &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;*Biografia: Amigo "emailístico" da "Bruníssima", filósofo nada lunático, que curte Led Zeppelin e Cat Power. Acha a "Lara" de Dr.Jivago muito mais bonita que a "Tonia" (e ai de quem discordar!!!); para ele "PG" é “País de Gales” e tem uma gatinha que usa um capacete de casca de laranja na cabeça.&lt;br /&gt;É claro que tem a total simpatia de sua amiga Bruna, com quem partilha ideias, alucinações, desabafos e (por que não) xingamentos&lt;br /&gt; &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-4972607546794637704?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/4972607546794637704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/4972607546794637704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2009/08/vida-de-norma-jp-de-azevedo.html' title='A vida de Norma - JP de Azevedo*'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-8803495645691712467</id><published>2009-08-14T20:58:00.000-07:00</published><updated>2009-08-14T21:00:39.189-07:00</updated><title type='text'>Lembranças de outono*</title><content type='html'>Eram meados de outono. Um dia triste e sombrio, onde a vida tentava precaver-se do rigoroso inverno que estava por vir. Dentro de mim, esse frio intenso já se fazia presente há tempos: ventos de insatisfação eram constantes; míseras garoas de infelicidade que se transformavam nas mais sólidas geleiras de vis sentimentos.&lt;br /&gt;            Laura estava contente naquele momento. Seus olhos negros-  que muito me lembravam as trevas, por transparecerem solidão e profundidade- corriam cada detalhe daquele lugar. Este ainda era uma de suas últimas alegrias, desde o acidente. Lembro-me que quando éramos crianças costumávamos brincar por entre as delicadas e coloridas flores daquela serra. O cinza de um pequeno pedaço do mar, logo a diante, muito nos instigava e tentávamos juntas, descobrir os seus mistérios, enquanto observávamos os rochedos lá em baixo.&lt;br /&gt;            Penso que fomos felizes naqueles tempos. Talvez, eu nem tanto, mas Laura, creio que sim. Por ser adotiva, pequena e frágil, ela sempre conseguia de nossos pais um maior cuidado e atenção. Eu, ao contrário, era sempre deixada de lado e por ser três anos mais velha, ainda era obrigada a também fazer-lhe desvelos. A revolta, aliada ao ciúme e à indignação crescia em meu interior dia após dia.&lt;br /&gt;            Foi voltando de um passeio em uma cidade próxima, que o acidente aconteceu. Papai, sempre afobado para chegarmos logo em casa, fez mal uma curva, perdendo desta forma, o controle do carro. O acidente foi fatal para ele e mamãe e deixou Laura paraplégica. Eu, nada sofri de grave.&lt;br /&gt;            Condenada eternamente à cadeira de rodas, Laura tornou-se ainda mais dependente de mim. Dois anos já havia passado desde o desastre e eu não mais suportava cuidar-lhe do corpo e de suas longas crises depressivas.&lt;br /&gt;            Sempre que estava melhor de seus abalos emocionais, eu a levava para aquele lugar. Ali passávamos horas ininterruptas, a brisa soprando nossos rostos e eu olhando  para os rochedos, sem mais pensar em descobrir os mistérios do mar, mas sim, em uma maneira de dar fim àquela criatura que por toda a vida chamou-me de irmã.&lt;br /&gt;            Laura mostrou-me os fracos raios de sol que teimavam em esconder-se por entre os galhos das árvores. Lembro-me bem daquele fim de tarde: estávamos paradas à beira da serra, sempre entretidas em nossos pensamentos. O frio tranquilo do outono ajudava-nos a resgatar recordações e a planejar, no meu caso, uma infeliz idéia de homicídio.&lt;br /&gt;            Foi em um momento desses, de viagem ao imaginário, que por um simples descuido, vi minha irmã adotiva despencar sobre os rochedos. Meu corpo empurrou instantaneamente sua cadeira de rodas e Laura foi arremessada ao lugar que por tantas vezes foi-nos fonte de reflexões. A negritude de seus olhos invadiu-me por completo e Laura passou a habitar, desde então, as mais longínquas profundezas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...................................................................................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O que eu tanto desejara acontecera finalmente. Fiquei estarrecida nos primeiros instantes, diante de tal acontecimento inesperado; o olhar perdido no céu róseo-avermelhado daquele fim de tarde, naquele fim de Laura.&lt;br /&gt;            Uma brisa fria embebedou-me a tal ponto, que em um ato de inclemência, virei-me e retornei de maneira calma e lúcida para a casa.&lt;br /&gt;            Chuvas vieram e se foram; marcas de expressão surgiram em meu rosto, indicando a passagem do tempo. E eu nunca mais retornara àquele lugar.&lt;br /&gt;            Apesar de tudo, aquele pedaço de serra ainda vivia em mim.Fazia-se presente em meus sonhos, pensamentos e lembranças. Constantemente uma voz distante soava suavemente em meus ouvidos. E a cada dia essa voz entoava de maneira mais fremente, até tornar-se um grito.&lt;br /&gt;            Era um grito de súplica, algo como um chamado desesperado. A voz penetrava com tamanha intensidade em meus ouvidos que ia roubando-me as forças, até dominar-me completamente.&lt;br /&gt;            Estava hipnotizada por aquele grito deprimente e seu poder atrativo levou-me até ele. Era outono novamente. O uivo do vento confundia-me com o som daquela intensa voz. Cada passo dado aproximava-me mais daquele mistério. E lá, na beira da serra, finalmente encontrei o que andava a me atormentar. Laura olhava-me serenamente com seus olhos de trevas. Havia angústia em suas palavras, que a brisa carregava docemente.&lt;br /&gt;            Eu me sentia completamente subjugada a minha irmã. Sua imagem abatida atraía-me ainda mais a ela. Vi Laura com os braços estendidos, pela segunda vez, despencar das alturas da serra. Mas desta vez, tentei impedir e num ato súbito, fui ajudá-la. Atirei-me daquele abismo.&lt;br /&gt;            Laura caía levemente como uma folha que se desprende da árvore. O seu balanço era suave e ao mesmo tempo envolvente. Um tímido sorriso brotava de seus lábios. Com o passar da queda afundava-me gradativamente em seus olhos, até a negritude cercar-me por completo. Pronto. Estava infiltrada nos olhos de Laura. Agora, ela e eu estávamos unidas por todo o sempre; éramos uma só solidão. Seus olhos eram espelho e eu a imagem perdida em suas trevas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;strong&gt;Texto escrito em 2005, para mais uma "aula" do professor "Pipoca". Objetivo: matar alguém!!!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;**texto sem edições!&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-8803495645691712467?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/8803495645691712467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/8803495645691712467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2009/08/lembrancas-de-outono.html' title='Lembranças de outono*'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-3088469026063149948</id><published>2009-08-13T19:36:00.001-07:00</published><updated>2009-08-13T20:10:04.501-07:00</updated><title type='text'>A menina que morava no retrato</title><content type='html'>&lt;a href="http://gehspace.com/edicao%2048%20imagens/Girl%20With%20Doll.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 450px; CURSOR: hand; HEIGHT: 414px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://gehspace.com/edicao%2048%20imagens/Girl%20With%20Doll.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Era uma menina como qualquer outra, nem mais alta e nem mais baixa, nem mais velha e nem mais nova. Tinha longos cabelos de mel amarrados como as mães normalmente costumam amarrar os cabelos das filhas: sempre um pouco para cada lado do rosto e com dois grandes laçarotes.&lt;br /&gt;Pensa-se que ela fosse feliz, porque seus lábios esboçavam aquilo que deveria ser o início de um longo sorriso. Um leve repuxar do contorno da boca em suas extremidades dão este ar de uma possível alegria. Não, ela não é a Monalisa de DaVinci, mas bem que poderia ser filha dela, se isto fosse possível. Lábios que brincam com os sorrisos deveriam ser uma característica genética. Afinal, não são todas as pessoas que conseguem manipular um riso e fazer dele algo totalmente duvidoso.&lt;br /&gt;Só que ela esteve ali, o tempo todo presa no interior de quatro linhas retas. Um quadrado muito bem apessoado, como qualquer quadrado, diga-se de passagem, com todas as suas medidas tão simetricamente simétricas que seria impossível notar qualquer milímetro de assimetria. E neste mundo de medidas tão perfeitas morava a menina não-Monalisa de cabelos de mel. O lugar, apesar de rodeado de quatro traços que lembravam horizontes, não possuía nenhum rastro de céu, azul ou vermelho, cinza ou coberto de nuvens brancas. Também não havia ali nem sol, nem chuva ou vento, quem dirá então, um lindo arco-íris! Só uma coisa havia: verde! Obviamente que não era o verde de nenhuma mata ou de uma simples plantinha que fosse... não! Era o verde desbotado de uma velha cortina... E ele ocupava todo o espaço que o corpo da menina deixava vago. Ficava atrás dela, como um guarda-costas, como um segundo observador a olhar constantemente a garotinha.&lt;br /&gt;Com toda a certeza, não devia ser muito aconchegante morar naquele lugar. Afinal, a menina do retrato não brincava de pular corda, nem de correr, nem de amarelinha, nem de nada. Por mais que segurasse uma boneca de cabelos cor-de-rosa no braço direito, nenhuma aventura as duas poderiam viver. Como ser livre quando os horizontes são tão quadrados e tudo é tão verde-desbotado? Como ir para muito além quando o além é logo ali? O que restava fazer, então, a não ser esboçar um pequeno sorriso e olhar somente para frente? Seus olhos melancólicos e castanhos conseguiam enxergar um outro mundo em uma outra dimensão, muito, muito distante de sua realidade. Eram olhos de súplica, que mesclavam curiosidade e atrevimento. A menina não queria que apenas a espiassem em seu pequeno universo; queria também, que dirigissem à palavra a ela. Mas isto, ninguém ousava fazer. Ninguém jamais perguntou a ela o por quê daquela intrigante expressão facial, nem o nome de sua boneca, nem o por quê daquele estranho sorriso. Também não se importaram em saber se ela gostava mais de balas ou chocolates, gatos ou cachorros ou se a cor de sua cortina de fundo a agradava. Apenas a olhavam e cochichavam coisas entre si que ela não conseguia entender. Depois, colocavam a menina e seu retrato novamente em cima da cômoda do quarto. E assim se sucedeu por um longo tempo. Até que um dia, cansada de tudo aquilo, a menina do retrato resolveu-se vingar. Pegou boneca, cortina e quatro horizontes e sumiu. Não acharam mais nada disto na cômoda nem em outro lugar. Nunca mais se soube do retrato da menina e nem da menina do retrato. Espera-se que pelo menos, ainda esteja tentando sorrir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-3088469026063149948?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/3088469026063149948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/3088469026063149948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2009/08/menina-que-morava-no-retrato.html' title='A menina que morava no retrato'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-7247826676401250978</id><published>2009-08-11T18:49:00.000-07:00</published><updated>2009-08-11T18:50:38.805-07:00</updated><title type='text'>(Des)encontros</title><content type='html'>As horas passaram-se, os dias e os meses também. No final de tudo, chegou-se ao total de 42 anos, cinco meses e quatro dias. E aqui, nesta rua escura, estou. Não que todo este tempo tenha sido como um fardo, para mim. Pelo contrário, vivi momentos com muita intensidade. Conheci, esqueci, reconheci, reencontrei e perdi pessoas. Mas todas com a sua parcela de importância no meu caminho. Mas e agora, o que o futuro ainda me reserva nestes 20 e tantos anos que ainda me faltam até a velhice? Quantos seres ainda hei de encontrar? Quantos serão momentâneos, quantos serão especiais, quantos serão inesquecíveis e quantos eu daria de tudo para não os ter encontrado?&lt;br /&gt;São exatas 11 pessoas que estão aqui, ao meu redor. Todas com o mesmo objetivo: pegar o ônibus que as conduzirá a algum destino. O destino de cada uma delas pode estar na próxima parada, ou não. O senhor de camisa listrada olha-me com olhos impacientes. Está com um ar abatido, provavelmente passou o dia atrás de algum balcão de loja. Basta apenas uma simples pergunta, para que um acaso aconteça. Não, ele não me disse nada. Apenas o estar presente não importa para que conheçamos pessoas. É preciso diálogo, simpatia, afinidade.  Nestas minhas quatro décadas de vida, quantas vezes fui abordado para responder as horas, para informar lugares, ou simplesmente, para concordar que irá chover. Foi assim que conheci a Carolina, uma menina que em nossos tempos de juventude, costumava sentar-se ao meu lado na cantina da escola. Bons tempos aqueles...&lt;br /&gt; Á alguns passos de mim, está uma moça de óculos escuro, muito elegante com seus sapatos vermelhos de saltos altos. Ela se oferece para segurar algumas sacolas de uma senhora já de idade. Os olhos da mulher mostram um certo brilho ao aceitarem tamanha gentileza. Um pequeno bate-papo inicia-se. Falam sobre a demora do ônibus, que está sete minutos atrasado. “Deve ter sido a chuva que inundou a marginal”, repete a senhora, com certa freqüência. De repente, a moça, como que impaciente com aquele diálogo que não a levará a lugar algum, abre a bolsa e retira um celular. A conversa agora, muda de interlocutor; passa a ser onipresente. A mulher com mais idade, cala-se. Parece que o destino não quer agir neste ponto de ônibus. Nenhum dos presentes mostram-se simpáticos uns com os outros. Ninguém se atrai, ninguém se repele. Apenas um lugar em comum, em um tempo em comum.&lt;br /&gt;O silêncio toma conta do lugar, o que faz da rua, torna-se ainda mais escura. Penso que, quantas destas pessoas aqui presentes poderiam ser minhas amigas... Seriam tantos os assuntos a serem discutidos, trocados, tantas confissões a serem feitas, tantas risadas, choros e apoios a serem compartilhados... Quem sabe não encontraria no senhor de camisa listrada um bom companheiro para as minhas pescarias de domingo? Quem sabe, a mulher com a criança no colo ao meu lado, não poderia ter sido a mãe dos meus filhos? Ou, quem sabe ainda, os dois adolescentes que tanto se olham, não acabaram de encontrar um grande amor um com o outro?&lt;br /&gt;Oportunidades... É disto que a vida é feita. Oportunidades. Hoje estou aqui, parado neste ponto de ônibus, após um dia inteiro de trabalho. Conversei com muitos clientes, deparei-me com os mais diversos tipos de gente nas ruas. E agora, meu dia quase termina aqui. Não tive nenhuma grande oportunidade hoje. Nenhuma quis concretizar-se até o momento. É mais fácil não conhecer alguém, do que conhecer. O acontecer do destino acontece nos mais variados momentos e lugares. Até, mesmo, em um simples ponto de ônibus em uma rua escura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-7247826676401250978?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/7247826676401250978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/7247826676401250978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2009/08/desencontros.html' title='(Des)encontros'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-2319741625470152416</id><published>2009-08-10T20:21:00.001-07:00</published><updated>2009-08-11T06:26:25.577-07:00</updated><title type='text'>Ataquem, soldados!</title><content type='html'>&lt;a href="http://quadradovirtual.files.wordpress.com/2007/06/soldados.png"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 270px; CURSOR: hand; HEIGHT: 270px" alt="" src="http://quadradovirtual.files.wordpress.com/2007/06/soldados.png" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;1943, Segunda Guerra Mundial. São duas horas da tarde. O céu está nublado em Berlim. O inimigo se aproxima. Meu coração está disparado. Ele ainda não percebeu que eu estou entre os escombros. Minha arma está mirada em sua cabeça. Estouro seus miolos. Maldito inglês!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1965, Guerra do Vietnã. Estou em meu alojamento tentando dormir um pouco. Lá fora bombas, tiros e gritos de meus colegas e dos inimigos. Fecho os olhos. O que será que Laura estará fazendo agora? Tomara que ainda pense em mim. Uma tarde que passamos sob as folhas de um carvalho vem à minha mente... E pensar que há dois anos eu era tão feliz... Um grande estrondo me desperta de meu estado de sonolência. Uma bomba atingiu um outro alojamento há poucos metros do meu. Meu instinto me leva a pegar minha arma e a correr. Uma sombra por detrás das ruínas de um prédio me alerta. É um asiático, eu sei. Não penso duas vezes em atirar. Tomba a minha frente o corpo de um pequeno vietnamita de cerca de cinco anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1982, Guerra das Malvinas (Falklands). “É agora, Steve!”... E então eu e o meu companheiro pulamos no pescoço daquele argentino nojento. Você não imagina a satisfação que sentimos ao pegá-lo. É como se ganhássemos mais uns instantes de vida e, de fato, era isso mesmo. O capitão argentino não mostrava resistência, até porque, éramos dois contra um. Dois soldados britânicos tinham nas mãos o líder daqueles desgraçados. “Vamos mantê-lo aqui por uns dias, John, vai ser valioso para nós”, disse-me Steve. “Sim, ainda não temos pressa em matá-lo”, respondi. O capitão engoliu em seco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1994, Guerra dos Bálcãs. Kosovo está em ruínas. São destroços de máquinas, gigantes entulhos de prédios, pedaços de corpos por todo lugar. Apesar de ter consciência da minha missão – da missão que me fora dada de defender a minha pátria e o meu povo-, eu me pergunto: “Valerá a pena matar e morrer por isso?”. Em quase três anos, já perdi alguns familiares e muitos amigos. Serei eu o próximo a perder a vida? Aqui neste galpão abandonado já não resta mais nada do que fora em outros tempos. Mesmo assim, gosto de me refugiar aqui. Fujo por breves instantes do mundo cruel lá fora. Fujo brevemente de mim mesmo. Mas eu sou um sérvio. Meu povo depende da minha bravura em combate. Então digo a mim mesmo: “Coragem, soldado Petrov! Vá lá e acabe de uma vez com eles!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2003, Guerra do Iraque. Na lista dos soldados convocados para a guerra estava escrito: Mark McKall. Meu Deus! Sou eu! E foi assim que minha vida mudou de repente... Minha família, meus amigos, meus sonhos e meus anseios foram interrompidos. Grossas lágrimas rolam em meu rosto. Estou em meu quarto e meu olhar corre cada pequeno espaço desse meu pequeno ambiente. Amanhã embarco para uma terra distante. Vou lutar contra algo que nada significa para mim. Nenhum conflito é maior que aquele ocorre agora dentro de mim. Jogo longe meu travesseiro. Droga! Será que vou voltar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2008, conflito Israel x Palestina. Mais uma noite cai na Faixa de Gaza. Olho para o céu, nada de estrelas. Apenas riscos esverdeados de projéteis cortam o horizonte. Tento levantar, mas não consigo. O ferimento em minha perna foi profundo; não consigo mais senti-la. Se não houver socorro logo, acho que não sobrevivo até o amanhecer. As horas passam, ninguém aparece. Pelo visto, aquela foi a minha última batalha. Uma escuridão invade o meu interior. Agora sou mais um soldado morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2009. “Acabem com eles!”, “Te peguei, maldito!”, “O que estou fazendo nessa guerra?”, “É minha última chance”. Diversas frases e pensamentos estão em guerrilhas. O mundo tornou-se cenário de um grande combate. Vidas se perdem diariamente de forma cruel e fútil. Balas, mísseis e bombas destroem a humanidade. Há muito sangue no chão. Somos soldados de uma guerra universal. Entramos em conflito por coisas pequenas. O espírito de sobrevivência nos invade constantemente. Se não acabarmos com o inimigo, ele acabará conosco.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-2319741625470152416?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/2319741625470152416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/2319741625470152416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2009/08/ataquem-soldados.html' title='Ataquem, soldados!'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-5558013409942738459</id><published>2009-08-09T15:21:00.000-07:00</published><updated>2009-08-09T15:22:44.034-07:00</updated><title type='text'>O jornalista invisível</title><content type='html'>Não foi há muito tempo que as palavras e as imagens começaram a dizer coisas por si mesmas. Na verdade, não faz muito também, que palavras soltas, textos completos, imagens provocativas e leitores individualizados vem misturando-se em um grande e complexo bolo de idéias e de padrões. Não que isto seja algo totalmente ruim (eu jamais pensaria uma coisa destas), mas a maneira como ocorre é com toda certeza, fascinante! Não sei se pela sua rapidez, ou pela mudança de velhos padrões, só sei que ler hoje em dia é muito mais do que simplesmente abrir uma página de um jornal (ou revista, que seja) e acompanhar com os olhos cada frase ali contida. E olha que muito já li em meus quase 80 anos de vida!&lt;br /&gt;A revista a minha frente é chamativa por si só. Trás na capa a sombra de um jovem cabisbaixo. Mesmo não havendo uma fisionomia ali desenhada, sei que a fotografia remete a um garoto em torno de seus 13 anos. Um rapazinho pobre, violento, para quem a sorte não sorriu até o momento e cuja triste vida, o levou a ser capa da revista que está na minha mesa. A fotografia contrasta com um vermelho-sangue chocante, que escorre por todo o papel. As letras grandes amarelas apenas escrevem: “Infância perdida”. Uma imagem comum, para uma capa comum, com um assunto comum, com um tema comum para um leitor também comum. Será?! Eu, economista aposentado, com exatos 43 anos de carreira (a contar de quando comecei a vender pães na venda de meu avô, aos 10 anos de idade), com Marx, Nietzsche, Malthus, Dostoievski, Drummond, sem contar a minha amada Cecília Meireles na cabeça, não posso ser nunca alguém comum. Tenho minhas vaidades, que aliás, são muitas.&lt;br /&gt;Meu olhar passa novamente pela revista. Vejo que há algo mais nela, algum detalhe importante, uma espécie de “dimensão”. Sei que em quase tudo o que vejo há mensagens subliminares, mas neste caso específico, é mais do que isto. Ainda não sei explicar do que se trata, talvez, dando uma olhada com mais atenção em seu conteúdo, eu venha a saber.&lt;br /&gt;Leio toda a reportagem de capa. Há uma enorme contextualização sobre as crianças que se envolvem em crimes, desde os principais motivos para isto, a rotina de vida de muitas delas, as consequências disto para suas vidas e para a sociedade. Um texto interessante, devo dizer. Vejo minha mente fechar-se em milhões de questionamentos sobre o tema, a relembrar momentos em que me deparei frente-a-frente com crianças pedindo esmolas, a lamentar por tudo isto. Muitas de minhas ansiedades estão respondidas, lançadas e projetadas no texto que acabei de ler. É como se houvesse um diálogo entre eu e mais alguém a respeito do assunto. É isto! Aí está a “dimensão” a que me referi! Ela é o próprio jornalista. É ele quem me chama para esta conversa, quem me conduz, quem dialoga comigo. Quando não concordo com o que ele escreve, o que eu faço? Mando uma carta, um e-mail ou ainda, telefono para a redação e dou a minha opinião dos fatos. Mas é claro que isto também serve para elogiá-lo pelo trabalho feito, para dar ideias, sugestões e porque não, correções?&lt;br /&gt;Quando um jornalista expõe a sombra de uma criança em um fundo vermelho, o que ele me diz? Que jovens estão sendo massacrados em uma sociedade desigual. E o que eu respondo a ele? Sim, jornalista, a sua capa chamativa me acorda para este problema. Quando abro a revista e leio a história de vida do ídolo de uma geração que agora está morto, como retorno tamanha consideração pelos fãs? Com palavras tão escritas quanto as que ali encontrei. É assim que o mundo impresso vem a cada dia se mantendo e se reformulando. É como se houvesse um pouco do jornalista enquanto ser em cada frase, em cada fotografia, desenho e gráfico. Ele dá vida, sentido, forma, conteúdo, interpretação para tais elementos... Escrita e imagens falam e ouvem por si mesmas...&lt;br /&gt;Nesta interação entre eu, leitor, e ele jornalista, não há abismos, nem grandes barreiras; porventura, alguns buracos... Mas este último é fato isolado nos dias de hoje, estou certo disto. O que importa é que ele me vê e eu o vejo. Ele sabe exatamente de meus anseios e necessidades, e na minha individualidade, tenta me enquadrar junto com seres tão “Meireilistas” quanto eu. Também sei onde a mídia atua, sua importância e até mesmo, evoluções. Interagir torna-se sinônimo de compartilhar, testar e aproveitar oportunidades e anseios. Nossa troca de informações é diária e constante e isto nos faz pertencer ao mesmo emaranhado de posturas comuns.&lt;br /&gt;O meu bate-papo nesta tarde com os jornalistas da revista de capa marcante, está me rendendo boas reflexões. Mas que falta de educação a minha! Eu, aqui, a conversar e nem ofereci ainda uma xícara de café para estes meus “caros colegas”. E vejam que mal comecei a ler toda a revista! Acho que não se importam em esperar um pouco no sofá, não é mesmo? Eu volto já.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-5558013409942738459?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/5558013409942738459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/5558013409942738459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2009/08/o-jornalista-invisivel.html' title='O jornalista invisível'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-2679626512444533233</id><published>2009-08-07T20:40:00.001-07:00</published><updated>2009-08-07T20:41:03.015-07:00</updated><title type='text'>Observação</title><content type='html'>*Blog ainda em construção!!! Revendo conceitos, refazendo idéias, criando, experimentando...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-2679626512444533233?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/2679626512444533233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/2679626512444533233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2009/08/observacao.html' title='Observação'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-4638639997657067413</id><published>2009-08-07T20:36:00.000-07:00</published><updated>2009-08-07T20:39:08.794-07:00</updated><title type='text'>Monólogos de um momento eternizado</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/SnzzVdRl45I/AAAAAAAAAB0/vUT2j0_FpPk/s1600-h/fotografia+tirada+por+che.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5367432405880005522" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 221px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/SnzzVdRl45I/AAAAAAAAAB0/vUT2j0_FpPk/s320/fotografia+tirada+por+che.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;México, 1955. Um fim de dia, talvez. Ou ainda, o início de uma bela manhã. Mas é claro que também pode ser o meio de uma tarde, quando o sol ainda está a pino e a vida apenas vive, sem se preocupar com a noite que tardará a chegar. Múltiplas possibilidades, e apenas uma certeza: tempos de revolução.&lt;br /&gt;A América Latina é toda ela povoada por militares, golpes, vitórias e fracassos... Sangue... Sangue que escorre por diversos motivos, que lava ruas e becos e que coagula nas páginas da história. Líderes surgem por todos os lados, são políticos, são povo, são sonhadores e também, ditadores; podem ser até mesmo, heróis. As canções no rádio ainda são uma novidade que embalam uma geração. A televisão é um eletrodoméstico de luxo, na qual pouquíssimos latino-americanos tem.&lt;br /&gt;E lá está o México, abaixo dos Estados Unidos até no mapa, ou, como diriam muitos, “A casa grande e seu quintal”. Naquele meados dos anos 50, o país é sede da segunda edição dos Jogos Pan-Americanos e obviamente, atletas e jornalistas de todo o continente encontram-se por lá.&lt;br /&gt;No meio de tantos fatos, casos, desatinos, rumos, mesmices e detalhes, uma fotografia surge no cenário. Algo preto-e-branco, como convém para a tecnologia da época, mas cuja maneira incolor de ser, suscita um amplo e colorido leque de probabilidades, tão ressaltada é a imagem estática em sua negritude mesclada na brancura.&lt;br /&gt;Lá está o mar, espremendo-se entre o céu e a praia. E como todo mar, este também não é diferente; gosta de fazer-se notar, de mostrar toda a sua amplitude e força, toda a sua magia e mistério. Suas ondas são fortes e utilizam-se da violência para alcançar a praia solitária. Talvez tão acostumado com o contexto sócio-político da época, o mar também quis mostrar o seu lado traiçoeiro e perturbador. Ele desliza, balança, ameaça e cai... Forma-se então, um grande e sacolejante lençol branco com suas espumas. Ondas de um tempo. Tempo de perseverança. Ondas de um tempo ali eternizadas.&lt;br /&gt;Diante da brutalidade do mar, estão um homem e uma mulher parados, olhando um para o outro a conversar. Ele, metido em um terno que no ao vivo da situação deveria ser bege, marrom ou algo similar, e um chapéu da mesma coloração que repousa em sua cabeça. Ela, mais baixa do que ele, vestido branco a cobrir-lhe as curvas e outros adereços da carne e um lenço a envolver-lhe os cabelos. Um bom observador notaria uma cesta em seu braço esquerdo, enquanto o outro, curva-se na cintura. Sua face parece estar em movimento. Palavras devem sair de sua boca. Mas o homem mantém uma postura séria. Apenas a escuta, enquanto suas mãos estão para trás. Seriam eles um casal, meros amigos ou quem sabe, amantes?&lt;br /&gt;A praia onde se encontram leva a crer que é um local bem movimentado. Uma provável chuva recente deixa à mostra inúmeras pegadas na areia. Mas o homem e a mulher em nada reparam ao que acontecem ao seu redor. Não notam os navios no horizonte, nem a violência do mar, nem a gradativa mudança de tonalidade do céu, nem as marcas de passos na areia, nem nada. Só tem olhos um para o outro.&lt;br /&gt;Alguém se aproxima e percebe a distração do casal. O cenário está perfeito para um bom enquadramento. Esse alguém é Ernesto Guevara de la Serna (1928-1967), um repórter fotográfico da Agência de Imprensa Argentina, que cobria os Jogos Pan-Americanos. Sim, é ele mesmo, o tão conhecido Che Guevara, revolucionário comunista que sacudiu a América Latina com sua ideologia e ousadia, e um dos nomes expoentes da Revolução Cubana (1959). Apesar de sua formação ser em medicina, Che, nas horas vagas, praticava uma outra sua grande paixão: a fotografia. Um “clique” mistura-se com o som ambiente. Assim, o fotógrafo Che Guevara eterniza aquele momento. Agora, para todo o sempre, o homem e a mulher da praia estariam se fitando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-4638639997657067413?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/4638639997657067413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/4638639997657067413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2009/08/monologos-de-um-momento-eternizado.html' title='Monólogos de um momento eternizado'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/SnzzVdRl45I/AAAAAAAAAB0/vUT2j0_FpPk/s72-c/fotografia+tirada+por+che.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-4407130474461432804</id><published>2009-08-07T20:13:00.000-07:00</published><updated>2009-08-07T20:34:58.285-07:00</updated><title type='text'>A hora do eu</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_GKt03rMaVbc/SbG_QV2KK3I/AAAAAAAAALA/0faA9vuq0H8/S1600-R/BonecasPalitos(16).gif"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 226px; CURSOR: hand; HEIGHT: 287px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_GKt03rMaVbc/SbG_QV2KK3I/AAAAAAAAALA/0faA9vuq0H8/S1600-R/BonecasPalitos(16).gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mais uma vez um livro foi aberto e suas palavras consumidas. Palavras novas e velhas, desta e de outras leituras, que misturadas irão em breve parar em algum papel. Mas não pense você que sou uma devoradora de palavras. Não! Devorar é pouco. É apenas engolir de forma desesperadora, sem apreciar o seu sabor. Sou mais detalhista. Gosto do degustar, que me vai envolvendo em cada letra, em cada ponto, em cada sentido. Assim, tomo para mim as palavras e suas idéias. Sinto-me, então, saciada.&lt;br /&gt;Se as horas e dias passam, minha “bagagem de conhecimento” passa com eles. Aquilo que possuo já não é suficiente. Já não bastam os mesmos autores e nem suas obras. Já não bastam as mesmas perguntas. Senso comum? Nem pensar! Abomino o clichê. A renovação caminha junto comigo, porque acredito na “metamorfose ambulante” de que já falava Raul Seixas em sua obra. Uma música, um filme, uma peça teatral ou ainda um bom bate papo são alguns elementos que constantemente ajudam a modificar o meu ser. Tento sempre absorver o melhor das coisas e das pessoas; estou sempre em fase de aprendizado. Acredito que boas fontes de conhecimento também podem ser encontradas nos mais simples seres, basta saber indagá-los. Perguntar, saber ouvir e observar atentamente são minhas armas preferidas para conseguir boas respostas às minhas questões.&lt;br /&gt;Curiosidade, palavras, interrogações... Tantos pensamentos percorrem minha mente minuto a minuto. É como se houvesse um rio dentro de mim, onde minha cabeça fosse a nascente, que escoa a “água-pensamento” para as demais partes do corpo, os afluentes. E isto alimenta todo um complexo sistema constantemente. Nada há em mim que não seja fruto desse pensar. Pensar e agir... Jamais agir e pensar!&lt;br /&gt;A noite se aproxima e eu aqui falando de um certo “eu”. Eu, pronome reto que corresponde à primeira pessoa. Mas que pessoa é esta? Nunca vi sua face, a não ser em fotografias. Nunca olhei diretamente em seus olhos. Tentei encontrá-la em muitos lugares, mas não achei. Lembro-me que uma vez vi sua fisionomia em um espelho, mas foi de forma tão indireta que nem sequer nos demos “oi”. Acho que não conheço a pessoa de que se fala porque muitos “eus” habitam seu interior. Conheço apenas aquilo que é visível, não a sua totalidade. Cada vez que a vejo, seja em fotografias, seja em espelhos, ela já não é mais a mesma da vez anterior. Não sei o que acontece, o que anda se passando. Só sei que vejo mudanças a longo prazo e espero que isto seja algo bom. Não estou certa de muitos de seus detalhes, mas de uma coisa tenho certeza: esse corpo que habita muitas pessoas chama-se “eu”.&lt;br /&gt;Olho o relógio, são quase oito horas da noite. Mais uma vez, cá estou eu escrevendo enquanto o tempo passa. Papéis e canetas sempre foram parte constituinte daquilo que possuo. Sempre estiveram comigo nesta caminha de um pouco mais de 20 anos -e quero que assim continue. Somos bons amigos. Juntos, já compartilhamos segredos, dados, histórias de vida e até mesmo, frases banais. Em qualquer lugar que vou, lá estão eles dispostos a me ajudar. Papel e caneta nas mãos e muitas anotações a se fazer.&lt;br /&gt;Se abro ou fecho livros, se escrevo ou se pergunto, não importa. O que importa é que algo, no início ainda sem nome, foi tomando conta de minha vida lentamente, foi se apropriando de mim. Sempre foi mais forte do que eu e, por mais que eu ainda não o enxergasse, lá estava ele ao meu redor. Estava na minha maneira de ler, estava em meus cadernos, estava presente em meu comportamento e na minha forma de ver o mundo. Até que um dia, quando eu estava deixando a minha infância para trás, ele apareceu de fato. Foi uma surpresa instantânea para mim, que disse comigo mesma: “Quero ser jornalista!”&lt;br /&gt;Hoje, ao escrever estas palavras, percebo que o jornalismo não foi para mim uma escolha, mas sim, um fato. O que mais poderá fazer alguém que não consegue separar-se de seus papéis e canetas, que degusta livros e que vive por questionar? Identificação? Creio que não. É mais além. Só se escolhe aquilo que se quer ser, quando nada se tem a princípio. E quando eu nada tinha, pensava em ser engenheira, veterinária, astrônoma... Mas as palavras estavam em mim e eu sempre as deixei sair livremente, assim que as adquiria. Não, eu não escolhi ser jornalista. Foi o Jornalismo que me escolheu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-4407130474461432804?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/4407130474461432804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/4407130474461432804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2009/08/hora-do-eu.html' title='A hora do eu'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_GKt03rMaVbc/SbG_QV2KK3I/AAAAAAAAALA/0faA9vuq0H8/s72-Rc/BonecasPalitos(16).gif' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5372683157581647241.post-4646640594823785134</id><published>2009-08-07T16:40:00.000-07:00</published><updated>2009-08-07T16:43:56.379-07:00</updated><title type='text'>Fiori!!!</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/Sny8KSig9_I/AAAAAAAAAAo/ReEQnYOuPKo/s1600-h/outono-arvor-grossa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5367371740880107506" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/Sny8KSig9_I/AAAAAAAAAAo/ReEQnYOuPKo/s320/outono-arvor-grossa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O outono já se foi há alguns meses, mas o seu vento frio e suave ainda lambe minha alma. Nela há sementes de esperança, de dores, de amores e de anseios; flores que desabrocham até mesmo nas mais inusitadas estações. Não importa se o azul da cor de gelo, o cor-de-rosa fraco, o laranja desbotado ou o vermelho-sangue pintem suas pétalas: as flores de outono constantemente estarão nos meus jardins, colorindo o meu ser. Palavras atrevidamente consequentes regam todos os ramos verdes que conduzem às delicadas pétalas e assim, por todo o sempre há sempre flores... Bem-vindos ao Fiori di Autunno!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5372683157581647241-4646640594823785134?l=fioridiautunno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/4646640594823785134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5372683157581647241/posts/default/4646640594823785134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fioridiautunno.blogspot.com/2009/08/fiori_07.html' title='Fiori!!!'/><author><name>Bruna</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12352882048163288664</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/TKTkpvptTmI/AAAAAAAAAMU/ncs_EMemUgY/S220/DSC00972.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_zP6__VpKLFE/Sny8KSig9_I/AAAAAAAAAAo/ReEQnYOuPKo/s72-c/outono-arvor-grossa.jpg' height='72' width='72'/></entry></feed>
